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João Nunes de Mendonça Filho pede ao MP fiscalização de direitos de idosos e pessoas com deficiência em Aracaju

Por Barroso Guimarães

Representação solicita apuração sobre atendimento prioritário, vagas especiais, acessibilidade, fiscalização de estacionamento e serviços públicos na capital

O cidadão João Nunes de Mendonça Filho apresentou uma representação ao Ministério Público do Estado de Sergipe (MP-SE) solicitando a apuração de possíveis falhas no cumprimento dos direitos assegurados às pessoas idosas e às pessoas com deficiência em Aracaju.

O documento foi encaminhado à Promotoria de Justiça dos Direitos do Cidadão e reúne uma série de questões relacionadas ao atendimento prioritário, às vagas especiais de estacionamento, à acessibilidade das calçadas, à fiscalização de trânsito, ao atendimento em unidades policiais e aos serviços oferecidos nos Centros de Atendimento ao Cidadão (CEACs).

A iniciativa tem caráter predominantemente coletivo. Segundo a representação, o objetivo é contribuir para que os direitos previstos no Estatuto da Pessoa Idosa, na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e em outras normas sejam efetivamente cumpridos.

Atendimento prioritário é um dos principais questionamentos

Um dos pontos centrais da representação é a forma como o atendimento prioritário vem sendo realizado em estabelecimentos públicos e privados.

O documento questiona a prática conhecida como alternância entre atendimento preferencial e atendimento comum, quando uma pessoa da fila prioritária é atendida e, em seguida, uma pessoa da fila não preferencial.

João Nunes solicita que o Ministério Público avalie se esse procedimento é compatível com a previsão legal de atendimento preferencial imediato e individualizado.

O pedido inclui supermercados, farmácias, lojas, clínicas, hospitais, órgãos públicos e outros estabelecimentos que prestam serviços à população.

A representação também destaca a prioridade especial destinada às pessoas com mais de 80 anos e chama atenção para a necessidade de atendimento adequado na área da saúde.

Vagas especiais também são alvo do pedido de fiscalização

Outro ponto abordado é a reserva de vagas para pessoas idosas e pessoas com deficiência em estacionamentos públicos e privados de uso coletivo.

A representação solicita que seja verificado se os percentuais previstos na legislação estão sendo cumpridos, além da correta localização e sinalização das vagas.

Um dos locais citados especificamente é o estacionamento da Orla de Atalaia, no trecho aproximado entre a região da Praça dos Caranguejos e a Praça de Eventos.

O documento pede uma vistoria técnica para identificar quantas vagas existem, quantas são destinadas a idosos e pessoas com deficiência, onde estão localizadas e se a sinalização horizontal e vertical é adequada.

SMTT é questionada sobre fiscalização

A representação também solicita informações à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) sobre a fiscalização das vagas reservadas.

Entre os dados solicitados estão o número de agentes envolvidos, a quantidade de autuações realizadas nos últimos anos, o número de veículos removidos e os locais que recebem fiscalização regularmente.

João Nunes também pede que seja avaliada a adoção de um planejamento permanente de fiscalização em locais de grande circulação, como supermercados, shoppings, clínicas, hospitais e órgãos públicos.

O Código de Trânsito Brasileiro prevê penalidades para veículos estacionados irregularmente em vagas reservadas para pessoas idosas ou pessoas com deficiência sem a credencial correspondente.

Representação questiona atendimento em caixas preferenciais

O documento também solicita esclarecimentos sobre o funcionamento dos caixas preferenciais nos estabelecimentos comerciais.

A preocupação apresentada é com situações em que existem vários caixas disponíveis, mas o atendimento prioritário fica limitado a determinados pontos, podendo resultar em espera para pessoas idosas.

O pedido é para que seja analisado se essa prática está de acordo com a legislação e se os estabelecimentos estão garantindo efetivamente o direito à prioridade.

Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis

A situação do atendimento às pessoas idosas na Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis, localizada na Rua de Itabaiana, também foi incluída na representação.

Segundo o documento, existem relatos de pessoas idosas que procuram a unidade e são encaminhadas para uma delegacia comum.

Diante disso, João Nunes solicita que a Secretaria de Segurança Pública esclareça qual é a competência da unidade, quais grupos são atendidos e em quais situações uma pessoa idosa pode ser encaminhada para outra delegacia.

Também é solicitado esclarecimento sobre a existência de protocolos específicos para atendimento da população idosa.

Acessibilidade das calçadas

As condições das calçadas e dos espaços públicos de Aracaju também fazem parte dos pedidos apresentados ao Ministério Público.

A representação aponta a existência, em diferentes pontos da cidade, de desníveis, obstáculos, pavimentação irregular e outras situações que podem dificultar a circulação de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

O documento solicita o levantamento dos pontos críticos e a adoção de medidas de fiscalização e adequação.

CEACs e exigência de agendamento

Outro questionamento envolve o atendimento prioritário nos Centros de Atendimento ao Cidadão (CEACs).

A representação pede que seja analisada a situação de pessoas idosas que comparecem presencialmente sem agendamento e encontram dificuldades para obter atendimento de empresas prestadoras de serviços públicos instaladas nessas unidades.

O documento cita como exemplos a Iguá e a Energisa e solicita atenção especial para a unidade do CEAC localizada no Shopping RioMar.

O objetivo é esclarecer se a exigência de agendamento pode impedir ou dificultar o atendimento prioritário previsto na legislação.

Pedido de providências

Ao final, João Nunes de Mendonça Filho solicita que o Ministério Público receba a representação e adote as diligências que considerar necessárias para verificar as situações relatadas.

Entre os pedidos estão a realização de fiscalizações, o envio de ofícios aos órgãos públicos responsáveis, a obtenção de informações sobre as medidas atualmente adotadas e a apuração de eventuais irregularidades.

Caso sejam constatadas violações à legislação, a representação solicita que sejam adotadas as medidas administrativas, extrajudiciais ou judiciais cabíveis, inclusive a possibilidade de instauração de inquérito civil ou ajuizamento de ação civil pública para proteção dos interesses coletivos.

O representante afirma que a iniciativa não busca obter benefício individual, mas contribuir para a efetividade dos direitos das pessoas idosas e das pessoas com deficiência em Aracaju.

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