Escola da rede municipal de Aracaju amplia ensino sobre cultura indígena

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), promoveu, nesta quarta-feira, 30, uma atividade de valorização da cultura indígena na Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral (Emefti) Prof. José Antônio da Costa Melo.

Por meio do projeto “Na sombra do jenipapeiro com os saberes da terra”, estudantes do 1º ao 9º ano participaram de vivências voltadas ao conhecimento dos povos indígenas, ao combate ao racismo, à valorização da diversidade e à conscientização sobre a relação com a natureza.

As atividades foram conduzidas por integrantes do povo Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio (AL), na divisa com Sergipe, sob a coordenação de Idiane Crudzá, liderança feminina Kariri-Xocó, também pertencente ao povo Fukaxó, de Pacatuba (SE), e professora da língua Dzubukuá Kipeá, além do cacique Kawrã Kariri-Xocó.

A programação contou com apresentação de cantos e danças e oficina sobre a produção da tinta de jenipapo-verde e sua aplicação em pinturas corporais nos estudantes. Durante a atividade, Idiane Crudzá, que também é escritora, apresentou à comunidade escolar o livro “Vozes da Ancestralidade, Narrativas e Saberes do Povo Kariri-Xocó”, de sua autoria.

A iniciativa foi idealizada pela coordenadora pedagógica Vilse Maria Gonçalo e pela professora do Suporte Pedagógico Itamara Leite.

A proposta surgiu a partir da observação do jenipapeiro existente na escola e da possibilidade de utilizar o espaço como suporte para atividades pedagógicas relacionadas à cultura indígena e às diferentes áreas do conhecimento.

Segundo Vilse Maria, o projeto também contribui para o cumprimento da Lei nº 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas. Inicialmente voltada aos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, a proposta foi ampliada para os anos finais após professores identificarem novas possibilidades pedagógicas a partir da árvore.

“Professores de Ciências dos anos finais perceberam a relevância do projeto e ampliamos para esses alunos. Aqui, estamos trabalhando questões relacionadas a Ciências, meio ambiente e sustentabilidade, abordando as características e aquilo que o jenipapeiro pode fornecer para a gente, além de aspectos da formação biopsicossocial, conhecendo a vida dos povos indígenas e trabalhando a valorização, o respeito e a conscientização sobre sua cultura”, destacou Vilse Maria.

A liderança Idiane Crudzá ressaltou a importância de aproximar os estudantes dos conhecimentos e das vivências dos povos indígenas a partir do contato com os próprios representantes dessas comunidades.

Para ela, iniciativas como a realizada na escola contribuem para ampliar a compreensão sobre a diversidade dos povos originários e desconstruir visões estereotipadas sobre suas formas de vida, cultura e relação com a ancestralidade e a natureza.

“É uma oportunidade de contar a nossa verdadeira história, de mostrar para os alunos que somos indígenas, porém somos diferentes. O que eles mostram para as crianças e jovens é que os indígenas são apenas aqueles que andam nus, que moram na mata, mas não. Nós somos indígenas do Nordeste, vivemos também dentro da cidade, também usamos roupas. Falamos o português, mas também a nossa língua, comemos nosso alimento, mas também o alimento não indígena. Só porque temos um estilo diferente dos que moram na mata fechada, não vamos deixar de ser indígenas por isso. Seguimos mantendo viva a nossa cultura, firme e forte”, ressaltou Idiane Crudzá.

Durante as vivências, realizadas sob a sombra do jenipapeiro, os estudantes conheceram os significados das pinturas corporais, especialmente aqueles relacionados à proteção, e ouviram histórias do povo Kariri-Xocó.

A experiência também despertou o interesse dos alunos em registrar, por diferentes linguagens, o que aprenderam durante a atividade.

Aluno do 5º ano, Miguel Martins decidiu representar a experiência por meio de um desenho que presenteou a Idiane Crudzá. A ilustração retrata a liderança e os demais integrantes do povo indígena que participaram das atividades na escola.

“Desenho desde os 6 anos e me inspirei vendo eles aqui na escola. Gostei muito de saber mais sobre as artes e as danças indígenas”, contou Miguel Martins.

Foto: Mylena Santos/ Ascom Semed

Fonte: Faxaju

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