Entrevista foi concedida ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, com participação do repórter Eraldo Souza
O economista Emerson Sousa analisou o cenário econômico de Sergipe e do Brasil nos últimos três anos, o poder de compra dos trabalhadores e os possíveis impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A entrevista foi concedida ao jornalista Barroso Guimarães, durante o programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, com participação do repórter Eraldo Souza.
Durante a conversa, Emerson defendeu a necessidade de o Brasil ampliar sua capacidade industrial e investir na formação de mão de obra qualificada como estratégia para alcançar um desenvolvimento econômico mais consistente. Segundo ele, o país precisa identificar os setores nos quais possui maior competitividade e agregar valor à produção.
Na avaliação do economista, a industrialização é um dos principais caminhos para a geração de empregos e o crescimento sustentável. Ele citou a necessidade de formação profissional para que o Brasil possa ocupar cargos estratégicos dentro das empresas e evitar a dependência de profissionais estrangeiros em funções de alta qualificação.
Emerson também destacou a importância da educação e da formação de engenheiros e profissionais especializados para o desenvolvimento tecnológico. Para ele, o investimento em qualificação deve acompanhar qualquer projeto de expansão industrial.
Tarifas dos Estados Unidos
Um dos principais temas da entrevista foi a possibilidade de o governo brasileiro adotar medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Emerson Sousa afirmou ser contrário à adoção imediata de uma política de retaliação comercial.
Na avaliação do economista, o Brasil teria mais a perder do que a ganhar com uma escalada de tarifas. Ele defendeu que o país busque novos mercados para os setores afetados pelas medidas norte-americanas, preservando os canais de negociação e ampliando as relações comerciais com outros parceiros.
Emerson lembrou ainda que os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil e ressaltou que parte significativa das exportações brasileiras para o mercado norte-americano é formada por produtos industrializados e de maior valor agregado.
Para o economista, o governo brasileiro pode adotar um discurso firme na defesa dos interesses nacionais, mas deve evitar medidas que possam ampliar o conflito comercial. Ele também observou que setores empresariais norte-americanos podem ser prejudicados pelas próprias tarifas, caso o aumento dos custos de importação inviabilize negócios e afete empresas que dependem de produtos brasileiros.
Economia brasileira e poder de compra
Ao avaliar o desempenho da economia brasileira, Emerson Sousa afirmou que o país vem apresentando sinais de resistência, especialmente devido à geração de empregos e ao aumento da circulação de renda.
Segundo ele, o Brasil possui uma economia fortemente influenciada pelo consumo das famílias. Nesse cenário, políticas de transferência de renda e a valorização do salário mínimo contribuem para movimentar a economia, já que o dinheiro recebido pelas famílias circula pelo comércio e pela cadeia produtiva.
O economista explicou que o aumento da renda tem efeito direto sobre diferentes setores da economia. O consumidor compra no comércio local, os estabelecimentos precisam repor os estoques, os atacadistas aumentam as encomendas e a indústria amplia a produção, gerando um ciclo de movimentação econômica.
Emerson também destacou que Sergipe tem apresentado resultados positivos na geração de empregos e afirmou que o desempenho do mercado de trabalho é um dos fatores que ajudam a sustentar a economia no estado.
Apesar dos avanços, o economista ponderou que o cenário ainda exige atenção e que o Brasil não está livre dos efeitos das dificuldades econômicas internacionais e das decisões relacionadas ao comércio exterior.
Ao final da entrevista, Barroso Guimarães agradeceu a participação de Emerson Sousa e destacou a amplitude dos temas econômicos abordados durante o programa, deixando aberta a possibilidade de novos encontros para discutir a economia brasileira e sergipana.