• Home
  • Notícias
  • Vorcaro teria ordenado ataque hacker para apagar provas

Vorcaro teria ordenado ataque hacker para apagar provas

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria ordenado um ataque hacker contra contas do iCloud dele e de Fabiano Zettel, seu cunhado e apontado como operador financeiro, para tentar apagar dados que poderiam servir de prova nas investigações sobre o Banco Master. As informações foram publicadas pela revista Piauí em reportagem assinada por Breno Pires, na quinta-feira (8).

De acordo com a publicação, a operação foi encomendada em janeiro, enquanto Vorcaro cumpria prisão domiciliar em São Paulo. Naquele momento, a Polícia Federal já estava com o celular do ex-banqueiro havia cerca de dois meses e havia bloqueado o acesso externo aos dados.

A tarefa teria sido repassada ao publicitário e lobista Thiago Miranda, que acionou o especialista em segurança digital Thiago Santos. Segundo a reportagem, Santos conseguiu acessar a conta de Vorcaro, mas a tentativa foi detectada pela PF, que conteve a ação e preservou os dados.

Como teria funcionado a tentativa de ataque hacker

O objetivo seria apagar informações armazenadas nas contas do iCloud antes que os investigadores conseguissem coletar os dados dos celulares apreendidos. O serviço da Apple permite guardar na nuvem conteúdos como fotos, mensagens e arquivos.

A conta de Fabiano Zettel também teria sido alvo da operação. Ele havia sido preso em 14 de janeiro, quando tentava embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos. Foi solto no mesmo dia, mas teve o celular apreendido pela Polícia Federal.

A reportagem aponta que a tentativa de apagar evidências pode configurar obstrução de Justiça. A possível responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e da análise das autoridades competentes.

Quem é Thiago Miranda, apontado como intermediário

Segundo a Piauí, Thiago Miranda recebeu a encomenda de Vorcaro e procurou Thiago Santos para executar a operação digital. Miranda também é descrito como interlocutor do ex-banqueiro com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio às tratativas financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Miranda foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em julho de 2026, sob suspeita de atuar para obter informações sigilosas e coagir pessoas consideradas desafetos de Vorcaro. Por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seu passaporte foi apreendido.

O conteúdo do celular de Vorcaro, segundo a reportagem, também indica contatos frequentes de Miranda com o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e com Eduardo Bolsonaro ao longo de 2025.

Dossiês e monitoramento de investigadores

A reportagem relata que, além da tentativa de invadir as contas do iCloud, Vorcaro teria solicitado outras tarefas a Miranda durante o período de prisão domiciliar. Entre elas estariam a elaboração de um relatório sobre um agente da Polícia Federal que investigava o caso Master e um dossiê sobre um diretor do Banco Central.

O policial citado seria Wilker Goulart. De acordo com a publicação, um grupo ligado a Miranda havia preparado um dossiê sobre ele dias antes de Vorcaro mencioná-lo durante uma audiência no STF, em 30 de dezembro de 2025.

Outro alvo teria sido Renato Dias de Brito Gomes, diretor do Banco Central responsável pela área de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que atua em processos relacionados à liquidação de instituições financeiras. A revista afirma que Thiago Santos produziu um documento de 11 páginas sobre o diretor.

Segundo a reportagem, a ofensiva também incluiu montagens e publicações nas redes sociais que atacavam a atuação de Gomes na liquidação do Banco Master, realizada em novembro de 2025.

Tentativa de remover notícias sobre Vorcaro

Ainda conforme a piauí, Miranda teria acionado novamente Santos para tentar retirar do ar notícias publicadas por veículos de Miami sobre Vorcaro e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff.

A operação teria incluído contatos com escritórios de advocacia digital nos Estados Unidos para que fossem feitos pedidos formais de remoção de conteúdos junto à Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram e Facebook.

Os monitoramentos digitais teriam continuado até poucos dias antes da segunda prisão de Vorcaro, em março de 2026. A estrutura também acompanharia familiares do ex-banqueiro que eram investigados pela Polícia Federal.

O que dizem os citados

Procurado pela revista Piauí, Thiago Miranda não comentou especificamente as informações sobre a tentativa de ataque hacker. Seu advogado, Rafael Martins, afirmou que os atos praticados pelo cliente são legais e estão sendo apurados nas operações Compliance Zero e Projeto DV. Segundo a defesa, a investigação e a divulgação das informações reforçariam a inexistência de atos ilícitos praticados por Miranda.

Thiago Santos negou qualquer atividade irregular e afirmou ter comparecido espontaneamente à Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o caso.

A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos enviados pela revista até a publicação da reportagem.

Fonte: AJN1

VEJA MAIS

Tributos da gasolina são zerados e subsídios a combustíveis, ampliados

A equipe econômica anunciou nesta sexta-feira (9) que vai ampliar a desoneração de tributos federais…

Agências do Banese estarão fechadas no feriado do dia 12 de outubro

Em virtude do feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, as agências, tanto na capital quanto…

JovemTech inicia formação de 180 jovens em tecnologia e mercado de trabalho no Caju Hub

Capacitação intensiva adota metodologia prática focada em desafios reais e preparação profissional. ​O Instituto de…