“Construir casas perto do morro é perigoso, porque é uma área de risco em tempo de chuva”. O alerta é do pequeno Nicolas Elan Nunes Santana, 9 anos, durante uma conversa com a família, uma semana após participar do lançamento do projeto ‘Defesa Civil nas Escolas’.
O garoto é aluno do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Papa João Paulo II, no bairro Santa Maria, zona Sul da cidade, onde alimenta o sonho de seguir os passos de Neymar. “Quero ser jogador de futebol porque tenho talento. Estava em uma escolinha, mas parei porque meu professor foi morar em outra cidade”, afirmou.
Enquanto o projeto de atleta está em modo pausa, Nicolas aproveita para redobrar a atenção nos estudos, aprender novos conteúdos e espalhar pela vizinhança do conjunto Paraíso do Sul — onde vive com a família — tudo o que aprendeu com a equipe da Defesa Civil de Aracaju, órgão vinculado à Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seminfra).
“Nosso trabalho é também exercitar nas crianças a cidadania, cuidando daquilo que está ao redor. Quando entendem o lugar delas na comunidade, ajudam a disseminar boas práticas por meio das brincadeiras com os amigos e das conversas com os familiares. Dessa forma, tornam-se cidadãos mais conscientes”, observou a engenheira Valéria Bispo, coordenadora-geral da Defesa Civil de Aracaju.
Quando termina as atividades escolares, ele veste o colete laranja e assume o posto de agente mirim ao lado dos amiguinhos do bairro. “Na minha escola, a visita do pessoal da Defesa Civil foi bem legal. Aprendi que a gente não pode jogar lixo no chão, porque pode entupir os bueiros e, quando chover, a água vai encher a rua e até entrar na casa da gente”, explicou.
Nicolas é o caçula de três filhos da diarista Naiane Nunes. A mais velha completará 19 anos e o do meio tem 10. “O que ele aprendeu é fundamental, principalmente porque moramos em uma área de risco, com morros, e no passado a rua atrás da nossa casa costumava alagar. Foi muito positiva essa interação com a Defesa Civil, porque nem sempre temos tempo de ensinar tudo para ele”, afirmou a mãe.
Além de sonhar com os gramados, o contato de Nicolas com os técnicos da proteção e defesa civil despertou um novo desejo. “Quem sabe, um dia, eu também trabalhe na Defesa Civil para ajudar a cuidar do meu bairro e da minha cidade”, revelou.
Enquanto isso, ele continua alertando a vizinhança sobre os problemas provocados pelo descarte irregular de lixo e os perigos de construir nas encostas. “Qualquer emergência, 199”, avisou.