O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursa nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar “aniquilar” o país.
Trump afirmou, durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, que o Irã é o “maior patrocinador do terrorismo do mundo” e pediu o isolamento econômico total do país. O presidente americano também disse que acredita que um acordo poderá ser alcançado depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em novembro.
“Acredito que fecharemos um acordo logo após a eleição, porque não faz sentido que eles não o façam. Eles estão esperando para ver como eu me saio nas Eleições de Meio de Mandato”, afirmou Trump.
O presidente americano também apresentou o que chamou de duas opções para o Irã: um acordo que poderia levar à “grandeza potencial” do país ou a “aniquilação”.
“São duas escolhas”, disse Trump.
“Em um caso, é a aniquilação, e a outra alternativa é a grandeza potencial. Poderia ser um grande país”, acrescentou.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos haviam destruído o programa nuclear iraniano e pediu que outros países contribuíssem para o isolamento econômico de Teerã.
Irã reage às ameaças
Horas após o discurso de Trump, a liderança iraniana alertou Washington contra novos ataques.
O porta-voz do IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica), Hossein Mohebbi, afirmou que os Estados Unidos não obteriam “nada além de fracasso” caso realizassem novos ataques.
“Trump esquece que já fez ameaças anteriormente, mas não conseguiu concretizá-las, e agora está novamente fazendo novas ameaças”, disse Mohebbi, segundo a emissora estatal iraniana Press TV.
O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã também afirmou que Teerã responderia com “golpes ainda mais duros, esmagadores e imprevisíveis” em caso de novas ações americanas.
Segundo a Press TV, os militares iranianos disseram ainda que a repetição, pelos Estados Unidos, de “alegações e ameaças infundadas” não deveria ser interpretada como sinal de força.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também afirmou que o país não se renderá nem interromperá suas atividades diante da pressão americana.
“Nunca nos renderemos e não paralisaremos o país. Responderemos com força, assim como fizemos até agora, tornando o inimigo incapaz de agir em todas as frentes”, disse Ghalibaf, segundo a agência estatal iraniana Tasnim.
Possível retomada das negociações
Apesar do discurso de Trump e das declarações de autoridades iranianas, havia sinais de que os dois países poderiam retomar as negociações.
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que Teerã poderia reabrir o Estreito de Ormuz para o transporte marítimo no Golfo em até sete dias caso os Estados Unidos cumprissem exigências do Irã para reduzir a pressão militar e suspender um bloqueio americano aos portos iranianos.
Segundo a autoridade, a proposta mais recente de Teerã foi transmitida a Washington por meio de mediadores na semana passada.
“A Assembleia Geral da ONU é uma oportunidade de ouro para os Estados Unidos retornarem à diplomacia”, disse a autoridade.
O Irã também afirmou que os Estados Unidos deveriam anunciar oficialmente que pretendem resolver a questão diplomaticamente e concordar com um cronograma.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou ao programa “Today”, da NBC, que Washington está aberto a conversar com Teerã, “especialmente se houver perspectivas de que isso leve a algo positivo e, em última instância, alcance o objetivo de tudo isso”.
Reunião entre autoridades
Trump afirmou nesta terça-feira que integrantes de sua administração se reuniram com a delegação iraniana durante a Assembleia Geral da ONU por cerca de três horas.
O presidente americano classificou o encontro como uma “reunião muito boa” e “muito produtiva” e disse que uma nova reunião já está marcada para um futuro próximo.
Trump não contestou a participação do enviado americano Steve Witkoff e de seu genro, Jared Kushner, no encontro.
“Eles tiveram uma reunião muito boa, uma reunião muito produtiva. E têm outra agendada para um futuro muito próximo”, afirmou.
Segundo Trump, um acordo seria vantajoso para o Irã.
“Eles tiveram uma reunião muito boa, e veremos no que vai dar. Mas, certamente, é vantajoso para eles fazerem um acordo, e podemos fazer isso. É preferível, eu acho”, disse.
Não há registro de reuniões presenciais entre representantes do Irã e dos Estados Unidos desde julho, quando um acordo provisório para encerrar o conflito fracassou semanas depois de ter sido assinado.
Fonte: AJN1