Por Barroso Guimarães
A médica Nicole Fonseca, pós-graduada em psiquiatria, concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106,1, para falar sobre um tema que ganha destaque nesta época: a chamada depressão de fim de ano.
Durante a conversa, a psiquiatra explicou que, embora a depressão não tenha data específica para surgir, o período de festas pode funcionar como gatilho emocional para muitas pessoas. “Alguns revivem lembranças de perdas, mudanças familiares ou dificuldades financeiras, e isso intensifica sentimentos de tristeza e solidão”, destacou.
Segundo a especialista, é comum que a chegada do fim do ano desperte reflexões sobre metas não cumpridas, frustrações pessoais e comparações sociais, muitas vezes alimentadas por redes sociais. “Vivemos em uma cultura que valoriza a felicidade constante. As pessoas se cobram estar bem e, quando não conseguem, sentem-se fracassadas. Isso afeta diretamente a autoestima e o bem-estar”, afirmou a médica.
A doutora Nicole ressaltou ainda que tanto homens quanto mulheres podem ser afetados, embora a pressão estética e social recaia mais sobre o público feminino. Ela defendeu a importância de manter uma rotina saudável, com atividade física, boa alimentação e momentos de autocuidado.
Para identificar quando a tristeza típica do fim do ano se transforma em algo mais sério, a profissional orientou atenção aos sinais: “Se esse sentimento começa a prejudicar o sono, o apetite, a produtividade e as relações, e dura mais de duas semanas, é necessário buscar ajuda profissional”.
Encerrando a entrevista, a psiquiatra reforçou a importância de desenvolver uma visão de felicidade mais interna e menos dependente de comparações. “A verdadeira satisfação está em olhar para si, reconhecer suas conquistas e valorizar as pequenas vitórias do dia a dia”, concluiu.