Por Barroso Guimarães
O Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização e à prevenção do suicídio, reforça a importância de falar sobre saúde mental e oferecer apoio às pessoas que enfrentam momentos de sofrimento emocional. Em Sergipe, o Centro de Valorização da Vida (CVV) destaca a necessidade de combater o julgamento e estimular uma escuta acolhedora.
Durante entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM, o radialista e voluntário do CVV Antero Alves explicou que o serviço oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Segundo ele, a pessoa pode ligar para conversar, desabafar e compartilhar situações que estejam provocando angústia, sofrimento ou solidão.
Antero ressaltou que um dos principais obstáculos ainda é o tabu relacionado ao suicídio. Para ele, pessoas que atravessam dificuldades emocionais muitas vezes deixam de falar sobre o que estão sentindo por medo de serem criticadas ou julgadas.
De acordo com o voluntário, mudanças de comportamento podem servir como sinais de alerta. Uma pessoa que normalmente é comunicativa e passa a ficar triste, isolada ou sem interesse pelas atividades habituais merece atenção. Frases como “queria desistir de tudo” ou “queria sair e não voltar mais” também devem ser levadas a sério.
Nessas situações, a orientação é se aproximar e conversar de maneira acolhedora, sem críticas ou julgamentos. O objetivo é permitir que a pessoa expresse o que está sentindo e perceba que não está sozinha.
O CVV realiza esse trabalho por meio de voluntários treinados para oferecer uma escuta ativa e acolhedora. Em Aracaju, segundo Antero Alves, são aproximadamente 42 voluntários, que se revezam em plantões presenciais e on-line. Cada voluntário disponibiliza cerca de três horas semanais para o atendimento, conforme sua disponibilidade.
O atendimento pelo telefone 188 é nacional. Isso significa que uma ligação feita em Aracaju pode ser atendida por um voluntário de outro estado ou região do país. Para Antero, essa distância também pode facilitar o diálogo, já que algumas pessoas se sentem mais à vontade para compartilhar suas dificuldades com alguém que não faz parte de seu círculo de convivência.
O voluntário também explicou que o CVV não atende somente pessoas em situações de crise. Há quem procure o serviço simplesmente porque precisa conversar e não encontra alguém próximo para compartilhar uma preocupação, uma conquista ou até mesmo um momento de alegria.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o aumento da ansiedade, principalmente entre os jovens. O CVV também desenvolve ações de conscientização e atividades em escolas, buscando levar informações sobre saúde emocional e prevenção do suicídio para estudantes e comunidades.
A campanha Setembro Amarelo, portanto, reforça uma mensagem fundamental: falar sobre sofrimento emocional pode ser um importante passo para buscar ajuda. Mais do que identificar sinais de alerta, familiares, amigos, professores e colegas podem contribuir oferecendo atenção, acolhimento e, quando necessário, incentivando a busca por ajuda profissional.