O Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe (Sindijor/SE) realiza, no dia 19 de agosto, às 18 horas, o “Encontro de Gerações – Fotojornalismo”. A atividade será realizada no auditório da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe), localizado na Rua Porto da Folha, nº 1.039, no bairro Getúlio Vargas, em Aracaju.
O evento ocorre no Dia Mundial da Fotografia e reúne profissionais de diferentes gerações para discutir as transformações do fotojornalismo, os desafios da profissão e as mudanças provocadas pelo avanço das tecnologias digitais.
Durante entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM, apresentado por Barroso Guimarães e a participação do Eraldo Souza, a vice-presidente do Sindijor/SE, jornalista Elis Valença, explicou que o encontro faz parte de um projeto criado para estimular o diálogo entre profissionais experientes, jornalistas que estão ingressando no mercado, estudantes e pesquisadores.
Segundo Elis, a proposta surgiu a partir da necessidade de os próprios profissionais refletirem sobre o cotidiano e as transformações do jornalismo. Ela lembrou que a primeira edição do projeto reuniu profissionais de diferentes áreas, como jornalismo impresso, jornalismo sonoro, assessoria de comunicação, redes sociais e blogs.
A experiência mostrou, de acordo com a jornalista, que havia uma grande demanda por espaços de discussão. O encontro, inicialmente previsto para terminar às 21 horas, avançou até a noite devido ao interesse dos participantes e à quantidade de temas debatidos.
A partir dessa experiência, o Sindijor/SE decidiu dar continuidade ao projeto com encontros temáticos. Em julho, o debate abordou a greve dos comunicadores de 1991, movimento que reuniu jornalistas e radialistas em uma ação conjunta. Para o encontro de agosto, o foco será o fotojornalismo.
Tecnologia mudou rotina dos fotojornalistas
O fotojornalista Arthur Soares, um dos participantes do encontro, destacou durante a entrevista a velocidade com que a informação passou a ser produzida e distribuída.
Com experiência profissional desde 2008, Arthur já trabalhou no jornalismo impresso e atualmente atua principalmente na área de assessoria de comunicação. Para ele, uma das principais diferenças entre as duas fases está no tempo disponível para a produção.
No jornalismo impresso, uma fotografia poderia ser produzida com antecedência para uma publicação que chegaria ao leitor dias depois. Atualmente, com celulares conectados à internet e redes sociais, a informação é publicada praticamente em tempo real.
Nesse cenário, o fotojornalista precisa estar atento aos detalhes e buscar um olhar capaz de acrescentar algo à informação que já circula. Para Arthur, a fotografia pode ser justamente o elemento que desperta o interesse do público pela reportagem.
O profissional também ressaltou a importância de preservar os registros fotográficos. Segundo ele, uma imagem pode ganhar novos significados com o passar dos anos, principalmente quando retrata pessoas, acontecimentos e momentos que fazem parte da história de uma família ou de uma comunidade.
Livros retratam a cultura sergipana
Arthur Soares também falou sobre os três livros fotográficos dos quais é coautor: “Snapic Música pra Ver”, “Sergipe o País do Forró” e “Mestres e Mestras do Artesanato Sergipano”.
As três obras têm como característica o registro de aspectos da cultura e da identidade sergipanas.
O primeiro trabalho, “Snapic Música pra Ver”, reúne registros da cena musical do Estado, passando por diferentes estilos, como reggae, rock e pop.
Já “Sergipe o País do Forró” apresenta diferentes elementos relacionados à tradição do forró e aos festejos juninos, incluindo manifestações culturais, gastronomia e personagens ligados ao período junino.
O trabalho mais recente, “Mestres e Mestras do Artesanato Sergipano”, teve como foco os representantes do artesanato tradicional do Estado e envolveu pesquisa para a identificação dos mestres retratados.
Aproximação entre mercado, estudantes e academia
Elis Valença destacou ainda que o projeto busca aproximar três segmentos que, muitas vezes, seguem caminhos separados: profissionais do mercado, estudantes e pesquisadores.
Para a jornalista, essa aproximação é necessária para que o jornalismo possa discutir seus próprios métodos, desafios e responsabilidades sociais.
Ela também citou um projeto de extensão desenvolvido pelo Sindijor/SE em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), denominado “Jornalismo Sergipano e suas Pautas e Grandes Questões”. A iniciativa já promoveu discussões sobre a cobertura jornalística de feminicídios e as transformações nas redações, entre outros temas.
Segundo Elis, ações de formação e atualização são importantes porque a rotina profissional muitas vezes impede que jornalistas tenham tempo para acompanhar as mudanças tecnológicas e refletir sobre o próprio trabalho.
Precarização também entra no debate
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a precarização das relações de trabalho no jornalismo, especialmente a expansão da contratação de profissionais como pessoa jurídica.
Elis alertou para os riscos de modelos de contratação que podem retirar direitos trabalhistas e transferir para o profissional responsabilidades administrativas e jurídicas que tradicionalmente ficam a cargo das empresas.
Para a dirigente sindical, discutir as condições de trabalho também faz parte da reflexão sobre o futuro do jornalismo e sobre a valorização dos profissionais da comunicação.
Inteligência artificial será novo desafio
A entrevista também abordou os impactos da inteligência artificial na fotografia e no jornalismo. Arthur Soares avaliou que a tecnologia pode ser uma ferramenta útil, mas destacou a necessidade de discutir a maneira como ela será utilizada.
Para os profissionais, o avanço da inteligência artificial representa mais um desafio para o setor, especialmente diante da possibilidade de criação e alteração de imagens.
O tema, porém, acabou ficando para um próximo debate, devido ao encerramento da entrevista.
O “Encontro de Gerações – Fotojornalismo” será realizado no dia 19 de agosto, às 18 horas, no auditório da CUT Sergipe, na Rua Porto da Folha, nº 1.039, bairro Getúlio Vargas, em Aracaju. A participação é gratuita e não é necessário fazer inscrição prévia. Basta comparecer ao local.