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Emagrecimento rápido pode provocar perda muscular, queda de cabelo e alterações hormonais

O emagrecimento rápido pode trazer consequências que vão além da redução dos números na balança. Quando a perda de peso ocorre com restrição alimentar excessiva e ingestão insuficiente de nutrientes, o organismo pode perder massa muscular, apresentar queda de cabelo e fragilidade nas unhas, além de desenvolver alterações hormonais que, em algumas situações, afetam a saúde íntima.

Segundo Pammela Vilela, nutricionista da Clínica Nutricor (CRN-1 23035), a velocidade da perda de peso precisa ser avaliada junto à qualidade da alimentação e à composição corporal. A redução do peso não representa necessariamente perda exclusiva de gordura.

“Quando o emagrecimento acontece com uma restrição alimentar muito intensa, o organismo pode receber menos energia, proteínas, vitaminas e minerais do que necessita. Nesse cenário, além de gordura, a pessoa pode perder massa muscular, especialmente quando não há ingestão adequada de proteínas e treinamento de força”, explica.

A perda muscular pode comprometer a força, a disposição e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Por isso, a preservação da massa magra é um dos pontos importantes durante o tratamento para perda de peso.

Entre as alterações que podem surgir durante o emagrecimento está o eflúvio telógeno, condição caracterizada pelo aumento da queda de cabelo. O quadro pode aparecer alguns meses após uma perda importante de peso ou um período de estresse fisiológico.

De acordo com a nutricionista, a queda não significa necessariamente que exista deficiência de vitaminas. O próprio estresse provocado pelas mudanças no organismo pode desencadear o problema. Já a fragilidade das unhas pode estar associada à alimentação insuficiente, a deficiências nutricionais e a outras condições de saúde.

Por isso, a recomendação é investigar a causa dos sintomas antes de recorrer à suplementação. O uso de vitaminas e minerais sem avaliação profissional pode não resolver o problema e ainda dificultar a identificação do que está provocando as alterações.

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e de outras condições conforme indicação clínica, reduzem o apetite e podem provocar efeitos gastrointestinais. Embora sejam ferramentas eficazes quando prescritos adequadamente, exigem atenção à ingestão de alimentos e líquidos durante o tratamento.

“Quando há indicação e acompanhamento, são ferramentas eficazes para tratar a obesidade. O cuidado é evitar que a redução da fome resulte em uma alimentação insuficiente por períodos prolongados”, afirma Pammela.

A nutricionista ressalta que dietas muito restritivas também podem dificultar o consumo adequado de proteínas e outros nutrientes essenciais. A estratégia alimentar deve ser individualizada para atender às necessidades de cada pessoa e contribuir para a preservação da musculatura.

A restrição energética intensa também pode interferir nos mecanismos responsáveis pela regulação hormonal. Em algumas mulheres, a baixa disponibilidade de energia pode provocar irregularidades menstruais ou ausência de menstruação.

Quando há redução dos níveis de estrogênio, podem ocorrer alterações na lubrificação vaginal e desconforto durante as relações sexuais. Essas manifestações, entretanto, não são consequências obrigatórias do emagrecimento e precisam ser avaliadas individualmente.

A especialista destaca que sintomas como ressecamento, dor, coceira e corrimento não devem ser atribuídos automaticamente à perda de peso ou ao uso de medicamentos. A avaliação ginecológica é importante para identificar a origem do problema e orientar o tratamento adequado.

O acompanhamento do emagrecimento deve considerar outros indicadores além do peso. Cansaço persistente, fraqueza, tontura, queda no rendimento físico, dificuldade para se alimentar e queda acentuada dos cabelos são sinais que merecem atenção.

Náuseas e vômitos persistentes também exigem avaliação, principalmente quando prejudicam a alimentação e a hidratação. Esses sintomas não confirmam, isoladamente, uma deficiência nutricional, mas podem indicar a necessidade de investigar o estado de saúde.

Segundo Pammela, a avaliação deve considerar a alimentação, a composição corporal, a força e a capacidade funcional, além de exames solicitados conforme o histórico clínico. Uma pessoa pode apresentar excesso de peso e, ainda assim, ter deficiências nutricionais.

Para reduzir os riscos durante o emagrecimento, a alimentação precisa fornecer quantidades adequadas de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e fibras. Ovos, carnes, peixes, leite e derivados, feijão, lentilha e soja estão entre as fontes de proteína que podem integrar o planejamento alimentar.

Ferro e zinco também merecem atenção na investigação de alterações nos cabelos e nas unhas. Já a vitamina B12 e o folato participam da formação das células sanguíneas, enquanto cálcio e vitamina D são importantes para a saúde óssea.

A nutricionista ressalta que as necessidades variam conforme as condições clínicas, os hábitos alimentares e os possíveis déficits de cada pessoa. Por isso, não existe uma fórmula única de suplementação para quem deseja perder peso.

O treinamento de força também faz parte das estratégias para preservar a musculatura durante o processo. A prática deve ser adaptada às condições individuais e associada a uma alimentação adequada.

Acompanhamento multidisciplinar é fundamental

Um emagrecimento seguro começa com a avaliação das condições de saúde, da composição corporal, da rotina, do sono, da atividade física e da relação com a comida. As metas devem ser realistas e ajustadas ao longo do tratamento, com atenção também à manutenção dos resultados.

Nesse processo, o médico avalia as condições clínicas e a indicação de medicamentos; o nutricionista organiza a alimentação e acompanha a ingestão de nutrientes; e o profissional de educação física orienta a prática de exercícios. O suporte psicológico também pode ser importante quando há sofrimento emocional ou dificuldades na relação com a alimentação.

Para Pammela Vilela, o objetivo não deve ser apenas reduzir o peso, mas preservar a saúde e a funcionalidade ao longo do caminho. A ingestão adequada de nutrientes continua sendo essencial mesmo quando o apetite diminui

Fonte: AJN1

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