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Queda gradual da Selic não muda composição estrutural de carteiras, avalia gestora da Faria Lima

A perspectiva de uma queda gradual da Selic não significa, por si só, que investidores devam promover uma mudança estrutural na composição de suas carteiras. Essa é a avaliação da Oryx Capital, que vem mantendo uma estratégia baseada na combinação de liquidez, renda fixa, crédito privado selecionado, ativos de infraestrutura e exposição internacional, mesmo diante da expectativa de flexibilização da política monetária.

Para a gestora, enquanto os juros permanecerem em patamares elevados, os investimentos pós-fixados continuam oferecendo uma relação atrativa entre retorno, liquidez e risco. O relatório de inteligência de mercado da companhia aponta que a estratégia deve ser analisada pelo papel de cada ativo dentro do portfólio, e não pela tentativa de antecipar movimentos de curto prazo.

“A perspectiva de cortes de juros não significa que a renda fixa brasileira deixou de ser interessante. Nossa estratégia é aproveitar a remuneração dos juros, selecionar bem os riscos de crédito e manter a diversificação. A exposição internacional faz parte dessa construção, não de uma substituição automática do CDI por ações americanas”, afirma Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor de Portfólio da Oryx Capital.

A lógica ajuda a explicar a manutenção de posições relevantes em fundos como Solis Capital Antares Light, Porto Seguro Referenciado DI Crédito Privado e Compass Yield 30, que ocupam funções diferentes dentro da estratégia. O Solis, por exemplo, representa uma parcela importante da carteira e busca adicionar retorno por meio de uma carteira diversificada de direitos creditórios.

O Porto Seguro funciona como uma posição de quase-caixa, combinando liquidez com exposição selecionada a crédito privado, enquanto o Compass busca capturar oportunidades adicionais no mercado de crédito. A avaliação da Oryx é que o crédito privado continua relevante em um ambiente de juros elevados, mas exige maior seletividade em relação a emissores, estruturas, garantias, concentração e liquidez.

A mesma lógica vale para a parcela mais defensiva das carteiras. O BTG Pactual Tesouro Selic permanece como instrumento de liquidez e preservação de capital, enquanto o Absolute Hidra, voltado a ativos de infraestrutura, acrescenta uma alternativa de retorno líquido potencialmente superior para investidores elegíveis ao benefício tributário.

Na avaliação da gestora, a eventual redução dos juros não elimina imediatamente a função desses produtos. Mesmo com a expectativa de flexibilização monetária, os produtos pós-fixados continuam adequados para geração de carrego, preservação de capital, redução da volatilidade e manutenção de recursos disponíveis para futuras oportunidades.

Isso não significa, porém, que a Oryx descarte mudanças nas carteiras. A estratégia indicada é de ajustes graduais, e não de uma migração brusca entre classes de ativos.

Ativos atrelados à inflação, especialmente os de prazo mais longo, podem ganhar espaço à medida que surjam oportunidades na curva de juros, mas a recomendação é que eventuais entradas sejam escalonadas, justamente por causa da maior sensibilidade desses papéis às oscilações das taxas e dos prêmios de mercado. Títulos IPCA+ longos, nesse contexto, não devem ser tratados como substitutos de caixa ou investimentos de baixa volatilidade.

Outro componente que a gestora mantém de forma estrutural é a exposição internacional. O IVVB11 representa uma parcela menor da carteira, mas cumpre uma função que vai além da busca por rentabilidade: diversificar geograficamente o patrimônio e reduzir a dependência exclusiva do cenário brasileiro.

Para a Oryx, uma eventual valorização ou desvalorização mensal do dólar não deveria determinar, isoladamente, a decisão de manter ou retirar essa posição. A exposição internacional é vista como parte da construção patrimonial de longo prazo, e não como uma aposta tática na direção do câmbio ou da bolsa americana.

Outro ponto observado pela Oryx é que a mudança no ambiente de juros não deve ser analisada de forma isolada. A velocidade e a intensidade do ciclo de redução da Selic, assim como o comportamento da inflação e das condições de crédito, serão determinantes para definir onde surgirão as melhores oportunidades de realocação.

Nesse cenário, a manutenção de uma parcela relevante em ativos pós-fixados também permite que a carteira preserve flexibilidade para aproveitar novas oportunidades à medida que elas apareçam, sem a necessidade de antecipar movimentos do mercado.

A perspectiva, portanto, é de uma transição gradual na composição dos portfólios. Em vez de uma mudança generalizada provocada pela expectativa de juros menores, a estratégia tende a privilegiar ajustes pontuais, considerando a relação entre risco e retorno de cada investimento.

Para a Oryx, essa abordagem permite proteger a carteira em um cenário ainda marcado por incertezas e, ao mesmo tempo, preparar os portfólios para capturar oportunidades que possam surgir com a evolução do ciclo econômico e monetário.

Fonte: AJN1

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