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Excesso de estímulos digitais está mudando a forma como prestamos atenção?

Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) alerta que o uso intenso de múltiplas telas e estímulos digitais pode reduzir gradualmente capacidades cognitivas essenciais

Notificações a todo momento, vídeos de poucos segundos, alternância constante entre aplicativos e excesso de informações. O cérebro humano nunca recebeu tantos estímulos como atualmente. No Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, especialistas chamam a atenção para os impactos desse comportamento na atenção, na memória e na capacidade de concentração.

O neurologista Marcone Moreno, da Hapvida, explica que o problema não é a tecnologia em si, mas o uso contínuo e sem pausas. “A exposição constante a estímulos digitais ativa mecanismos ligados ao sistema de recompensa cerebral. O cérebro funciona como qualquer outro órgão: ele se adapta ao ambiente em que vive.”

Uma pesquisa divulgada no Jornal da USP em julho de 2026, mostra que o consumo excessivo de telas e conteúdos rápidos está associado à redução da capacidade de manter a atenção por períodos prolongados, além de pior qualidade do sono, fadiga mental e prejuízo no desempenho cognitivo, especialmente quando o uso acontece à noite.

O levantamento destaca ainda que esse comportamento está relacionado à tecnoadicção, termo utilizado para descrever a dependência comportamental provocada pelo uso excessivo de meios tecnológicos. Redes sociais, plataformas digitais e ferramentas baseadas em inteligência artificial contribuem para manter a pessoa conectada por períodos cada vez maiores.

Como a hiperestimulação tecnológica afeta o cérebro

“Quando passamos o dia alternando entre notificações, vídeos curtos e diferentes aplicativos, treinamos o cérebro para buscar novidades o tempo todo. Isso pode dificultar tarefas que exigem concentração prolongada, como estudar, ler um livro ou realizar atividades complexas”, pontua o especialista.

O neurologista destaca também a importância de noites bem dormidas. “É durante o sono que o cérebro organiza informações, fortalece memórias e realiza processos fundamentais para seu funcionamento. Quando a pessoa dorme pouco ou utiliza telas até o momento de dormir, essa recuperação pode ser prejudicada.”

A recomendação não é abandonar a tecnologia, mas estabelecer limites. “Pequenas mudanças fazem diferença. Reservar momentos do dia sem celular, evitar telas pelo menos uma hora antes de dormir, praticar atividades físicas e dedicar tempo à leitura ou a conversas presenciais ajudam o cérebro a recuperar sua capacidade de foco”, conclui.

Texto e foto assessoria

Fonte: Faxaju

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