Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que pretende tomar o controle do Estreito de Ormuz, a Marinha norte-americana anunciou, nesta segunda-feira (13), que voltará a bloquear a entrada do estreito.
O novo bloqueio naval, segundo um comunicado da Marinha dos EUA, entrará em vigor a partir da noite de terça-feira (14).
Durante a guerra no Oriente Médio, navios militares dos EUA fizeram um bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, a qualquer embarcação iraniana, transportando produtos iranianos ou que tivesse origem ou destino em portos iranianos. O bloqueio foi uma retaliação ao fechamento do Irã no Estreito de Ormuz, na prática controlado por Teerã.
Desta vez, segundo o comunicado da Marinha, o bloqueio será feito ao longo de toda a costa do Irã, com o intuito de reprimir o tráfego de embarcações de qualquer porto ou terminal de petróleo iranianos.
A Marinha norte-americana disse que o “trânsito neutro” será liberado, assim como navios com suprimentos humanitários. Todas as embarcações, no entanto, serão submetidas a inspeções por militares.
O levantamento do bloqueio naval norte-americano na entrada do Estreito de Ormuz era um dos pontos do acordo de paz entre EUA e Irã que as duas partes assinaram em junho.
Trump diz que tomará o controle de Ormuz
Também nesta segunda-feira, Donald Trump afirmou que vai “tomar o controle do Estreito de Ormuz”. Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump disse que os EUA serão “os guardiões do estreito” e que deveriam ser “reembolsados” caso liberem a via marítima.
“Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse ele em uma entrevista por telefone no programa “Fox & Friends”, condenando as autoridades iranianas: “Tínhamos um acordo e eles o quebraram. São um grupo de pessoas ruins”.
A fala de Trump contrasta com declarações feitas por ele em junho, dizendo que não haveria cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. Pouco depois, em post na rede Truth Social, ele falou que cobrará o valor de 20% de toda carga que passar pela rota.
“O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos”, escreveu.
“Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘o guardião do Estreito de Ormuz’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, completou Trump.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
Irã rebate Trump
A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que “não permitirá que os EUA intervenham na administração” de Ormuz.
“O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada”, afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: “Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã”.
A Guarda Revolucionária iraniana também se pronunciou e declarou que continua afirmando sua “autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz”.
“Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás”, ameaçou o porta-voz.
Novas explosões são ouvidas em cidades do Irã
A mídia estatal do Irã informou que ao menos quatro explosões foram ouvidas na cidade portuária de Bandar Abbas e em Konarak nesta segunda-feira (13). Ainda não há informações sobre o que provocou as detonações nem se houve danos ou feridos.
Bandar Abbas tem sido alvo frequente de ataques dos Estados Unidos nos últimos dias. A cidade abriga um porto e fica na região do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
A agência Tasnim informou que sistemas de defesa aérea foram acionados em Bandar Abbas, o que sugere que um novo ataque esteja em andamento. Até a publicação desta reportagem, nenhum país havia se manifestado sobre o caso.
A mais de 600 km dali, a cidade de Konarak, às margens do Golfo de Omã, também foi alvo de ataques, segundo a agência estatal IRNA. A agência afirmou que quatro mísseis atingiram áreas nos arredores da cidade e que aeronaves americanas sobrevoavam a região.
Ao mesmo tempo, a Tasnim informou que várias embarcações classificadas como “infratoras” pelo Irã foram atacadas no Estreito de Ormuz. Outros detalhes não foram divulgados.
As explosões foram registradas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país assumirá o controle do Estreito de Ormuz.
Em publicação na Truth Social, Trump disse que os EUA cobrarão uma taxa equivalente a 20% do valor de toda carga que passar pela rota, como uma espécie de compensação pela segurança que será garantida por militares americanos.
Fonte: AJN1