O mercado de ativos tokenizados cresceu cerca de dez vezes em apenas um ano no Brasil e superou R$ 10 bilhões em agosto de 2026, ante pouco mais de R$ 1 bilhão no mesmo período do ano passado. O avanço, porém, está fortemente concentrado no crédito: 88% do valor tokenizado no país está em ativos de crédito privado. Os dados fazem parte da edição de 2026 do Brazil Tokenization Report, produzido pela Nexa Finance e obtido em primeira mão pelo Valor Investe.
Ativos tokenizados são investimentos “tradicionais”, como títulos de crédito, recebíveis ou cotas de fundos, que passam a ser representados digitalmente por tokens registrados em blockchain — uma rede criptografada de registro digital público e compartilhado, no qual as transações ficam gravadas de forma rastreável e praticamente imutáveis. A tecnologia muda a forma de registrar e negociar o ativo, mas não os direitos econômicos do investimento que está por trás dele.
O levantamento da Nexa mostra que, dos mais de R$ 10 bilhões já tokenizados, R$ 7 bilhões estão em sete classes de crédito privado, outros R$ 2 bilhões em oito classes de recebíveis e cerca de R$ 1 bilhão em três classes de fundos multiativos. Todo o restante do mercado — outras sete classes de ativos — soma apenas R$ 26 milhões.
A concentração fica ainda mais evidente quando se olha para os produtos com maior volume. Cinco das 25 classes de ativos mapeadas respondem por 94% de todo o dinheiro tokenizado no Brasil, e quatro delas são instrumentos de crédito.
Brasil cresce mais rápido que mercado global
O ritmo de expansão também se destaca na comparação internacional. Segundo o relatório, o valor dos ativos tokenizados no Brasil aumentou aproximadamente dez vezes nos 12 meses encerrados em agosto, enquanto o mercado global cresceu cerca de duas vezes no mesmo período.
Apesar do salto, a tokenização ainda ocupa uma parcela pequena do mercado financeiro brasileiro. Os ativos de crédito privado tokenizados representam apenas 0,3% do estoque de R$ 2,7 trilhões de crédito corporativo no país.
A distância é ainda maior quando se considera o universo potencial para a tecnologia. O relatório cita mercados como os R$ 11 trilhões dos fundos de investimento, os R$ 9,3 trilhões da dívida pública federal, e os R$ 1,5 trilhão do crédito imobiliário.
Fonte: AJN1