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Autoridade eleitoral do Peru proclama Keiko Fujimori como nova presidente; posse ocorrerá em 28 de julho e mandato vai até 2031

A líder conservadora Keiko Fujimori foi oficialmente proclamada presidente eleita do Peru nessa sexta-feira (3), em Lima. A decisão do máximo organismo eleitoral do país encerra um capítulo de intensa disputa eleitoral e busca trazer estabilidade política à nação sul-americana. Sua vitória, por uma margem apertada, havia sido confirmada com a conclusão da apuração na última segunda-feira, garantindo-lhe o mandato para o período 2026-2031.

O presidente do Júri Nacional Eleitoral (JNE), Roberto Burneo Bermejo, afirmou durante a cerimônia em Lima: “A chapa de candidatos apresentada pela organização política Força Popular é a vencedora da eleição de 2026”. Ele acrescentou: “Consequentemente, proclamo a senhora Keiko Sofía Fujimori Higuchi como presidente da República, e também o senhor Luis Fernando Galarreta Velarde como primeiro vice-presidente da República”.

Keiko Fujimori, que receberá suas credenciais em 15 de julho, assumirá o cargo em 28 de julho para suceder o chefe de Estado interino José María Balcázar e governar até 2031. Após a proclamação, a presidente eleita publicou no X: “Recebo com profunda gratidão a confiança que milhões de peruanos depositaram em mim. Começa uma nova era. Nós a assumimos com responsabilidade, humildade e um profundo senso de dever”.

A líder conservadora, de 51 anos, havia disputado e perdido a Presidência em três ocasiões anteriores. Sua vitória foi confirmada na segunda-feira (29) com o fim da apuração dos votos do segundo turno de 7 de junho: ela obteve 50,135% dos votos, superando os 49,865% de seu adversário de esquerda, Roberto Sánchez.

Legado e desafios políticos

O Peru teve oito presidentes diferentes desde 2016. Vários deles foram destituídos pelo Congresso ou renunciaram antes de ter a mesma sorte. A vitória de Keiko Fujimori marca o retorno do fujimorismo ao poder, 25 anos depois da queda do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), cujo legado divide profundamente os peruanos.

Marta Palomino Quispe, que era adolescente quando o Fujimori pai governou o Peru, disse a jornalistas: “Ele fez desaparecer o terrorismo. Por isso, o chamo de papai Fujimori. Graças a ele, existem estradas asfaltadas, colégios no campo, onde ninguém ia”. Cerca de 50 simpatizantes de Keiko se reuniram em frente à sede de seu partido em Lima, onde ela estava reunida com sua equipe.

Enquanto os apoiadores de Alberto Fujimori elogiam sua gestão por ter estabilizado a economia e derrotado as guerrilhas que ensanguentaram o país nos anos 1980 e 1990, seus críticos lembram de suas condenações por corrupção e violações dos direitos humanos.

Desafios e reconhecimento internacional

Keiko Fujimori, a primeira mulher eleita presidente do Peru, terá o desafio de combater a criminalidade em ascensão e estimular uma economia que cresce abaixo de seu potencial. A situação econômica poderá ser ainda mais afetada nos próximos meses pelo fenômeno climático El Niño.

A apuração dos votos no segundo turno demorou três semanas para ser concluída. Desde que perdeu a dianteira, o esquerdista Roberto Sánchez questionou a legitimidade dos resultados. Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo (que está preso após um autogolpe de Estado fracassado em 2022), alega irregularidades nos votos no exterior.

O JNE já recusou um pedido para anular esses votos por considerar as alegações infundadas. Sánchez recorreu esta semana à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), questionando novamente os resultados. Contudo, assim que o resultado da apuração foi conhecido, muitas autoridades estrangeiras começaram a parabenizar publicamente Keiko Fujimori.

O senador americano Marco Rubio disse que a administração de Donald Trump “espera aprofundar a colaboração” com o governo de Keiko Fujimori “para impulsionar a cooperação no tema da segurança”, em investimentos e comércio. O presidente argentino, Javier Milei, declarou: “O Peru se soma ao bloco de países na região que decidimos nos plantar frente ao socialismo e trabalhar juntos na defesa da liberdade”.

Do Chile, o presidente de extrema direita José Antonio Kast prometeu-lhe trabalhar “por uma agenda de segurança e desenvolvimento comum”.

Fontes: IstoÉ e AFP

Fonte: AJN1

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