Por Barroso Guimarães
As chamadas “canetinhas emagrecedoras”, compostas por análogos do GLP-1, viraram uma tendência mundial no combate à obesidade. Mas, para o cirurgião digestivo e especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, Dr. Rogério Rodrigues, a cirurgia bariátrica ainda se mantém como o tratamento mais eficaz e com resultados de longo prazo.
Radicado há 21 anos em Sergipe, o médico, natural do interior de São Paulo, conversou sobre o tema e ressaltou que a cirurgia, além de promover perda de peso, garante remissão ou controle de diversas doenças associadas à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, apneia do sono e até alterações hormonais.Técnicas mais utilizadas
Segundo o especialista, existem duas técnicas mais comuns:
Bypass gástrico: reduz o estômago para cerca de 50 ml e faz um desvio de parte do intestino delgado, diminuindo tanto a ingestão quanto a absorção de calorias. É associado a benefícios metabólicos importantes.
Gastrectomia vertical (sleeve): retira parte do estômago sem mexer no intestino, reduzindo a fome, mas com impacto metabólico menor.
Ambas garantem perda significativa de peso, mas exigem adesão a um novo estilo de vida, com acompanhamento médico, psicológico e nutricional.
Seguir regras é essencial
Rodrigues destacou que a cirurgia, por si só, não resolve o problema. “A bariátrica é uma ferramenta. O sucesso depende do paciente manter dieta adequada, prática regular de atividade física, suporte psicológico e uso diário de vitaminas”, explicou. Casos de abandono do acompanhamento podem resultar no reganho de peso, sendo necessária até uma cirurgia revisional.
Acesso pelo SUS e planos de saúde
No Brasil, a cirurgia é coberta por planos de saúde, seguindo critérios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O Sistema Único de Saúde (SUS) também disponibiliza o procedimento, incluindo no Hospital Universitário e, em Sergipe, pelo programa Opera Sergipe, que reduziu a fila de espera para pacientes obesos mórbidos.
Canetinhas emagrecedoras: moda e cuidado
Sobre os medicamentos injetáveis que ganharam popularidade, como semaglutida e tirzepatida, o especialista afirma que são ferramentas importantes, principalmente para pacientes sem indicação de cirurgia. No entanto, alerta: “Virou moda. Nem todo médico é especialista em obesidade, e o uso inadequado pode trazer riscos. É fundamental avaliação profissional”.
Benefícios vão além da balança
Para Rodrigues, a cirurgia bariátrica não é só sobre emagrecimento:
“Eu costumo dizer que o emagrecimento é um bônus. O maior benefício é o controle das mais de 200 doenças associadas à obesidade. Muitas vezes o paciente chega tomando dez ou doze medicamentos e depois da cirurgia passa a tomar apenas uma vitamina ao dia. É uma troca muito favorável”, destacou.
Alerta do especialista
O médico reforçou que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica e grave. “Quem sofre com obesidade precisa buscar acompanhamento. Seja pelas canetinhas, seja pela cirurgia, o importante é não adiar o tratamento. O risco da obesidade é muito maior do que o risco da cirurgia”, concluiu.