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Comerciários de Socorro conquistam maior piso do Nordeste e defendem fim da escala 6×1, afirma Alfredo Sousa em entrevista à Aperipê FM

Por Barroso Guimarães 

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Nossa Senhora do Socorro, Alfredo Sousa do Carmo, destacou, em entrevista concedida ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106,1, os avanços conquistados pela categoria e os desafios previstos para as próximas negociações salariais, especialmente diante das discussões nacionais sobre mudanças na jornada de trabalho.

Segundo o dirigente, a data-base da categoria, celebrada em 1º de maio, garantiu em 2025 um resultado histórico: o maior piso salarial do Nordeste entre os comerciários. O acordo, construído por meio de diálogo com o setor patronal, colocou o município de Nossa Senhora do Socorro à frente de capitais da região. De acordo com Sousa, o piso local superou em R$ 230 o salário mínimo nacional e ficou acima também do praticado em outras cidades sergipanas.

O sindicalista atribui o resultado à estratégia de negociação baseada no equilíbrio entre as partes. “Não há avanço sem diálogo. É preciso construir entendimento com o empresariado, mostrando que a valorização do trabalhador impacta diretamente na economia, com aumento do consumo e fortalecimento do comércio”, afirmou.

Para a campanha salarial de 2026, a expectativa é de um cenário mais complexo. Isso porque o debate sobre o possível fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com uma folga — deve ganhar protagonismo. O tema está em discussão no Congresso Nacional do Brasil e, segundo Sousa, já será incluído como uma das principais pautas da categoria nas negociações coletivas.

De acordo com ele, o modelo atual tem impactado diretamente a saúde dos trabalhadores. O presidente citou dados internos do sindicato que apontam que, a cada dez homologações realizadas, sete são pedidos de demissão — muitos motivados pelo desgaste físico e mental.

“Há casos de trabalhadores abrindo mão de direitos, como saque do FGTS e seguro-desemprego, por não suportarem mais a jornada”, ressaltou.

Apesar da defesa do fim da escala 6×1, Sousa afirmou que o sindicato adota uma postura flexível, admitindo a possibilidade de escalas alternativas, como o regime 5×2, desde que haja organização por meio de rodízio e sem redução salarial. “É possível conciliar os interesses, garantindo produtividade para as empresas e qualidade de vida para os trabalhadores”, pontuou.

Outro ponto levantado foi a preocupação com propostas de pejotização, prática em que trabalhadores são contratados como pessoa jurídica. Para o dirigente, a medida representa risco de precarização das relações de trabalho.

Além das pautas trabalhistas, Sousa destacou a ampliação da atuação sindical. Ele foi eleito para a direção executiva da Federação dos Empregados no Comércio da Bahia, passando a representar também interesses da categoria em âmbito regional. A entidade reúne dezenas de sindicatos e discute pautas nacionais do setor.

Durante a entrevista, o presidente também mencionou a participação em um encontro nacional promovido pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, realizado em Caxias do Sul. O evento reuniu representantes de mais de 100 sindicatos e consolidou diretrizes para atuação conjunta, incluindo mobilizações em defesa de melhores condições de trabalho.

No campo de projetos, o sindicato anunciou iniciativas voltadas à qualificação profissional e comunicação com a categoria. Entre elas, a implantação do programa “Escola do Trabalhador 4.0”, em parceria com o Ministério do Trabalho e empresas de tecnologia, que oferecerá cursos gratuitos na área de informática. Também está em fase de expansão a Rádio Web Comerciários, com aplicativo próprio e programação voltada aos trabalhadores.

Ao final, Sousa reforçou a importância da organização da categoria e da participação política. “É fundamental eleger representantes comprometidos com os trabalhadores, para que pautas como a melhoria da jornada e valorização salarial avancem”, concluiu.

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