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Com aposentadoria de Lionel Messi, Seleção da Argentina busca definir um substituto à altura para camisa 10

A seleção argentina, que há apenas algumas semanas disputou a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha, está em plena transformação. Enquanto Lionel Scaloni, à frente do elenco desde 2018, define sua continuidade, com o contrato previsto para terminar em dezembro deste ano, a seleção argentina se vê diante de uma situação pela qual não passava há 17 anos: com a aposentadoria de Lionel Messi, terá de definir quem vestirá a camisa 10.

No entanto, o próprio treinador se antecipou ao debate e, para manter o suspense, declarou antes dos jogos do vice-campeão mundial contra Bolívia, Burkina Fasso e Benim: “Nestes jogos, ninguém usará a 10, não temos obrigação. Não vamos dar a ninguém até o jogo do Leo, depois veremos. A ideia é que um jogador fique com ela”.

Após a aposentadoria de Messi da seleção argentina, a questão da camisa 10 será um dos temas a serem trabalhados pela comissão técnica.

A relação entre a camisa argentina e o número 10 tem um peso especial, diferente.A história das três estrelas da seleção argentina se reflete nesse número e em uma ideia de jogo que ganhou uma expressão própria nos camisas 10 das equipes que conquistaram as edições de 1978, 1986 e 2022 da Copa do Mundo. Mario Alberto Kempes, Diego Armando Maradona e Lionel Andrés Messi.

“Todos nós nos considerávamos jogadores diferentes, ainda que não fôssemos, todos queríamos usar a 10. Geralmente desde pequenos, mas obviamente a 10 continua sendo uma camisa especial”, havia explicado Messi sobre o número.

Embora Scaloni já tenha definido, entre outras coisas, que Cuti Romero será o capitão e Dibu Martínez será a segunda opção, ainda não foi determinado quem será o herdeiro da 10. Por algum tempo, depois da era Maradona, a camisa coube a Ariel Ortega e, desde que Messi a usou pela primeira vez em 2009, não houve dúvidas sobre quem a vestiria. Mas agora chegamos ao fim de uma era.

De Kempes, Maradona e Messi nasce a cultura. Três jogadores canhotos, cavalheiros do bom futebol que representaram como ninguém o estilo argentino de jogar futebol. Um estilo de fintas, cuidado com a bola, malícia. Três ídolos que marcaram o conceito da camisa 10 e todo um imaginário: na Argentina, em qualquer partida, em um campinho de terra ou em um campo alugado, em um campeonato organizado ou na primeira divisão, o primeiro jogador que se observa com atenção é o camisa 10.

Aos 22 anos, Nico Paz é um dos nomes que surgem mais naturalmente quando se pensa no futuro da 10 argentina. Canhoto, criativo e com leitura natural para se movimentar entre linhas, o meio-campista surge como uma alternativa capaz de trazer frescor, cadenciar o jogo e desequilibrar no terço final do campo.

Na Copa de 2026, não teve muitos minutos (entrou na vitória sobre a Argélia e foi titular no último jogo da fase de grupos, contra a Jordânia), mas agora parece estar no ponto certo de maturidade.

“Tem muita qualidade e espero que continue evoluindo. Ele nem havia nascido quando eu estreei como profissional. Tem uma cabeça muito boa, entende perfeitamente o jogo e espero que siga assim. Jogou, aproveitou e acho que vai se sentir à vontade nesta equipe porque ficamos muito com a bola, e ele cresceu com isso e tem muita qualidade”, disse Messi sobre ele.

Franco Mastantuono, por outro lado, ainda sonha em se consolidar no Real Madrid, mas sua passagem pela Fiorentina voltou a colocar em evidência o talento que havia demonstrado desde o início no River Plate.Também canhoto, aos 19 anos, tem um pé privilegiado, com um ótimo chute e controles que o ajudam a escapar dos adversários. Além disso, o seu porte físico — é alto e magro — permite a ele fazer a diferença na condução da bola ou mesmo na corrida sem ela.

“Eles podem jogar juntos, a princípio um dos dois jogaria, mas podem jogar juntos, vontade não falta”, disse Scaloni sobre a possibilidade de Paz e Mastantuono formarem uma dupla.

Entre os jogadores da seleção argentina campeã do mundo no Catar, também há nomes que poderiam assumir a camisa 10.

Durante o ciclo de Scaloni, Messi costumava falar sobre as características dos jogadores do meio-campo, especialmente sobre a qualidade técnica dos seus companheiros nessa região do campo. Ele ressaltava que quase todos haviam começado como meias de ligação, aquela posição tipicamente argentina que fica entre a linha de meio-campistas e os atacantes. Na Argentina, o meia de ligação usa a camisa 10.

“Encontramos alguns meio-campistas maravilhosos, a maioria dos quais em algum momento foi meia de ligação, e isso fica muito evidente. Quando você tem muita posse… o meia de ligação é um jogador diferente, que perde poucas bolas, e nós começamos a perder poucas bolas no meio e, por meio das posses longas, fomos ficando mais fortes”, disse.

Por isso, não seria surpreendente que Alexis Mac Allister, que usa esse número no Liverpool, ou Thiago Almada, agora no River Plate, ou Enzo Fernández possam vestir a camisa.

É verdade que a história de Messi com a seleção argentina parece ter chegado ao fim. Mas o número 10 — e seu legado — é um livro de páginas infinitas. Ali, nessas páginas em branco, há uma lista interminável de herdeiros, de sonhadores que imaginam, de craques ambiciosos.

Dos nomes consagrados que fazem parte da seleção aos garotos que começam a jogar futebol e se projetam com a 10 nas costas. Tão clássica, tão pesada, tão desejada.

Fonte: AJN1

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