• Home
  • Empreendedorismo
  • Artesanato ancestral valoriza identidade e amplia oportunidades de renda para povos originários | ASN Nacional

Artesanato ancestral valoriza identidade e amplia oportunidades de renda para povos originários | ASN Nacional

Muito além da estética, o artesanato produzido por povos originários e comunidades tradicionais carrega histórias, memórias e saberes transmitidos de geração em geração. No Brasil, essas produções utilizam matérias-primas do território e se consolidam como expressão cultural, prática sustentável e fonte de renda. Segundo dados do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), mais de 15,2 mil artesãos de povos e comunidades tradicionais estão cadastrados no país, sendo 78,5% indígenas, com forte protagonismo feminino, que representa 70,8% desse público.

Nesse cenário, o Sebrae tem ampliado ações voltadas aos povos originários e comunidades tradicionais, com foco na escuta qualificada das realidades locais e no fortalecimento dos artesãos como guardiões de saberes ancestrais. Para além do valor simbólico, essas produções desempenham papel estratégico na resistência cultural e no fortalecimento da economia local, ao aliar sustentabilidade, identidade territorial e geração de renda em contextos muitas vezes marcados pela informalidade e pelo difícil acesso a mercados.

Artesanato indígena celebra identidade cultural e fortalece a economia local

Entre as principais manifestações do artesanato indígena estão a cestaria, a cerâmica, a arte plumária, além de máscaras e pinturas corporais, elementos essenciais em ritos e festividades. De acordo com Durceline Mascêne, gestora de Artesanato do Sebrae Nacional, o trabalho da instituição vai além da capacitação técnica. “Nosso papel envolve orientação para formalização, capacitação em gestão, acesso a mercado e, principalmente, o reconhecimento desses artesãos e mestres como guardiões de saberes ancestrais”, afirma.

“Valorizamos a identidade, a memória e a qualidade da peça como diferencial competitivo”

Durceline Mascêne, gestora de Artesanato do Sebrae Nacional

A estratégia inclui ainda o estímulo à presença digital, respeitando o ritmo e as especificidades culturais de cada território. “A lógica do mercado, inclusive o digital, precisa ser construída de forma gradual. A formalização não pode ser uma imposição, mas um caminho desejado para acesso a crédito, mercado e maior renda”, explica Durceline. Segundo ela, programas como o Bem Digital começam pelo uso estratégico do WhatsApp e avançam para redes sociais e marketplaces, com apoio fundamental de jovens e familiares, que atuam como ponte entre o saber ancestral e a linguagem do mercado contemporâneo.

Mestre Espedito Seleiro

Um dos exemplos de como tradição e empreendedorismo podem caminhar juntos é o do mestre Espedito Seleiro, do Cariri cearense. Aos 83 anos, ele mantém viva a arte do couro herdada do avô e do pai, vaqueiro nordestino. Seu trabalho, reconhecido no Brasil e no exterior, inclui selas, gibões, sandálias, bolsas e mobiliário, com cores e texturas que se tornaram marca registrada. Com apoio do Sebrae, Espedito passou a compreender seu ofício também como negócio, ampliando mercados e conquistando visibilidade — como quando vestiu a cantora Anitta em uma apresentação de São João.

Em Rio Preto da Eva, no Amazonas, Patrícia de Souza lidera grupos do povo Baniwa majoritariamente formados por mulheres que trabalham com a fibra do Arumã, produzindo cestarias, luminárias, balaios e utensílios com grafismos inspirados em pinturas corporais rituais. A produção é acompanhada pelo programa de artesanato do Sebrae e comercializada por meio da marca Arte Baniwa, criada em parceria com organizações indígenas e socioambientais.

Patrícia é neta de Lucinda Emilio dos Santos, indígena Baniwa que completará 103 anos em 2026 e é uma das grandes guardiãs dessa tradição. “Minha avó aprendeu a fazer artesanato ainda jovem, com a família, e nunca deixou essa prática se perder, mesmo quando não era valorizada. Hoje, ver a cestaria Baniwa reconhecida fora da nossa comunidade nos deixa muito felizes, porque mostramos a nossa cultura e a história do nosso povo para o mundo”, afirma.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

últimas notícias

mais lidas

VEJA MAIS

Dinheiro na mão de todos faz a economia crescer

A economia de um país não pode ser medida apenas pelo desempenho da bolsa de…

Em Aracaju, SMTT prepara esquema especial de trânsito para três corridas de rua neste final de semana

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), realizará…