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Camilo avalia que transporte público é uma caixa preta e classifica como farra a política de subsídios em Aracaju

“A maior caixa preta da história dessa cidade é o transporte público. Quando você vai olhar para a situação de hoje, seja na licitação da FIPE, seja na consultoria que o ex-prefeito Edvaldo fez, o que você tem é uma verdadeira farra de subsídio em Aracaju.” A declaração foi feita pelo vereador Camilo Daniel (PT) durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, na manhã desta quarta-feira, 17, quando voltou a tratar da situação do transporte coletivo e dos impasses envolvendo o Consórcio de Transporte Metropolitano da Grande Aracaju.

Segundo o parlamentar, não existe atualmente tema mais relevante para a população da região metropolitana do que as decisões que estão sendo discutidas no âmbito do consórcio, responsável pela gestão do transporte coletivo. “As decisões que podem sair dali podem determinar a vida de quase meio milhão de sergipanos e sergipanas e podem, inclusive, acabar com a integração do sistema de transporte”, afirmou.

Camilo demonstrou preocupação com a falta de debate público sobre o tema e defendeu que a Câmara Municipal acompanhe de forma mais próxima as discussões que podem impactar diretamente a mobilidade urbana da capital e dos demais municípios da região metropolitana.

Maior caixa preta da história da cidade

Durante o pronunciamento, o vereador afirmou que o transporte público de Aracaju acumula problemas históricos que atravessam diferentes gestões municipais e que, passadas quase duas décadas de promessas, a cidade ainda não conseguiu realizar uma licitação definitiva para o sistema.

Camilo relembrou que o debate sobre a necessidade de licitação já estava presente em 2006, quando Edvaldo Nogueira assumiu a Prefeitura de Aracaju. “Eu lembro que em 2006, quando Edvaldo assumiu a prefeitura, uma das primeiras falas era que faria a licitação do transporte público. Eu tinha 15 anos de idade. Estamos em 2026 e continuamos discutindo a mesma coisa”, destacou.

Na avaliação do parlamentar, tanto a licitação defendida pela gestão anterior quanto os estudos mais recentes apresentados pela atual administração mantêm uma lógica que prioriza o aumento dos subsídios destinados às empresas operadoras.

“Mesmo sem licitação, o que existe hoje em Aracaju é uma farra de subsídios. Você tem mais de sessenta milhões, quase setenta milhões de reais sendo colocados no sistema de transporte, enquanto trabalhadores seguem denunciando problemas relacionados a FGTS e outros direitos trabalhistas”, declarou.

Crise antiga e problemas recorrentes

Camilo também relacionou a atual situação do transporte a uma série de crises enfrentadas pelo setor nos últimos anos. Segundo ele, os problemas observados hoje não são resultado de uma única gestão ou de um episódio isolado, mas fazem parte de um modelo que há décadas apresenta dificuldades.

O vereador citou os casos envolvendo empresas como VCA, Progresso e, mais recentemente, Modelo, destacando os impactos sofridos pelos trabalhadores. “Não é um problema de um dia, de um ano ou de uma gestão. É um problema crônico da cidade. Tivemos a crise da VCA, trabalhadores da Progresso que saíram sem respostas e agora vemos a situação da Modelo. Isso merece uma investigação muito mais profunda”, afirmou.

População continua sofrendo com a precariedade do sistema

Ao encerrar o pronunciamento, Camilo afirmou que, enquanto as disputas sobre licitação e gestão do sistema continuam sem solução, a população segue convivendo diariamente com a precariedade do transporte público.

“O povo de Aracaju sofre. Faltam mais de cem ônibus no sistema. Há regiões da cidade onde existe faixa exclusiva de ônibus, mas não existe ônibus circulando. No Lamarão, na Soledade, no Carlos Pina e em diversos outros bairros, a população continua enfrentando dificuldades para se deslocar”, destacou.

Foto: Luanna Pinheiro / Agência CMA

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