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Do mangue à inovação: mulheres transformam desafios em empreendedorismo e mudam vidas em Sergipe

Por Anderson Machado

Luta, fé e superação: mulheres que enfrentaram preconceitos, humilhações e desigualdades salariais para transformar suas vidas através do empreendedorismo.

Mesmo diante de desafios históricos como machismo, preconceitos, humilhações e desigualdades salariais, mulheres têm rompido barreiras e construído histórias de sucesso. No Brasil e em Sergipe, o empreendedorismo feminino cresce de forma significativa, fortalecendo o protagonismo das mulheres na criação e gestão de negócios, além de promover independência financeira, inclusão social e transformação de vidas.

Cresce o empreendedorismo feminino no Brasil e em Sergipe

De acordo com a plataforma digital Jusbrasil, em 1962, as mulheres conquistaram o direito de abrir um estabelecimento comercial sem autorização dos maridos, com a aprovação do Estatuto da Mulher Casada (Lei nº 4.121/1962). Já na década de 1970, ocorreu uma inserção mais intensa da classe feminina no mercado de trabalho formal. Entretanto, o empreendedorismo feminino começou a se profissionalizar no Brasil a partir da década de 1990.

Foi nesse período que surgiram os primeiros estudos sobre o tema, e políticas públicas mais estruturadas voltadas ao fortalecimento das empreendedoras, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

De acordo com o Sebrae, de 2000 até os dias atuais, o número de negócios liderados por mulheres cresceu de forma expressiva. Dados do Sebrae também confirmam que, atualmente, o Brasil possui mais de 10 milhões de mulheres à frente de empreendimentos próprios, o que representa um crescimento acumulado de cerca de 42% entre 2012 e 2024.

Recentemente, o Sebrae destaca que as empreendedoras atuam principalmente no setor de serviços, que reúne 56,8% dos negócios liderados por mulheres. Além disso, a instituição demonstra uma diversidade que chama atenção: 50,4% dessas empreendedoras são mulheres negras e 48,2% são mulheres brancas.

Outra estatística de relevância do Sebrae é que mais de 50% das mulheres à frente de negócios buscam qualificação com ensino superior. Segundo a instituição, esse dado significa uma superação com relação aos homens com o mesmo nível de instrução em áreas de gestão empresarial.

Em Sergipe, o cenário também é promissor. Com apoio do Sebrae, o empreendedorismo feminino segue em expansão. De acordo com a instituição, as mulheres lideram mais de 97 mil negócios no estado, o equivalente a mais de 36% do total de empresas sergipanas. Mais de 45% das empreendedoras afirmam que foram auxiliadas pelo Sebrae Sergipe no início do negócio.

Sebrae Delas fortalece o protagonismo feminino

Mariana Araújo Foto: Divulgação

Segundo a analista técnica do Sebrae em Sergipe, Mariana Araújo, a instituição desempenha um papel fundamental no incentivo ao empreendedorismo feminino por meio do Programa Sebrae Delas. Ela afirma que no estado o programa existe desde 2020 e já transformou a realidade de milhares de mulheres.

“Nestes seis anos, o Sebrae Sergipe já atendeu mais de 20 mil mulheres. Somente este ano, foram mais de 4 mil atendimentos. O Sebrae está sempre à disposição das empreendedoras. Basta nos procurar que vamos orientá-las”, enfatiza a analista.

Ela também destaca a realização de eventos de imersão, capacitações e o retorno do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, retomado em 2022.

“O objetivo do prêmio é inspirar e reconhecer histórias de mulheres empreendedoras no estado. Quando uma mulher decide empreender, sua trajetória já é, por si só, uma história de vitória”, afirma.

Do mangue ao reconhecimento nacional: a história de superação de Naty

Um dos maiores exemplos de empreendedorismo feminino em Sergipe é Anatalia Costa Neta, conhecida popularmente como Naty. Negra, marisqueira, empreendedora e líder comunitária, ela enfrentou machismo, preconceito e inúmeras humilhações para transformar a própria história.

A sergipana nasceu no povoado Cajazeiras, no município de Santa Luzia do Itanhy, sendo a filha mais nova entre dez irmãos. Ainda criança, viu a mãe se separar do pai e, pouco tempo depois, um pescador passou a ajudar na criação da família.

“Ele se tornou um pai para mim e meus irmãos. A partir daí, tivemos que ajudá-lo na captura de ostras”, relembra emocionada.

As dificuldades começaram cedo. Aos 12 anos, precisou trabalhar como empregada doméstica em Aracaju. Um ano depois, retornou ao povoado para ajudar a mãe na roça.

“Foi uma época muito difícil. Minha mãe enfrentava problemas com alcoolismo”, conta.

Naty trabalhou na roça. Foto: Divulgação

 

Mais tarde, voltou a trabalhar como doméstica para sobreviver. No entanto, encontrou forças para seguir em frente. Aos 18 anos, viu a mãe superar a dependência do álcool e reencontrou a esperança. Por meio do empreendedorismo, iniciou uma transformação que mudaria sua vida.

