• Home
  • Política
  • Alese abre ´Semana da Consciência Negra´ com programação especial voltada à valorização da história e da cultura afro-brasileira

Alese abre ´Semana da Consciência Negra´ com programação especial voltada à valorização da história e da cultura afro-brasileira

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), por meio da Escola do Legislativo (Elese), iniciou nesta segunda-feira, 17, a Semana da Consciência Negra 2025 – “Presença, Permanência, Respeito e Afirmação”.

A programação, que segue até quarta-feira (19), no Auditório da Elese, tem como objetivo ampliar espaços de diálogo sobre a contribuição histórica, cultural e espiritual do povo negro na formação do Brasil, além de fortalecer ações de enfrentamento ao racismo e de valorização da identidade afro-brasileira.

Com atividades sempre às 9h, o evento reúne pesquisadores, artistas, mestres da cultura popular, educadores e estudantes da rede pública.

Abertura marcada pela força da ancestralidade

A abertura da Semana foi marcada por expressões de identidade e memória. O público foi recepcionado com a apresentação de Capoeira realizada pela Federação Sergipana de Capoeira e pelo Conselho de Mestres de Capoeira, que transformaram o auditório em um espaço de ancestralidade viva.

O Mestre “Preto Velho” emocionou o público ao compartilhar sua trajetória pessoal e sua compreensão da capoeira como legado histórico. Ele lembrou que iniciou na prática em 1979 e que, desde então, carrega consigo os ensinamentos e a responsabilidade de manter viva essa herança:

Mestre “Preto Velho”

“A capoeira foi uma luta de libertação dos negros e continua sendo uma forma de mostrarmos nossa cultura. Ela é luta, expressão corporal, cultura, lazer e esporte. Na época da escravidão, quem era pego vadeando era preso, deportado ou chicoteado. A capoeira era crime previsto no Código Penal. Com Mestre Bimba e Getúlio Vargas, ela saiu da criminalização e ganhou espaço nas escolas, nos quartéis e nas academias.”

Ele também reforçou a dimensão espiritual da prática:

“A capoeira carrega meus ancestrais. Quando eu passo pelo Quilombo dos Palmares, vejo milhares de capoeiristas reconectando-se a uma história que ainda pulsa. Por isso, é muito importante que a Alese abra este espaço. Estamos trazendo nossa cultura de volta para onde ela sempre pertenceu: ao povo.”

Na sequência, o cantor, pesquisador e palestrante Zeq’ Olliver apresentou a palestra “O Canto-Espiritual dos Negros no Brasil”. Ele destacou a importância dos cantos espirituais produzidos pelos negros escravizados como forma de resistência, esperança e expressão de humanidade durante os períodos mais duros da história.

Zeq’ Olliver

“O chamado ‘negro espírito’ é fruto da dor e da busca por libertação. Era a maneira encontrada para expressar o desejo de fugir do jugo da escravidão, muitas vezes por meio de uma crença profunda de que a verdadeira liberdade poderia vir de um plano espiritual. Esses cânticos influenciaram não apenas a comunidade negra, mas as diversas matizes de religiosidade e cultura do Brasil.”

Zeq’ Olliver enfatizou que a espiritualidade presente nesses cantos é universal:

“Deus não faz separação de raças. A espiritualidade pertence a todos. O que buscamos é reforçar o valor humano de cada pessoa, independente de cor, origem ou cultura. E a Consciência Negra é justamente isso: reconhecer o valor do negro na formação nacional e trazer esse orgulho à tona, especialmente para nós, negros, que tantas vezes fomos invisibilizados.”

