Por Barroso Guimarães
A fonoaudióloga Laura Vieira concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, destacando a importância da conscientização sobre a saúde auditiva, em alusão ao Dia Mundial da Audição, celebrado em 3 de março.
Durante a conversa, a especialista chamou atenção para a dimensão do problema. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo convivem com algum grau de perda auditiva, número que pode chegar a 2,5 bilhões até 2050. No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas apresentem algum tipo de deficiência auditiva.
Laura Vieira enfatizou que a perda auditiva pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive desde o nascimento. Por isso, ressaltou a importância da triagem auditiva neonatal, conhecida como “teste da orelhinha”, exame obrigatório nas maternidades brasileiras, conforme a Lei nº 12.303. Segundo ela, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento e, em alguns casos, reversão do problema.
A especialista explicou que existem diferentes tipos de perda auditiva. As chamadas perdas condutivas, em geral, são transitórias e tratáveis, enquanto outras podem ser permanentes, exigindo intervenções como o uso de aparelhos auditivos ou implante coclear, aliados à reabilitação auditiva.
Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar o volume da televisão, atraso no desenvolvimento da fala em crianças e isolamento social. Em adultos, a exposição frequente a ambientes ruidosos — como locais de trabalho com muito barulho — também pode desencadear perdas auditivas, especialmente a chamada perda auditiva induzida por ruído.
Outro ponto destacado foi o uso excessivo de fones de ouvido. Laura alertou que volumes elevados e uso prolongado podem causar danos permanentes às células auditivas. Ela também desaconselhou o uso frequente de hastes flexíveis (cotonetes), que podem empurrar o cerume para dentro do ouvido e provocar obstruções.
A fonoaudióloga ainda abordou os impactos da perda auditiva na qualidade de vida, destacando a relação com problemas emocionais, como ansiedade, depressão e isolamento social. Segundo ela, a dificuldade de comunicação pode levar tanto ao afastamento voluntário quanto à exclusão social.
Apesar dos avanços tecnológicos, que tornaram os aparelhos auditivos menores e mais discretos, o preconceito ainda é uma realidade. No entanto, a especialista acredita que a evolução dos dispositivos tem contribuído para reduzir o estigma.
Por fim, Laura Vieira reforçou a importância da prevenção, orientando a população a evitar exposição a ruídos intensos, moderar o uso de fones de ouvido e realizar avaliações auditivas regularmente, mesmo na ausência de sintomas. Segundo ela, o cuidado contínuo é essencial para preservar a saúde auditiva ao longo da vida.