O Arquivo Público Municipal de São Cristóvão se destaca como referência em Sergipe pela organização, modernização e importância para a história e cidadania do município. Em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia da FM Aperipê, o diretor Adailton Andrade explicou como o arquivo deixou de ser apenas um depósito de documentos e se tornou um equipamento fundamental para a garantia de direitos, especialmente dos servidores municipais.
Segundo Adailton, o arquivo hoje é essencial para processos como aposentadoria e revisão de tempo de serviço. Antes, juntar documentos para comprovar contribuições ao INSS era um desafio que podia levar meses. Atualmente, o processo está mais ágil e organizado: o servidor solicita a documentação no RH, apresenta o CNIS do INSS e recebe todos os comprovantes necessários, como contracheques e decretos de nomeação ou exoneração. O arquivo chega a atender cerca de 60 processos por mês, facilitando a vida dos servidores e garantindo o acesso à informação.
Além da função administrativa, o Arquivo Público de São Cristóvão é guardião da memória local. O acervo preserva documentos históricos que datam do século XIX, registros da antiga Casa de Câmara e Cadeia, e materiais sobre a transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju. Muitos desses documentos foram digitalizados a partir de acervos nacionais e internacionais, como o Arquivo Nacional e a Torre do Tombo, em Portugal, ampliando o acesso e a preservação da história da cidade, que tem mais de quatro séculos.
Outro destaque é a modernização do arquivo, que desde 2024 adota o sistema eletrônico de informações, permitindo que toda a documentação municipal nasça digitalmente, eliminando o uso de papel e tornando o trâmite dos documentos mais eficiente. O município também se diferencia por ter sua legislação arquivística atualizada, com plano de classificação, tabela de temporalidade e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados, algo que nem o Estado nem a capital Aracaju possuem atualmente.
O arquivo também é reconhecido como “arquivo escola”, recebendo visitas de outras prefeituras e pesquisadores de dentro e fora de Sergipe, interessados em conhecer sua estrutura e acervo. Entre os documentos históricos, há registros da passagem de figuras importantes, como a irmã Dulce, e sobre eventos religiosos e culturais marcantes, como a Romaria do Senhor dos Passos e a construção do Cristo Redentor, que antecede o famoso monumento do Rio de Janeiro.
Além da preservação documental, Adailton Andrade também atua como presidente da Confraria de História e Memória de São Cristóvão, responsável pela organização do terceiro simpósio nacional de confrarias e academias de ciências, letras e artes. O evento, que reúne participantes de diversos estados, tem o objetivo de valorizar a produção literária, o debate histórico e homenagear personalidades como Beatriz Nascimento e João Firmino Cabral.
O trabalho do Arquivo Público de São Cristóvão é fundamental não só para a administração municipal, mas também para a preservação da identidade, cultura e história local, garantindo que as futuras gerações tenham acesso à memória da cidade e de seu povo.