Sergipe sedia nesta semana o VII Congresso Nacional de Antropologia Forense (CONAF), evento que reúne especialistas do Brasil e do exterior para discutir avanços científicos, novas tecnologias e experiências relacionadas à identificação de pessoas. Com apoio da Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP), o congresso conta com a participação de peritos da Polícia Científica e de alunos do curso de formação da instituição.
Realizado em Aracaju, o evento teve início na segunda-feira, 17, e segue até este sábado, 22, com atividades na Universidade Tiradentes (Unit), no Hotel do Sesc e na Academia de Polícia Civil (Acadepol). A programação inclui minicursos, oficinas, certificação em Antropologia Forense e palestras com profissionais de diferentes estados brasileiros e também do exterior.
A Antropologia Forense é uma área da perícia criminal voltada, entre outras aplicações, à identificação de pessoas quando métodos convencionais não são suficientes. O trabalho tem papel relevante especialmente em casos de desaparecimento e na identificação de vítimas de desastres e outros eventos com múltiplas vítimas.
Segundo o coordenador-geral de Perícias de Sergipe, Victor Barros, a realização do congresso no estado representa uma oportunidade de ampliar o intercâmbio entre profissionais e fortalecer a formação dos integrantes da Polícia Científica. “O congresso trouxe para Sergipe palestrantes de todo o Brasil, inclusive do exterior. A Polícia Científica está fomentando ciência e tenho certeza de que, com a participação dos nossos peritos e dos alunos do curso de formação nesse congresso, a sociedade só tem a ganhar”, destacou.
A programação também favorece a troca de experiências entre profissionais que atuam em diferentes áreas da perícia. Para Victor Barros, a aproximação entre os peritos sergipanos e especialistas nacionais e estrangeiros contribui para o aprimoramento das técnicas utilizadas na identificação humana.
O congresso é promovido pela Associação Brasileira de Antropologia Forense (ABRAF), entidade que reúne profissionais, estudantes, peritos e professores interessados na área. A presidente da associação, Suzana Maciel, explica que o evento é realizado a cada dois anos e tem como objetivo promover a discussão de temas relacionados à Antropologia Forense e à perícia criminal.
Nesta edição, a programação inclui discussões sobre a aplicação da Inteligência Artificial nas perícias, estudos de casos de repercussão nacional e temas relacionados à identificação de pessoas. Também estão sendo realizadas premiações de laboratórios de todo o país por meio do Prêmio de Qualidade.
*Antropologia Forense e identificação de desaparecidos*
Entre os participantes está o perito criminal federal Carlos Eduardo Palhares, diretor do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que ministrou palestras sobre a organização da perícia criminal federal, a inserção da Antropologia Forense na instituição e a criação de uma rede nacional de desaparecidos.
Segundo o perito, a Antropologia Forense é fundamental para a identificação de pessoas desaparecidas, especialmente em situações nas quais houve morte e os métodos tradicionais de identificação não são suficientes.
“Não tem como falar em solução para casos de desaparecimentos, especialmente aqueles em que as pessoas faleceram, se a gente não pensa na Antropologia. A metodologia é muito parecida com a utilizada na identificação de vítimas de desastres, mas os desaparecidos surgem todos os dias. É um problema praticamente invisível que afeta centenas de milhares de famílias e que o Estado precisa tratar adequadamente”, explicou.
A experiência do perito inclui participação em trabalhos relacionados a grandes desastres e acidentes, como os casos da queda da aeronave da Air France, do avião que transportava o então candidato à Presidência Eduardo Campos e do rompimento da barragem de Brumadinho, além de atuações em operações internacionais de identificação de vítimas.
Atualmente, segundo Palhares, a atuação está mais concentrada na área de pessoas desaparecidas. A proposta da rede nacional discutida durante o congresso é integrar as Polícias Científicas para ampliar o compartilhamento de conhecimentos e a utilização de bancos de dados, contribuindo para identificações mais rápidas.
A participação de profissionais de outros estados também reforça a integração entre as instituições responsáveis pela perícia criminal. O chefe do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, perito criminal Osvaldo Silva, destacou a importância do intercâmbio entre Sergipe e Bahia, estados que mantêm proximidade e cooperação na área.
Segundo ele, a Antropologia Forense vem crescendo no país e tem papel que ultrapassa a produção da prova pericial, contribuindo também para a identificação e o restabelecimento da cidadania de pessoas que aguardam respostas sobre o paradeiro de familiares. “A Antropologia não é só uma área da Polícia Científica, mas traz identidade para as pessoas. Ela consegue transformar um simples vestígio em um alento para alguém que estava procurando uma resposta para o desaparecimento de um ente querido”, afirmou.
Osvaldo Silva também ressaltou os investimentos realizados na Polícia Científica de Sergipe e o processo de modernização da instituição, com a incorporação de novas estruturas e tecnologias para atender às demandas da sociedade.
Ao longo da programação, peritos sergipanos e alunos do curso de formação da Polícia Científica têm acesso às atividades e às discussões promovidas pelo congresso, ampliando o contato com especialistas e diferentes experiências profissionais.
O VII Congresso Nacional de Antropologia Forense segue até este sábado, 22, em Aracaju, reunindo profissionais e estudantes em torno de discussões sobre ciência, tecnologia e aprimoramento das técnicas de identificação humana.
Informações: SSP/SE
Fonte: ROA Acontece