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Ações preventivas da Prefeitura reduzem em mais de 50% as ocorrências de alagamentos

Com a chegada da primavera nesta terça-feira, 22, Aracaju encerra o inverno de 2026 com redução nos registros de alagamentos e inundações. O balanço da Defesa Civil aponta que as ocorrências passaram de 61, em 2025, para 29 neste ano, uma queda superior a 50%. O resultado acompanha o reforço das ações preventivas e de mitigação adotadas pela Prefeitura de Aracaju ao longo do ano, que também ampliou o monitoramento de áreas de risco e as atividades de prevenção.

Para a engenheira e coordenadora da Defesa Civil de Aracaju, Valéria Bispo, a redução dos alagamentos está relacionada ao fortalecimento do trabalho preventivo, realizado de maneira antecipada e contínua.

“A Defesa Civil trabalha primeiramente com a questão da conscientização e orientação junto à comunidade. A gente faz campanhas orientando as pessoas sobre o descarte irregular de lixo em locais inapropriados. Fizemos uma campanha muito intensa e também atuamos nas escolas com as crianças, através do projeto Defesa Civil nas Escolas, levando orientação e conscientização”, explicou.

Segundo Valéria, as ações de mitigação também foram ampliadas em diferentes pontos da cidade, principalmente na Zona Norte, região que concentra áreas historicamente mais vulneráveis.

“Nós aumentamos as mitigações em vários locais da cidade, principalmente na Zona Norte. Historicamente, nós temos uma rede mais deficiente de drenagem e, com esse adensamento populacional que ocorreu nos últimos anos, precisamos rever isso. Aqui na Defesa Civil temos uma equipe multidisciplinar, composta por engenheiros, arquitetos e geólogos, que faz esse estudo da rede de drenagem em comparação com o que cresceu de população naquele local”, destacou.

A coordenadora explica que o trabalho preventivo é realizado durante todo o ano e recebe reforço antes dos períodos de maior intensidade das chuvas.

“Nós fazemos as ações preventivas de forma planejada e antecipada. É um trabalho que fazemos rotineiramente, independente da quadra chuvosa. Quando chega a época de chuva, a gente intensifica muito mais. Quando chegam os eventos adversos, a ideia é que a população não sofra tanto e que a nossa cidade se torne muito mais resiliente”, afirmou.

Atualmente, 168 áreas de risco são mapeadas e monitoradas pela Defesa Civil de Aracaju. O órgão também mantém oito Núcleos de Proteção e Defesa Civil espalhados pela cidade, além de desenvolver ações educativas nas escolas.

“Nós trabalhamos com ações de conscientização através dos nossos Núcleos de Proteção e Defesa Civil, que são multiplicadores nas comunidades. Fazemos orientação sobre descarte irregular e também sobre construções irregulares, principalmente nas áreas de risco”, explicou Valéria.

A atuação integrada entre os órgãos municipais também é apontada como fundamental para a prevenção de alagamentos. Segundo a coordenadora, ações de limpeza, desobstrução e manutenção da rede de drenagem são realizadas de forma conjunta.

“A Defesa Civil está inserida na Secretaria Municipal da Infraestrutura. Então, nós trabalhamos em conjunto. Fazemos esse trabalho de forma integrada, levando o bem-estar para a população. Todas essas ações de mitigação, de limpeza e desobstrução da rede de drenagem são realizadas de maneira integrada”, afirmou.

Para Valéria, a participação dos moradores é indispensável para a manutenção dos resultados alcançados. “É um papel importantíssimo. A gestão trabalha, mas também precisa muito da população. São os moradores que convivem nas localidades e conseguem sentir de muito mais perto o que necessitam. A gente conversa, faz essa escuta e a gestão trabalha também, tanto com a nossa parte técnica, com os estudos desenvolvidos pela Defesa Civil, como junto com a comunidade”, ressaltou.

A coordenadora também chama atenção para os impactos provocados pelo descarte irregular de lixo e restos de construção civil, que podem comprometer o funcionamento da rede de drenagem. “Quando vem a água, ela vai levando o lixo e os restos de construção civil para a rede de drenagem. A rede fica obstruída e, por consequência, temos aqueles alagamentos pontuais. Neste ano, eles foram bastante pontuais na cidade”, explicou.

Outra medida destacada pela Defesa Civil é a ampliação dos Ecopontos. Atualmente, Aracaju possui oito unidades destinadas ao descarte adequado de resíduos inorgânicos e restos de construção civil.

