Por Barroso Guimarães
O superintendente do IBAMA em Sergipe, Cássio Costa, concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, onde abordou temas relacionados ao monitoramento ambiental no estado, o aparecimento de resíduos oleosos no litoral sergipano e o avanço do desmatamento da Caatinga.
Durante a entrevista, Cássio Costa explicou que o IBAMA tem acompanhado o surgimento de novos resíduos encontrados entre os litorais de Sergipe e Bahia. Segundo ele, o material é diferente daquele registrado entre os anos de 2019 e 2021. O superintendente destacou que equipes técnicas do IBAMA de Sergipe e Bahia, em conjunto com a Marinha do Brasil, ICMBio, Fundação Tamar e instituições ligadas à preservação de mamíferos marinhos, realizaram coletas em cerca de 200 quilômetros do litoral.
O material recolhido está sendo analisado em laboratórios no Rio de Janeiro para identificar sua origem e possíveis impactos ambientais. Apesar disso, Cássio Costa tranquilizou a população e afirmou que não há, até o momento, indícios de risco grave às praias sergipanas.
“Existem hipóteses, mas ainda seria precipitado e irresponsável falar sobre a origem sem dados científicos concretos”, afirmou.
O superintendente também explicou que parte do material escuro encontrado recentemente nas praias é apenas matéria orgânica oriunda dos rios, principalmente do Rio São Francisco, e que não apresenta risco à saúde da população.
Outro ponto abordado na entrevista foi o combate ao desmatamento da Caatinga em Sergipe. Cássio Costa destacou que o bioma tem sofrido forte pressão nos últimos anos, especialmente devido ao avanço indiscriminado do cultivo agrícola, principalmente do milho.
Segundo ele, a Caatinga é o único bioma genuinamente brasileiro e possui grande riqueza ambiental e científica, mas ainda enfrenta preconceito e pouca valorização. O superintendente ressaltou que o desmatamento tem atingido áreas de preservação permanente e alertou para a necessidade de manejo adequado da vegetação.
“O povo precisa compreender que a Caatinga é um bioma extremamente rico e sofisticado. Basta um pouco de chuva para que ela fique completamente verde”, enfatizou.
Cássio Costa também lembrou que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) possui atualmente uma resolução que auxilia no manejo sustentável da Caatinga, já que ainda não existe uma legislação específica semelhante à da Mata Atlântica.
De acordo com o superintendente, os próximos anos serão decisivos para a preservação da Caatinga em Sergipe e em todo o Nordeste, diante do aumento do desmatamento registrado nos últimos anos.