Por Barroso Guimarães
A cidade de Aracaju sediará, no dia 16 de dezembro, a instalação oficial da Academia de Expressões Negras de Sergipe (ENS), um marco histórico para a cultura e a representatividade no Estado. A cerimônia acontecerá na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe e terá à frente o professor João Mouzart, que assumirá a presidência da nova instituição.
Em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa “A Hora da Notícia” da Aperipê FM, Mouzart destacou que a criação da academia tem como objetivo valorizar e difundir os saberes produzidos por pessoas negras em Sergipe, bem como reconhecer as contribuições culturais, intelectuais e sociais dessas comunidades na formação da identidade sergipana.
Segundo ele, a ENS pretende reunir pesquisadores, artistas e intelectuais comprometidos com o debate étnico-racial, fortalecendo a reflexão sobre o papel da população negra no Estado. “Sergipe é pioneiro nesses debates. Nomes como Silvio Romero, Tobias Barreto, João Ribeiro e Manuel Bonfim já abordavam as questões étnico-raciais desde o século XIX”, lembrou Mouzart.
O professor ressaltou que a academia se propõe a ser um espaço de ocupação e reconhecimento, rompendo com a estrutura social que historicamente excluiu os corpos negros dos espaços de prestígio intelectual. “Não queremos ocupar o espaço de ninguém, mas garantir o acesso e a permanência das pessoas negras nos lugares que sempre lhes foram negados”, afirmou.
Durante a entrevista, João Mouzart também falou sobre o papel da educação e das políticas afirmativas, como as cotas raciais, na promoção da igualdade de oportunidades. Para ele, a diferença é o caminho para alcançar a igualdade real. “É na diferença que se produz a igualdade. A educação é o instrumento mais poderoso de transformação dessa realidade”, explicou.
Além da sede em Aracaju, a Academia de Expressões Negras de Sergipe pretende atuar em regiões do interior, como Laranjeiras e o Vale do Cotinguiba, áreas emblemáticas da cultura afro-sergipana. A instituição também pretende valorizar expressões tradicionais, como a taeira, a chegança, o cacumbi e o parafuso, além de homenagear personalidades como Zizinha Guimarães, Raimundo Souza Dantas e Beatriz Nascimento.
Encerrando a entrevista, Mouzart reforçou que a criação da academia é mais do que uma ação simbólica. “O antirracismo não é apenas uma palavra, é uma prática cotidiana. Que essa academia seja um espaço de diálogo, de respeito e de reparação histórica”, concluiu.