Mais de 200 mil barris de lixo radioativo foram encontrados no fundo do oceano por cientistas. Os resíduos foram jogados por diferentes países europeus entre as décadas de 1970 e 1980 e depositados em águas internacionais em cerca de 14.500 quilômetros quadrados a mais de 4.700 metros.
Durante expedições do projeto NODSSUM, feitas em 2025 e 2026, mais 3.500 barris foram somados à lista de tonéis encontrados no fundo do Atlântico Norte.
O objetivo do projeto não é retirar os barris do oceano, mas sim acompanhar e entender o que acontece com os resíduos e com a vida marinha próxima aos recipientes.
A área estudada fica a cerca de 1.200 quilômetros a oeste de La Rochelle, na França, e foi escolhida porque concentra uma grande quantidade desses barris.
Fotografias feitas na década de 1980 já haviam registrado alguns dos barris, mas o NODSSUM fez um mapeamento muito mais detalhado da região. Durante décadas, porém, não se tinha informações sobre a localização exata desses tonéis e seus efeitos sobre o ambiente do fundo do oceano.
Barris estão vazando
A primeira etapa da pesquisa aconteceu em 2025. O objetivo era encontrar os barris e as áreas que precisariam de uma análise mais detalhada.
Para isso, os pesquisadores usaram o UlyX, um robô submarino autônomo capaz de chegar a mais de seis mil metros de profundidade. O equipamento percorreu a região a cerca de 70 metros acima do fundo do oceano e usou um sonar de alta resolução para achar os objetos.
Em uma área de aproximadamente 165 quilômetros quadrados, equivalente a menos de 2% de toda a região em que aconteceu o descarte, foram encontrados os 3.500 barris.
Os toneis estavam alinhados com as rotas percorridas pelos navios que fizeram os descartes. O UlyX também chegou perto do fundo do mar, a uma distância de oito a 10 metros, para fotografar cerca de 50 barris.
As imagens feitas pelo robô ajudaram os pesquisadores a escolher os locais que seriam examinados durante a expedição de 2026.
Nessa segunda etapa, o submarino tripulado Nautile chegou até os tonéis e deixou os cientistas observarem dezenas deles diretamente.
Segundo os pesquisadores Javier Escartin, do CNRS, e Patrick Chardon, da Universidade Clermont Auvergne, alguns barris tinham sinais avançados de deterioração. Em certos casos, foi visto material vazando dos barris e se espalhando pelo fundo do oceano. Os barris também estavam cobertos por vida marinha, como anêmonas, esponjas e caranguejos.
A equipe pegou 400 quilos de amostras do solo, água e da vida marinha em cinco das áreas perto dos recipientes. Regiões próximas também foram examinadas para permitir a comparação com os ambientes ao redor dos barris.
Substâncias radioativas foram encontradas
Equipamentos usados diretamente no fundo do mar acharam sinais de contaminação por substâncias radioativas ligadas aos resíduos, incluindo cobalto-60 e nióbio-94. Também foram encontrados césio-137 e amerício-241.
Essas substâncias são chamadas de radionuclídeos, nome dado a átomos instáveis que liberam radiação ao se transformar. Alguns deles existem naturalmente no ambiente, enquanto outros são produzidos por atividades humanas.
Os pesquisadores também analisaram sedimentos coletados em 2025 em locais afastados dos barris. Os resultados mostraram a presença de radionuclídeos produzidos pelos humanos, que provavelmente são originados do descarte dos barris. As concentrações encontradas eram maiores às esperadas para regiões profundas do oceano.
Fonte: AJN1