Por Barroso Guimarães
Especialista em Medicina da Dor destaca influência do sedentarismo, sobrepeso e enfraquecimento muscular e alerta para os riscos da automedicação
A dor lombar está entre os principais problemas de saúde relacionados à incapacidade no mundo e pode atingir pessoas de diferentes faixas etárias. O tema foi discutido no programa A Hora da Notícia, da Rádio Aperipê FM 106.1, com o médico Guilhermo Ramírez, especialista em Medicina da Dor e membro da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
Segundo o especialista, embora a frequência da dor aumente com o avanço da idade, o problema não é exclusivo da população idosa. Em pessoas mais jovens, as causas podem estar relacionadas principalmente à postura, sobrecarga física, lesões musculares e hábitos inadequados.
Ramírez explicou que a chamada lombalgia corresponde à dor localizada na região lombar e pode ter diferentes origens. Entre as possibilidades estão problemas musculares, articulares, alterações na coluna e dores relacionadas ao quadril. A dor provocada por hérnia de disco, conhecida popularmente como ciática, é apenas uma das causas possíveis.
O médico também chamou atenção para a diferença entre uma alteração identificada em exames de imagem e uma doença que efetivamente provoca sintomas. Segundo ele, muitas pessoas apresentam sinais de hérnia de disco em exames como ressonância magnética, mas não necessariamente sentem dor. Por isso, o diagnóstico deve considerar o histórico do paciente, o exame físico e os exames de imagem.
Sinais de alerta
A persistência da dor merece atenção. De acordo com o especialista, uma dor que permanece por mais de três meses pode ser classificada como crônica e deve ser investigada.
Ramírez também destacou alguns sinais de alerta que exigem avaliação profissional, como perda de peso sem explicação, febre, dor durante a noite e dores persistentes que não apresentam melhora. Esses sintomas podem estar associados a diferentes condições e não devem ser tratados simplesmente como uma dor lombar comum.
O médico ressaltou ainda que dores na região das costas podem, em algumas situações, ser confundidas com problemas de outros órgãos, inclusive alterações renais. Por isso, a avaliação clínica é importante para identificar a origem do problema.
Sedentarismo e sobrepeso
Entre os fatores que contribuem para o aumento dos casos de dor lombar estão as mudanças nos hábitos de vida. O sedentarismo, o excesso de peso e a falta de fortalecimento muscular estão entre os principais pontos de preocupação.
Segundo Ramírez, o enfraquecimento da musculatura compromete estruturas responsáveis pela sustentação do corpo. Por isso, o tratamento da dor não deve se limitar ao controle dos sintomas, mas também considerar atividade física, fortalecimento muscular, qualidade do sono e controle do peso.
Para pessoas que permanecem muitas horas sentadas, o especialista recomenda interromper períodos prolongados na mesma posição. Levantar, caminhar e fazer pequenos movimentos ao longo do dia pode ajudar a reduzir os efeitos da permanência prolongada sentado.
A ergonomia também é importante. A tela do computador deve ficar aproximadamente na altura dos olhos, enquanto braços e costas precisam contar com apoio adequado. Ainda assim, o médico reforça que a prática regular de atividade física e o fortalecimento muscular são medidas fundamentais.
Exercício exige cuidados
A recomendação de atividade física também vale para quem já apresenta dor lombar, mas o início deve ser adequado às condições de cada pessoa.
Pessoas sedentárias, com sobrepeso, obesidade, diabetes ou hipertensão, por exemplo, não devem iniciar atividades intensas de maneira repentina. Segundo o especialista, uma avaliação profissional antes de começar exercícios pode ajudar a identificar limitações e estabelecer uma rotina segura.
Riscos da automedicação
Outro alerta feito durante a entrevista foi sobre o uso indiscriminado de medicamentos para combater dores nas costas.
O especialista destacou principalmente os riscos associados aos anti-inflamatórios, que podem provocar efeitos adversos importantes, incluindo sangramentos no estômago e problemas renais. O risco pode ser maior em pessoas idosas ou que já apresentam alterações na função dos rins e utilizam outros medicamentos.
Ramírez orientou que a pessoa não deve utilizar medicamentos indicados por familiares, amigos ou conhecidos apenas porque apresentaram resultado em outra pessoa. Cada paciente possui características clínicas diferentes e precisa de avaliação individualizada.
Para ele, o atendimento de urgência pode ser necessário diante de determinadas situações, mas, após o controle inicial da dor, é importante buscar acompanhamento ambulatorial para investigar a causa e definir o tratamento adequado.
A entrevista também abordou a realidade dos atletas de alto rendimento, que frequentemente convivem com lesões e dores durante a carreira. Segundo o especialista, a recuperação adequada, com acompanhamento médico, fisioterapia e reabilitação, pode ser fundamental para preservar a saúde e prolongar a carreira esportiva.
A principal orientação deixada pelo médico é que a dor não deve ser simplesmente ignorada ou mascarada por medicamentos. A identificação da causa, a prevenção, a atividade física adequada e o acompanhamento profissional são medidas importantes para reduzir o impacto da dor lombar na qualidade de vida.