• Home
  • Notícias
  • Professora da UFS lança obra sobre feminicídio e transfeminicídio e defende pacto social contra a violência

Professora da UFS lança obra sobre feminicídio e transfeminicídio e defende pacto social contra a violência

A professora doutora Patrícia Rosalba, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), participou nesta terça-feira do programa A Hora da Notícia para falar sobre o lançamento da obra “Feminicídio, Transfeminicídio: Perspectivas Internacionais Cruzadas”, publicada na última semana. O livro reúne pesquisas nacionais e internacionais que analisam as causas, os contextos e as políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulheres e pessoas trans.

Durante a entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, a docente destacou que o tema não é recente dentro da universidade. Segundo ela, as pesquisas sobre violência contra as mulheres vêm sendo desenvolvidas há pelo menos 20 anos por meio do Grupo de Pesquisa CHIC-CHIC, coordenado pela própria professora.

A obra é fruto de um projeto aprovado junto ao sistema nacional de pesquisa e envolve uma rede internacional com pesquisadores de cinco países: Brasil, Peru, México, Equador e Espanha.

“Estamos estudando como esses países lidam com esses crimes em seus territórios, tanto do ponto de vista da gestão estatal quanto do acolhimento às famílias das vítimas”, explicou Patrícia Rosalba.

Pesquisa internacional e políticas públicas
A professora ressaltou que o estudo busca compreender como diferentes países estruturam suas políticas públicas de combate ao feminicídio e ao transfeminicídio.

De acordo com ela, a Espanha foi incluída no projeto por ser uma referência mundial em políticas de proteção às mulheres, com uma rede de acolhimento e acompanhamento que vai desde a denúncia até a sentença judicial.

“A Espanha tem conseguido executar ações importantes que vão do acompanhamento da mulher à efetivação das medidas protetivas, com investimento sério de recursos públicos”, afirmou.
Patrícia também destacou que o feminicídio representa a etapa final de um ciclo contínuo de violências, como agressões psicológicas, patrimoniais, morais e físicas.

Machismo estrutural e cultura da posse
Ao longo da entrevista, a professora chamou atenção para o papel do machismo estrutural na perpetuação da violência.

Segundo ela, mesmo com a maior inserção feminina no mercado de trabalho e em espaços de liderança, os índices de violência seguem elevados.

“O problema não se resume à dependência econômica. Muitas vezes, está ligado à ideia de posse. Alguns homens são educados para acreditar que possuem o corpo e a vida da mulher”, pontuou.

A docente destacou ainda que amor e controle são conceitos distintos e que a cultura patriarcal ainda ensina homens e mulheres a reproduzirem relações desiguais.

Ela defendeu que o combate ao feminicídio deve começar dentro de casa, na educação das crianças.

“É preciso ensinar desde cedo que amor não é sinônimo de controle e que ciúme não é cuidado”, disse.

Redes sociais e grupos misóginos
Outro ponto abordado foi o avanço de grupos misóginos nas redes sociais, como comunidades ligadas à chamada “machosfera”.

Segundo a pesquisadora, esses espaços têm contribuído para o fortalecimento de discursos de ódio e de inferiorização das mulheres.

“Os algoritmos reproduzem essas ideias e acabam formando grupos de homens e jovens com discursos de misoginia”, alertou.

Situação em Sergipe
Sobre a realidade local, Patrícia Rosalba afirmou que Sergipe vinha apresentando números menores em relação a outros estados, mas registrou aumento recente nos casos.

“De dezembro para cá, tivemos uma elevação nos registros de feminicídio, o que reforça a necessidade de um pacto coletivo entre governo, instituições e sociedade”, observou.

A professora defendeu que o enfrentamento da violência deve envolver famílias, escolas, instituições religiosas, forças policiais e o Poder Judiciário.

Livro disponível gratuitamente
A obra “Feminicídio, Transfeminicídio: Perspectivas Internacionais Cruzadas” está disponível gratuitamente em formato digital.

Os interessados podem acessar o material pelo site da Editora Criação ou pelo perfil do Grupo CHIC-CHIC nas redes sociais.

Além disso, a pesquisadora anunciou a criação do Laboratório de Violência Doméstica, Feminicídio e Transfeminicídio da UFS, que começa suas atividades em 2026 com foco em pesquisas interdisciplinares e ações de extensão junto à sociedade.
“A transformação vem de baixo, por meio da educação e do diálogo com a comunidade”, concluiu.

VEJA MAIS

Com nova geração, Brasil estreia nesta quarta na Billie Jean King Cup

O Brasil estreia nesta quarta-feira (8) contra o Chile no Grupo I das Américas aa…

Com nova geração, Brasil estreia nesta quarta na Billie Jean King Cup

O Brasil estreia nesta quarta-feira (8) contra o Chile no Grupo I das Américas aa…

Proredes apresenta ações desenvolvidas durante visita do Tribunal de Contas do Estado

Programa executado pela Secretaria de Estado da Saúde passa por acompanhamento que avalia aplicação de…