Por Barroso Guimarães
A psicóloga infantil Tâmara Feitosa, idealizadora do Movimento Superinfância, participou nesta terça-feira da Hora da Notícia, na Aperipê FM, em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães. A iniciativa, que será destaque em 23 e 25 de outubro em Aracaju, propõe uma reflexão urgente sobre os efeitos do tempo excessivo diante de telas e incentiva uma conexão mais profunda entre famílias, escolas e profissionais da infância.
No dia 23 de outubro, o lançamento acontece no Edifício Hilton José Ribeiro (Avenida Ivo do Prado, 564 – bairro São José), com início às 9h. Já no sábado, 25 de outubro, a programação segue para o Espaço Criar, também em Aracaju, das 9h às 11h, reunindo especialistas, pais e educadores engajados pelo tema.
Segundo Tâmara, o objetivo é resgatar valores essenciais e experiências genuínas que estão sendo deixadas de lado em meio à hiperconexão digital. “Mais do que reduzir telas, queremos aumentar o tempo de qualidade em família. É olhar para nossas crianças e perguntar: para onde estamos levando esta geração?”, ressaltou.
O movimento também reforça preocupações apontadas pela neurociência, como a queda na tolerância à frustração, a diminuição da atenção e a perda de habilidades sociais devido à falta de contato físico e convivência real. Para Tâmara, experiências que marcaram sua infância — como brincar na rua, interagir com a natureza e viver momentos simples — são fundamentais na formação emocional e na capacidade de enfrentar desafios na vida adulta.
O evento de lançamento contará com a presença da neuropediatra Cecília Lopes, referência em pesquisas sobre sono infantil e criadora do movimento “Sono para Todos”. Ela vai abordar como o uso excessivo de telas afeta diretamente a qualidade do descanso das crianças e adolescentes, além de apresentar estratégias para que o próprio jovem leve conhecimento aos pais. “A presença física traz um impacto emocional que nenhuma tecnologia substitui. É calor humano, proximidade e referência”, destacou Tâmara.
A psicóloga também celebrou a recente lei que restringe o uso de celulares em escolas, afirmando que essa regulamentação funciona como um freio necessário diante do cenário preocupante nas famílias e nas salas de aula.
O Movimento Superinfância defende que, em tempos de inteligência artificial e respostas instantâneas, é urgente resgatar a importância do “mão na massa”, do contato verdadeiro e da construção de memórias afetivas. “Menos telas, mais presença. Esse equilíbrio é o que vai garantir uma infância mais saudável e humana”, concluiu Tâmara.