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Violência na primeira infância exige atenção a manifestações físicas e comportamentais

Entre os dias 12 e 18 de outubro, é celebrada a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância. Instituída pela Lei nº 11.523/2007, a iniciativa busca conscientizar a população sobre a importância dos primeiros anos de vida para a formação de cidadãos e para a construção de uma cultura de paz.
Dados do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), reforçam a relevância da atenção à violência na primeira infância. Entre 2014 e 2024, as notificações de negligência contra crianças de 0 a 4 anos cresceram 241,5%, passando de 7.694 para 26.277 registros.
No mesmo período, os registros de violência física aumentaram 149,8%, enquanto os de violência psicológica tiveram alta de 478,4%. Já as notificações de violência sexual avançaram 369,5%, passando de 1.671 para 7.845 registros.
O levantamento também mostra que a violência contra crianças pequenas ocorre principalmente no ambiente doméstico. Entre os casos registrados no período, 79,9% tiveram autoria classificada como doméstica, sendo que, destes, 67,3% ocorreram na própria residência.
Diante desse cenário, a pediatra do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS/HU Brasil), Joara Almeida, explica quais sinais devem ser observados por pais e responsáveis. “Devemos prestar atenção, principalmente, aos sinais físicos, que são os que mais chamam atenção: um hematoma, uma lesão de queimadura, fraturas. Geralmente, essas lesões são incompatíveis com os quadros citados pelos familiares”, ressalta.
Em relação aos profissionais de saúde, ela conta que, além dos sinais físicos, é preciso estar atento às mudanças comportamentais, como nos casos de crianças que dão entrada no hospital com sonolência excessiva, irritabilidade, isolamento social ou até mesmo medo excessivo de contar o que aconteceu.
“Os familiares, na simples suspeita, devem buscar o atendimento médico, porque estamos na linha de frente. O enfermeiro que fez a triagem pode sinalizar ao médico a suspeita de violência. A criança deve ser acolhida tanto pela família quanto pelo profissional de saúde. É importante que ela seja ouvida no momento oportuno e que aquilo não vire um interrogatório”, salienta a pediatra.
Ainda de acordo com Joara Almeida, o profissional de saúde também tem papel fundamental no reconhecimento de uma possível situação de violência sofrida pela criança. “Ele é quem vai ouvir, registrar as queixas e acionar toda a rede de proteção à infância. Nós também temos que estar atentos ao fato de que aquela situação pontual pode não confirmar um caso de violência, mas acender um alerta para que a gente consiga acolher essa família da melhor forma possível”, finaliza.

Fonte: AJN1

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