Na primeira sexta-feira de agosto é comemorado o Dia Internacional da Cerveja. Criada em 2007, em Santa Cruz, na Califórnia (Estados Unidos), a data nasceu para reunir amigos e homenagear os profissionais envolvidos na produção e no serviço da bebida.
No Brasil, longe de ser apenas um símbolo de lazer e celebração social, a cerveja se mostra parte de uma engrenagem que conecta o campo, as indústrias e a população em geral.
Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), essa relação é tão estreita que a entidade resume a cadeia em um lema: “do grão ao gole, do campo ao copo”.
“A gente fala que a cerveja é o agro na garrafa. Só há produto agrícola ali”, afirma.
Do campo nasce a cerveja
A cevada é a principal matéria-prima utilizada na fabricação do malte, enquanto o lúpulo é responsável pelo aroma e pelo amargor característicos da bebida. Dependendo do estilo, também entram na receita milho, arroz, trigo, açúcar, frutas e diversos ingredientes de origem vegetal.
Segundo Maciel, a importância da cerveja para o agronegócio pode ser medida pela demanda que exerce sobre essas culturas. “Quase 100% da cevada produzida no Brasil vai para a indústria da cerveja”, afirma.
Dados da Embrapa de 2025 reforçam essa dependência: atualmente, cerca de 90% da cevada cultivada no país é destinada à malteação, principal etapa para a produção do malte utilizado na fabricação da cerveja. O restante é direcionado principalmente à produção de sementes e a outros usos industriais.
A importância dessa integração cresce diante do tamanho do mercado brasileiro. O país produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja em 2025 e ocupa a terceira posição entre os maiores produtores do mundo..
Uma cadeia que movimenta a economia
Da produção agrícola ao serviço prestado em bares e restaurantes, diversos elos participam da cadeia produtiva. Segundo Márcio Maciel, cada vaga criada pela indústria cervejeira gera outros 34 empregos ao longo da cadeia.
“Vai do agricultor que está plantando cevada, ao transportador que leva a matéria-prima para a indústria, ao fabricante de embalagens, ao envasador, até chegar aos garçons e bartenders que atendem o consumidor”.
Outro impacto ocorre no desenvolvimento regional. Dacordo com estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), citado pelo presidente executivo do Sindicerv, cerca de 90% da riqueza gerada por uma cervejaria permanece no município onde ela está instalada ou nas cidades vizinhas, fortalecendo economias locais e estimulando novos negócios.
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária confirmam a dimensão desse setor. Em 2025, o segmento de bebidas ultrapassou 143 mil empregos diretos, crescimento de 1,27% em relação ao ano anterior.
Mercado em expansão
O Anuário da Cerveja 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostra que o setor manteve sua trajetória de crescimento em 2025. O Brasil alcançou o maior número de cervejarias da série histórica, com 1.954 estabelecimentos registrados, com São Paulo continua liderando o ranking nacional, com 452 cervejarias registradas.
A expansão também aparece na diversidade de produtos. O país contabiliza 56.170 marcas de cerveja registradas junto ao Mapa, reflexo da ampliação do mercado e da entrada de novos empreendimentos. Atualmente, existe uma cervejaria registrada para cada 108.794 habitantes.
O mercado brasileiro também fortaleceu sua presença internacional, em 2025, a cerveja produzida no país foi exportada para 77 destinos. O Paraguai permaneceu como principal comprador, respondendo por 63,7% do valor exportado, seguido por Bolívia e Uruguai.
Para Maciel, a inovação explica parte desse crescimento. Hoje, mais de 80% das cervejarias brasileiras são micro e pequenas empresas, em sua maioria artesanais.
“O consumidor está entendendo cada vez mais a importância da moderação, mas também quer continuar participando dos momentos de convivência.
Segundo ele, esse movimento impulsiona novos estilos, ingredientes e categorias, como as cervejas sem álcool. Há poucos anos, o segmento era pouco representativo no mercado brasileiro. Hoje, tornou-se presença constante em bares, restaurantes e supermercados.
Fonte: AJN1