“Quando fazemos essa orientação na comunidade, também informamos onde existem os Ecopontos nos bairros. Hoje temos oito Ecopontos onde as pessoas podem descartar lixo inorgânico e restos de construção civil”, concluiu.

Limpeza e manutenção dos canais

A limpeza e a manutenção dos canais e dos sistemas de drenagem também integram as ações de prevenção. De acordo com o coordenador operacional da Emsurb, Wander Bispo, os serviços são realizados de forma contínua, com a utilização de diferentes equipamentos de acordo com as características de cada local.

“A gente tem um trabalho contínuo de limpeza dos canais através de diversos tipos de ferramentas. Utilizamos escavadeiras hidráulicas para fazer o desassoreamento dos canais. Quando o canal está assoreado, também utilizamos a retroescavadeira como apoio em alguns canais que são mais estreitos”, explicou.

Segundo Wander, quando os equipamentos não conseguem acessar determinados pontos, outras estratégias são adotadas para garantir a limpeza dos canais e preservar a capacidade de escoamento da água durante os períodos de chuva.

“Quando nem a escavadeira hidráulica nem a retroescavadeira conseguem atuar, utilizamos outros métodos. A gente tenta o máximo possível para conseguir limpar todos os canais, fazendo com que a gente diminua os alagamentos, reduza a proliferação de vetores e também ajude o meio ambiente, evitando que o lixo vá para a maré e para o mar”, afirmou.

Outro trabalho destacado pelo coordenador é a instalação de equipamentos para retenção de resíduos. Segundo ele, a cidade passou a contar com cerca de 150 ecobueiros e 16 ecobarreiras. “Essa é uma ação que estamos intensificando bastante. Instalamos cerca de 150 ecobueiros e 16 ecobarreiras aqui na cidade, quando praticamente não tínhamos nenhuma. Estamos trabalhando fortemente com planejamento e estratégia para conseguir minimizar os impactos, principalmente antes do período chuvoso e também posteriormente”, destacou.

A definição dos locais que recebem os serviços considera o monitoramento das diferentes regiões da capital. O trabalho também é realizado em parceria com a Defesa Civil, que acompanha os índices de chuva e as áreas mais vulneráveis.

“A gente faz um monitoramento de todos os bairros, da Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte, contando também com o apoio da Defesa Civil. Eles têm alguns sensores e pluviômetros em determinados locais. A partir disso, conseguimos ter uma perspectiva de onde estão acontecendo os maiores picos de alagamento para atacar justamente esses gargalos”, explicou Wander.

As intervenções são programadas conforme as necessidades identificadas em cada região, com foco na antecipação dos problemas. “A gente trabalha dessa forma, com a programação conforme a necessidade. É um trabalho de planejamento e prevenção para que, quando chegar o período chuvoso, a gente já tenha feito as intervenções necessárias e consiga minimizar os impactos para a população”, afirmou.

Entre as áreas que recebem atenção especial estão pontos das zonas Norte e Sul, incluindo regiões como Santa Maria, Aruana e Mosqueiro, que historicamente registram ocorrências relacionadas às chuvas.

“O que a gente tem intensificado bastante é a Zona Norte e a Zona Sul, ali na região do Santa Maria e Aruana, principalmente naquela região do Mosqueiro, que teve muitos alagamentos. Se você for observar, neste ano de 2026 a gente não teve tanta notícia e tanta ocorrência relacionada a alagamentos, mesmo com a chuva permanecendo. Então foi um trabalho que fizemos com planejamento e prevenção para conseguir obter esses resultados”, ressaltou.

Wander também destaca que o descarte irregular de resíduos continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas equipes durante os serviços de limpeza.

“É importante falar sobre isso porque é um dos pontos em que mais precisamos da colaboração da população, que é justamente a questão do descarte irregular. Enquanto fazemos o desassoreamento dos canais e a limpeza, encontramos diversos materiais que não deveriam estar ali. Então, a gente precisa que a população também faça a parte dela”, afirmou.

Moradores relatam mudanças

A redução dos alagamentos também é percebida por moradores de áreas que historicamente enfrentavam transtornos durante os períodos de chuva. No Conjunto Almirante Tamandaré, no bairro Santos Dumont, quem vivenciou os impactos causados pelo avanço da água relata mudanças na rotina e mais tranquilidade nos períodos chuvosos. A percepção dos moradores se soma às ações preventivas e de monitoramento realizadas pela Defesa Civil ao longo deste ano.

