Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) avaliam que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deveria deixar de atuar diretamente no caso Master após aparecer no relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações de Daniel Vorcaro com autoridades. A avaliação foi relatada pelo Poder360, com base em conversas reservadas com integrantes da cúpula do MPF.
Segundo a reportagem, esses procuradores consideram que a investigação deveria passar para o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand. A decisão, porém, cabe ao próprio Gonet, que decidiu permanecer no caso. Não houve, até o momento, uma decisão institucional do Conselho Superior declarando o procurador-geral impedido ou suspeito.
O questionamento foi turbinado após Gonet ser citado no relatório produzido pela PF a partir do material encontrado no celular de Vorcaro. O documento reúne mensagens em que o ex-controlador do Banco Master e pessoas próximas a ele fazem referências ao procurador-geral, além de registros relacionados a encontros e outros episódios analisados pelos investigadores.
Em um dos casos, o advogado Ciro Soares relatou a Vorcaro ter procurado Gonet para tratar da eleição para a presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. Segundo o material encontrado pela PF, Ciro afirmou ter pedido ao procurador-geral que conversasse com um dos candidatos para que ele desistisse da disputa.
Gonet, em reação, pediu a anulação do relatório da PF e contestou as diligências determinadas pelo ministro André Mendonça. O procurador-geral sustenta que o magistrado não poderia ter determinado o aprofundamento da apuração sobre Moraes sem provocação do Ministério Público ou iniciativa da própria PF.
Fonte: AJN1