Por Barroso Guimarães
Em Sergipe, o empreendedorismo feminino não é apenas um fenômeno econômico. É um movimento de transformação social. Com 34% dos negócios formais liderados por mulheres e iniciativas inovadoras que vão da construção civil ao agronegócio, o estado se destaca nacionalmente como referência em inclusão, protagonismo e geração de oportunidades. Histórias de superação, políticas públicas robustas e redes de apoio sólidas compõem um cenário que merece os holofotes do jornalismo brasileiro.
O cenário em números: Liderança que inspira
O Brasil vive um momento de expansão acelerada do empreendedorismo feminino. Em 2024, o país alcançou o recorde de 10,35 milhões de mulheres donas de negócio, representando 34% dos empreendedores nacionais, segundo o Sebrae. O crescimento é notável. Em 2012 eram 7,5 milhões de empreendedoras. Em 2019, 9,8 milhões. Mesmo com os desafios da pandemia, o número continuou subindo.
O Monitor Global de Empreendedorismo 2023 mostra que, entre os 47,7 milhões de brasileiros com intenção de empreender até 2026, as mulheres já são maioria. Elas representam 54,6% dos potenciais empreendedores.
Em Sergipe, o cenário acompanha a tendência nacional. O estado soma mais de 105 mil empresas comandadas por mulheres. Elas gerenciam 34% dos negócios locais. Sergipe ocupa o décimo lugar no ranking nacional e o quinto no Nordeste em empreendedorismo feminino. Das 75.626 empresas ativas no estado, mais de 40 mil contam com participação feminina. Mais de 14 mil têm mulheres como sócias-administradoras. O perfil da empreendedora sergipana reflete a diversidade nacional. São 58% chefes de domicílio, 49,8% se declaram negras. A maioria atua nos setores de serviços (55,9%) e comércio (25,4%).
Associação de Mulheres Empreendedoras de Sergipe: Dois anos de conexão e suporte
A Associação de Mulheres Empreendedoras de Sergipe comemora dois anos de atuação com resultados expressivos: são
45 associadas diretas e uma rede de apoio que conecta 586 mulheres empreendedoras em todo o estado. A entidade se destaca como espaço de networking, capacitação e suporte mútuo, ampliando oportunidades para quem busca desenvolver seus negócios.
Segundo a presidente Priscila Cruz, a associação nasceu para acolher mulheres que não encontram apoio familiar ou de pessoas próximas. O objetivo é criar um ambiente de união, incentivar conexões profissionais, divulgar produtos e serviços e garantir acesso a conhecimento especializado por meio de palestras, oficinas e cursos.
Mesmo sem sede física, a associação mantém CNPJ regularizado e realiza eventos em parceria com empresas como a Ferreira Costa, utilizando o auditório para suas atividades. O networking é fundamental para a sustentabilidade do projeto
A história da associação começou com um podcast sobre empreendedorismo, iniciativa de Priscila Cruz, que também atua no segmento de certificação digital. O grupo mantém forte presença online, divulgando eventos e produtos das associadas e facilitando relações com órgãos públicos por meio de certificação digital — tecnologia que permite assinaturas com validade jurídica sem a necessidade de cartório.
A atuação da presidente reflete o espírito da associação: simplificar processos e criar ferramentas que proporcionem autonomia às mulheres, especialmente em um contexto cada vez mais digital.
Com dois anos de existência e centenas de mulheres conectadas, a Associação de Mulheres Empreendedoras de Sergipe mostra o potencial das redes colaborativas femininas. A continuidade das parcerias e o fortalecimento da rede prometem impulsionar a expansão da associação, consolidando seu papel como agente de transformação no empreendedorismo sergipano.
Histórias que rompem barreiras
Empreendedora sergipana destaca desafios e conquistas do empreendedorismo feminino
O empreendedorismo feminino em Sergipe tem conquistado cada vez mais espaço, impulsionado por mulheres que transformam obstáculos em oportunidades de crescimento. Nailza Batista é um exemplo dessa força: apoterapeuta e microempreendedora individual, ela comanda a loja Favo de Mel, no bairro Ponto Novo, em Aracaju. Atuando no segmento de produtos apícolas, Nailza inspira outras mulheres a acreditarem em seus sonhos e a trilharem o caminho do empreendedorismo.
Nailza explica que sua empresa é especializada em produtos derivados das abelhas, como mel, própolis e pólen. “Me formei em apoterapia para conhecer melhor os benefícios desses produtos e poder indicá-los com segurança aos nossos clientes”, relata. O negócio começou em 2018, de forma modesta, com vendas para amigos e familiares. Com a chegada da pandemia, a procura por produtos naturais cresceu de forma expressiva, o que motivou Nailza a abrir uma loja física e ampliar o portfólio de produtos.
O início, porém, não foi fácil. Entre os principais desafios, Nailza destaca a resistência inicial dos consumidores. “Foi necessário um trabalho de conscientização sobre os benefícios dos produtos apícolas, pois muitos ainda não tinham o hábito de utilizá-los”, relembra. Esse processo exigiu paciência, conhecimento e dedicação para conquistar a confiança do público.
Além dos desafios comuns a qualquer empreendedor, Nailza destaca as dificuldades extras enfrentadas pelas mulheres. “A mulher acumula múltiplas funções: é mãe, dona de casa e, muitas vezes, precisa tocar o negócio sozinha, sem poder contratar funcionários. Isso exige uma dedicação redobrada”, pontua. A jornada é intensa, marcada por noites mal dormidas e a necessidade de conciliar o cuidado com a família e a administração da empresa.
Apesar das adversidades, Nailza acredita no potencial das mulheres empreendedoras sergipanas. Ela observa que muitas são mais escolarizadas, têm facilidade para aprender e, na maioria dos casos, começam a empreender por necessidade. “Muitas começam como um hobby e, hoje, o negócio é a principal ou até única fonte de renda da família”, ressalta. Ela também aponta a dificuldade de acesso ao crédito como um dos principais entraves e destaca a importância de projetos de capacitação e apoio para mulheres empreendedoras, como os oferecidos pelo Sebrae.
Negra Luz: Empreendedorismo e autoestima afro em Aracaju
Foto: Redes sociais