Durante a abertura, também houve fala do coordenador de Assuntos Culturais da Elese, Beneti Nascimento, responsável pela curadoria do evento. Ele destacou a importância histórica desta edição:

Beneti Nascimento

“Este é o primeiro ano em que o feriado da Consciência Negra será celebrado nacionalmente. Aqui na Elese, reunimos cabeças pensantes, artistas, professores e estudiosos para três dias de reflexão e celebração. Teremos capoeira, teatro, poesia, música e, como novidade, uma chef que nos convidará a uma viagem pela culinária africana — comidas que fazem parte do nosso cotidiano, mas cuja origem muitos desconhecem.”

Beneti reforçou que a semana representa também uma oportunidade de reconexão:

“É uma viagem cultural e espiritual. Estamos nos reconectando com os negros que chegaram ao Brasil escravizados e que nos deixaram uma herança extraordinária. Mesmo após a maratona do Enem, esperamos estudantes e público em geral, porque esta semana não é apenas comemorativa, ela é formativa.”

A pedagoga, museóloga e bióloga Maria Hortência Santos encerrou as falas do primeiro dia com uma reflexão profunda sobre pertencimento e consciência:

Maria Hortência Santos

“A consciência negra é diária. Está nos nossos saberes, pertencimentos e falares. O Brasil teve 350 anos de escravidão e foi o último a abolir esse sistema, e ainda assim, entre aspas, porque o processo continua. Precisamos trabalhar essa consciência com as novas gerações, porque muitos não sabem que os negros que aqui chegaram eram reis, rainhas, detentores de cultura e espiritualidade.”

Ela também ressaltou a importância dos espaços sagrados e dos saberes culinários:

“A Casa Branca, em Salvador, tem mais de 150 anos. É o primeiro terreiro construído no Brasil. E a culinária de matriz africana tem um papel espiritual profundo. Nos terreiros, quem cozinha também come, porque a cozinha é um espaço sagrado. Há uma temporalidade, um saber que precisa ser preservado.”

Arte, religiosidade e gastronomia afro-brasileira

A programação segue nesta terça-feira (18), com a apresentação do grupo “Diversificartt – O Peso do Sagrado”, formado por alunos do Centro de Excelência Professor João Carlos de Souza. A performance trará elementos da ancestralidade, da religiosidade e da simbologia africana presentes no cotidiano das comunidades negras.

Em seguida, a chef Bianca Oliveira ministrará a palestra “A Comida que Veio da África”, mostrando sabores, técnicas e heranças que moldaram a culinária brasileira e reforçando sua dimensão cultural e espiritual.

Reflexão sobre luta contemporânea e enfrentamento ao racismo

O encerramento será realizado na quarta-feira (19), com a apresentação “Dança Sergipe – Entre a Cultura Ancestral e a Luta Contemporânea”, apresentada por estudantes do Centro de Excelência Atheneu Sergipense.

A última palestra da programação será “Diálogos sobre Racismo no Brasil: Perspectivas Históricas e Ações de Enfrentamento”, ministrada pela pesquisadora Rafaella Clarice Rodrigues Santos, que discutirá caminhos para o combate ao racismo estrutural.

Compromisso permanente

Com uma programação intensa, diversa e profundamente conectada à ancestralidade, a Assembleia Legislativa de Sergipe reafirma seu compromisso com a promoção da igualdade racial, da valorização da cultura negra e da construção de uma sociedade mais justa e plural.

A “Semana da Consciência Negra” segue até quarta-feira (19), aberta ao público e com entrada gratuita.

 

Fotos: Jadilson Simões / Agência de Notícias Alese

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Bombeiros resgatam quatro vítimas presas às ferragens após acidente em Boquim

Após um acidente de trânsito registrado no fim da manhã deste sábado (9), na região…

Polícia Militar desarticula ponto de tráfico de drogas no Bairro Santa Maria com auxílio de cão farejador – P.M.S.E.

Na noite dessa sexta-feira (8), equipes da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) prendeu…

Na estreia de Marcelo Chamusca, Itabaiana empata com o Floresta e segue sem vencer na Série C

O Itabaiana ficou no empate sem gols com o Floresta na tarde deste sábado, no…