A insônia é o distúrbio do sono mais comum entre os brasileiros e tem se tornado um problema cada vez mais presente na rotina das pessoas. Para falar sobre o tema, a cirurgiã-dentista e especialista em distúrbios do sono Cinthia Coelho concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM.
Durante a conversa, Cinthia Coelho explicou que a insônia se manifesta basicamente de duas formas: a dificuldade para adormecer, conhecida como insônia inicial, e a dificuldade para manter o sono, chamada de insônia de manutenção. Em ambos os casos, a consequência é o cansaço e a falta de disposição no dia seguinte.
Segundo a especialista, o sono ideal para um adulto gira em torno de oito horas por noite, mas a quantidade pode variar conforme o organismo de cada pessoa. “Mais importante que o tempo é acordar disposto e com sensação de descanso”, afirmou Cinthia Coelho. Ela destacou ainda que o sono fragmentado, quando há vários despertares ao longo da noite, pode ter causas diversas, como barulho, iluminação, uso de medicamentos ou até condições relacionadas à idade, como menopausa e andropausa.
A especialista alertou para a diferença entre a insônia aguda, provocada por momentos de estresse ou luto e que costuma durar menos de três meses, e a insônia crônica, persistente e geralmente associada à ansiedade. “O mundo moderno tem nos deixado mais ansiosos. As pessoas deitam pensando nos problemas do dia seguinte e acabam impedindo o cérebro de relaxar”, explicou.
Outro ponto importante abordado foi o impacto das telas de celulares e computadores na produção de melatonina, o hormônio do sono. Cinthia Coelho recomenda diminuir a iluminação e evitar dispositivos eletrônicos pelo menos duas horas antes de dormir. “As pessoas precisam reaprender a dormir. Criar um ambiente escuro e tranquilo favorece o sono natural e reparador”, reforçou.
Ela também ressaltou que o sono é essencial para o equilíbrio físico e mental, sendo necessário buscar ajuda médica em casos de apneia, refluxo, ronco excessivo ou sensação de sufocamento ao dormir. A higiene do sono — conjunto de hábitos saudáveis como evitar refeições pesadas à noite, manter horários regulares e preparar o ambiente — é fundamental no tratamento da insônia.
Cinthia Coelho lembrou ainda que a terapia cognitivo-comportamental tem sido o método mais eficaz contra o distúrbio, superando o uso indiscriminado de medicamentos. “É possível reaprender a dormir. A medicação deve ser o último recurso, com acompanhamento profissional”, alertou.
Ao encerrar a entrevista, a especialista reforçou a importância de valorizar o sono como parte essencial da qualidade de vida. “Dormir bem faz parte de um dia bom. Mesmo quem sofre com insônia há anos pode melhorar, desde que busque ajuda e adote hábitos adequados”, concluiu Cinthia Coelho, que compartilha dicas sobre o assunto em seu perfil no Instagram @doutoracinthiacoelho.