O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda e proibiu sua saída do Brasil. A decisão foi assinada neste sábado (11) no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
A medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga após identificar a compra de uma passagem aérea para os Estados Unidos com embarque previsto para a próxima segunda-feira (13).
Thiago Miranda foi um dos alvos da décima fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (9). A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa ligada ao Banco Master, suspeita de promover intimidação contra jornalistas, monitoramento ilegal de pessoas relacionadas a autoridades públicas, obtenção de informações sigilosas e tentativas de interferência em investigações criminais.
De acordo com a Polícia Federal, Miranda teria coordenado uma rede de influenciadores digitais para defender o Banco Master nas redes sociais e desgastar a imagem do Banco Central durante as negociações envolvendo a aquisição da instituição financeira pelo BRB.
Ainda segundo os investigadores, influenciadores teriam recebido ofertas de até R$ 2 milhões para participar da estratégia de comunicação. Em depoimento, Miranda afirmou que as ações contavam com a autorização de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mas sustentou que se tratava de um trabalho de gerenciamento de crise, negando que houvesse uma campanha direcionada contra o Banco Central.
Em nota divulgada neste sábado, a defesa do publicitário afirmou que ele sempre colaborou com as investigações, comparecendo a todos os atos para os quais foi convocado. Os advogados também criticaram o que classificaram como vazamento seletivo de informações para a imprensa antes de qualquer intimação formal.
A defesa negou a prática de irregularidades e declarou confiar que, ao término da investigação, ficará comprovada a inexistência de qualquer conduta ilícita atribuída ao seu cliente.