Por Barroso Guimarães
Programação acontece de 5 a 15 de novembro e reúne manifestações culturais, atividades de divulgação doutrinária e iniciativas de solidariedade.
A Federação Espírita do Estado de Sergipe (FEES) comemora, no próximo dia 15 de novembro, 76 anos de atuação no estado. Para marcar a data, a instituição promove, entre os dias 5 e 15 de novembro, a Semana de Arte Espírita, além de atividades comemorativas e um Bazar Solidário.
Em entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Rádio Aperipê FM 106.1, o presidente da Federação, Horácio Lucas, destacou a importância da instituição para a organização, a integração e a divulgação do movimento espírita sergipano.
Segundo ele, uma das principais missões da Federação é preservar a unidade doutrinária do Espiritismo, com base nos ensinamentos organizados por Allan Kardec. A entidade também desenvolve atividades de estudo e orientação para facilitar a compreensão da doutrina e de sua relação com os ensinamentos de Jesus Cristo.
Ao avaliar os 76 anos de história, Horácio Lucas ressaltou o trabalho de integração das instituições espíritas. De acordo com o presidente, a Federação busca manter o movimento organizado e fortalecer o diálogo entre as diferentes casas espíritas, evitando interpretações que possam confundir os fundamentos do Espiritismo com práticas de outras tradições espiritualistas.
Atualmente, Sergipe conta com aproximadamente 102 centros e grupos espíritas. A atuação da Federação alcança diferentes regiões do estado, por meio de seis áreas de organização, que promovem seminários, palestras, encontros e atividades voltadas à formação e à divulgação doutrinária.
Semana de Arte Espírita
Um dos destaques da programação comemorativa é a Semana de Arte Espírita, realizada de 5 a 15 de novembro. A iniciativa surgiu de discussões promovidas no âmbito do Conselho Federativo Nacional, ligado à Federação Espírita Brasileira, que reúne representantes dos movimentos espíritas dos estados.
Horácio explicou que a proposta valoriza as manifestações artísticas desenvolvidas por pessoas que professam o Espiritismo. Teatro, pintura, desenho, música e outras expressões culturais integram a iniciativa.
Segundo ele, a diferença não está necessariamente na linguagem artística, mas no conteúdo e nas mensagens apresentadas. A proposta é utilizar a arte como instrumento de reflexão, conhecimento e divulgação dos princípios espíritas.
Espiritismo e conhecimento
Durante a entrevista, o presidente também explicou como pessoas interessadas em conhecer a doutrina podem se aproximar do movimento espírita. Segundo ele, não é necessário ter experiência anterior ou pertencer a uma religião específica. Basta procurar uma instituição espírita e participar das atividades.
Horácio Lucas apresentou o Espiritismo como uma doutrina que reúne três dimensões: ciência, filosofia e religião. Na perspectiva espírita, a dimensão científica está relacionada ao estudo e à investigação dos fenômenos espirituais; a filosófica, à reflexão sobre a existência humana; e a religiosa, à compreensão dos ensinamentos de Jesus Cristo.
Ao abordar a relação entre Espiritismo e ciência, ele destacou o trabalho de Allan Kardec na investigação dos fenômenos mediúnicos e na elaboração de O Livro dos Espíritos. Segundo Horácio, Kardec buscava comparar informações obtidas em diferentes experiências mediúnicas antes de incorporá-las à organização da doutrina.
O dirigente também mencionou as pesquisas acadêmicas sobre consciência e experiências de quase-morte. Na avaliação dele, existem semelhanças entre relatos de pessoas que passaram por essas experiências e informações atribuídas a espíritos por meio da comunicação mediúnica.
Respeito religioso e combate a golpes
Outro assunto discutido foi a utilização indevida de referências religiosas para aplicar golpes e explorar pessoas em situações de fragilidade emocional ou financeira.
Horácio Lucas condenou esse tipo de prática e afirmou que nenhuma religião legítima incentiva a maldade ou a exploração do próximo. Para ele, o conhecimento é fundamental para evitar enganos e reconhecer pessoas que se aproveitam da fé alheia.
O presidente também defendeu o respeito entre as diferentes tradições religiosas e a necessidade de esclarecer as diferenças entre o Espiritismo e outras manifestações espiritualistas, incluindo as religiões de matriz africana.
Ele ressaltou que o diálogo e o conhecimento dos fundamentos de cada religião são caminhos importantes para combater preconceitos e fortalecer a convivência entre as diferentes crenças.
Sobre a vida após a morte e a reencarnação
Na parte final da entrevista, Horácio Lucas explicou a compreensão espírita sobre a sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico.
De acordo com a doutrina, a morte representa o encerramento da existência corporal, mas não o fim da consciência espiritual. O espírito permanece com suas características morais, mantendo sua identidade e sendo responsável pela trajetória construída durante a vida.
O presidente também abordou dois princípios fundamentais do Espiritismo: a possibilidade de comunicação dos espíritos com os vivos e a reencarnação, entendida como o retorno do espírito à existência corporal.
Ao mencionar o diálogo de Jesus com Nicodemos, registrado no Evangelho, Horácio relacionou a expressão bíblica sobre a necessidade de nascer novamente à compreensão espírita da reencarnação.
A entrevista reforçou a importância da Federação Espírita do Estado de Sergipe na organização do movimento, na promoção do conhecimento doutrinário e no incentivo à cultura, à solidariedade e ao respeito religioso.
Com 76 anos de história, a instituição celebra sua trajetória buscando ampliar o diálogo com a sociedade e aproximar novos públicos das atividades desenvolvidas pelas casas espíritas sergipanas.