Moradora da região, Francisca dos Anjos lembra que, no passado, a água costumava subir rapidamente e invadir as residências. Segundo ela, a situação mudou após a realização de serviços de limpeza dos canais, que, em sua percepção, facilitaram o escoamento da água. “Antes enchia muito, mas nesses últimos anos não. Quando eles fazem a limpeza, a água tem como fluir rápido. Hoje, quando chove, não está enchendo. Graças a Deus”, relatou.

Francisca recorda ainda os prejuízos provocados pelos alagamentos e as dificuldades enfrentadas pelos moradores para circular pelas ruas. “Afetava porque a água subia e invadia as casas. Para quem já passou por essa situação, perdia tudo. Hoje, quando chove, não está enchendo como antes. É uma mudança muito boa para quem já sofreu com alagamento”, afirmou.

Para Francisca, além da atuação do poder público, a colaboração da própria comunidade é fundamental para evitar que o problema volte a se agravar. Ela chama atenção principalmente para o descarte irregular de resíduos nos canais. “Se as pessoas não jogassem tanta coisa, não encheria do jeito que enche. Quando tem uma chuva forte, acumula um lixo com outro e pronto, já era. Então precisa também da consciência dos moradores”, destacou.

A moradora Lídice Menezes também relembra o período em que os alagamentos faziam parte da rotina da comunidade. Ela afirma que, atualmente, a situação é diferente e permite que os moradores transitem com mais tranquilidade pela região. “O alagamento aqui era muito forte, enchia as casas. Mas, de uns anos para cá, para a glória de Deus, está bem melhor. Hoje a gente pode transitar tranquilamente. Quando enche, alaga um pouco, mas é uma coisa normal, não é aquela situação anormal como era antes”, contou.

Segundo Lídice, as chuvas provocavam medo entre os moradores, principalmente nas áreas mais baixas, onde a água podia alcançar níveis que dificultavam a saída das pessoas de suas casas. “Chovia e a gente tinha medo de chegar a um nível em que não conseguia sair. Lá na parte de baixo ainda dava para ficar, mesmo com água acima da canela, porque aqui é mais alto, mas enchia muito. Era uma situação absurda”, relembrou.

Lídice atribui parte da mudança à manutenção dos canais e destaca a frequência dos serviços de limpeza realizados na região. “Hoje está bem melhor. A Prefeitura tem tido cuidado, porque sempre está limpando esse canal. É muita areia. Os homens vêm, tiram toda essa areia e utilizam máquinas. Isso ajuda bastante”, afirmou.

Apesar dos avanços, Lídice ressalta que o descarte irregular de resíduos continua sendo um desafio e defende uma maior conscientização por parte da população. “É muita falta de consciência. Não adianta só os órgãos públicos limparem se o povo não colabora. Nós, como moradores, temos que ter consciência e ajudar também”, relatou.

Nuza da Silva também percebe uma mudança significativa na região. Moradora antiga da localidade, ela afirma que os alagamentos deixaram de ocorrer com a mesma intensidade e frequência de anos anteriores, embora ainda haja preocupação com o descarte inadequado de resíduos. “Mudou muita coisa, não enche mais. Eles limpam, mas os moradores jogam lixo dentro, colchão velho, cama velha, e o que você pensar. Infelizmente também falta consciência de algumas pessoas”, desabafou.

Nuza relembra que, no passado, a água chegava a invadir as casas e trazia outros transtornos para as famílias, como o acúmulo de lixo e a presença de animais. “Era água dentro de casa, lixo, tudo que você pensar. Para sair era difícil. Eu moro aqui há bastante tempo e antes não tinha nem essa ponte. Quando enchia, era tudo tomado pela água. Agora mudou. É uma outra realidade”, afirmou.

Para a moradora, a continuidade dos serviços de limpeza tem contribuído para manter a região em melhores condições e reduzir os impactos provocados pelas chuvas. “Hoje está bom. Está tudo controlado e ajeitado. Sempre estão aqui. Limpam as beiradas e tiram os materiais de dentro. Nesta semana mesmo já limparam tudo. O erro aqui é só de alguns moradores mesmo, que ainda insistem em jogar lixo em lugar errado”, finalizou.

Com a redução dos registros de alagamentos e inundações e o aumento das ações de prevenção e monitoramento, o trabalho integrado entre os órgãos municipais busca antecipar os impactos provocados pelas chuvas.

Foto: Karla Tavares/Secom PMA

Fonte: Faxaju

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