Em 2003, a empreendedora casou-se com Wilson e mudou-se para o povoado Terra Caída, em Indiaroba. Enquanto o marido trabalhava na pesca, ela passou a ajudá-lo. Contudo, foi em 2018 que sua trajetória começou a ganhar novos rumos. “Abri uma lanchonete e comecei a me empoderar como mulher”, afirma

Com olhar empreendedor, percebeu o potencial das mulheres da comunidade. “Vi que em Terra Caída existiam mulheres talentosas e habilidosas. Então, decidi reunir essas mulheres junto com uma consultora do Sebrae para discutir formas de fortalecer o comércio local”, diz.

A iniciativa deu origem ao Grupo Mulheres Empoderadas de Terra Caída, projeto que passou a incentivar a autonomia financeira feminina no povoado.

“Em 2023, o trabalho ganhou ainda mais visibilidade. As mulheres começaram a se empoderar e a promover o comércio local por meio dos próprios talentos. Foi inesquecível”, lembra.

Determinada a ampliar seus conhecimentos, Naty buscou capacitações, consultorias e palestras oferecidas pelo Sebrae. O aprendizado adquirido foi fundamental para o crescimento dos negócios e para fortalecer sua atuação como empreendedora e liderança comunitária.

“Procurei estudar, participar de consultorias e aprender sobre gestão. Os estudos mudaram minha vida”, afirmou.

O crescimento dos negócios também trouxe impactos positivos para a comunidade. Segundo Naty, as capacitações, consultorias e palestras promovidas pelo Sebrae contribuíram para a expansão da Pousada Mulheres do Mar, que ganhou um novo andar e ampliou sua capacidade de atendimento. Atualmente, o empreendimento gera seis empregos diretos durante a baixa temporada e reforça a equipe nos períodos de maior movimento turístico.

A empresária destaca ainda que o negócio ajuda a movimentar a economia local, valorizar a comunidade e incentivar outras mulheres a empreender. Na baixa temporada, a pousada registra faturamento médio de R$ 3 mil mensais, valor que pode triplicar durante os períodos de alta demanda.

Para Naty, o empreendedorismo não transformou apenas a sua realidade, mas também abriu caminhos para que outras mulheres conquistassem autonomia financeira, reconhecimento profissional e novas perspectivas de futuro.

“Transformei minhas dificuldades em oportunidades. Hoje, consigo ajudar outras mulheres a acreditarem no próprio potencial e a construírem um futuro melhor”, destaca.

Dificuldades transformadas em oportunidades

Hoje, a líder comunitária é proprietária da lanchonete Mec Wilson e também da Pousada Mulheres do Mar, em Terra Caída.

“Continuo lutando para conquistar meus sonhos. Ainda enfrento dificuldades, mas nunca deixo de persistir. Quero continuar inspirando mulheres e mostrar que uma mulher simples, que veio do mangue e da roça, também pode vencer na vida.”

Ela afirma que a fé, a coragem, a determinação e a vontade de nunca desistir sempre marcaram sua trajetória.

“Comecei a trabalhar aos 11 anos e, ainda criança, carregava responsabilidades de adulto. Passei por humilhações, preconceito, cansaço, noites de preocupação e muitos desafios. Quase desisti. Mas existia uma força muito grande dentro de mim”, relembra com carinho.

Em 2019, criou o hambúrguer de aratu, inspirado em suas origens ligadas ao mangue.

“Foi do mangue que, muitas vezes, tirei minha sobrevivência. Transformei minhas dificuldades em oportunidades.”

Segundo a empresária, o conhecimento adquirido por meio das capacitações do Sebrae foi decisivo para sua transformação pessoal e profissional.

“Procurei estudar, participar de consultorias e aprender sobre gestão. Os estudos mudaram minha vida”, afirmou.

Reconhecimento nacional

De Terra Caída para o Planalto Central: a empresária Naty conversou com o presidente Lula sobre economia solidária e empreendedorismo feminino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A trajetória de superação da sergipana ultrapassou as fronteiras do estado. Ela chegou a participar de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir economia solidária e empreendedorismo feminino.

“Para mim, foi Deus. Representar mulheres negras, marisqueiras e catadoras de mangaba no Planalto Central foi motivo de muito orgulho. Foi algo inesquecível”, destaca emocionada.

Além disso, conquistou o primeiro lugar para Sergipe no Prêmio Banco do Nordeste em nível regional.

“A gente precisa acreditar no nosso potencial. Se eu consegui, outras mulheres também conseguem”, declara.

Açaí da Jéssica: empreender com dupla jornada de superação

Se empreender para as mulheres não é fácil, imagina abrir um negócio sendo deficiente auditiva. É o caso de Jéssica Santos, 34 anos, que tem uma loja de açaí. A empreendedora conta que nasceu surda, mas a deficiência nunca foi o maior obstáculo de sua vida.

“Aos 17 anos, fui diagnosticada com insuficiência renal crônica e, desde então, enfrento uma longa jornada de tratamento. Durante muitos anos, fiz hemodiálise, passei por inúmeras internações e vivi momentos extremamente difíceis”, desabafa.

Segundo a jovem guerreira, atualmente ela realiza diálise peritoneal, uma modalidade que permite fazer o tratamento em casa e ter um pouco mais de qualidade de vida.

“Hoje, também aguardo com esperança por uma nova oportunidade: estou na fila para o transplante renal”, explica.

Sonho realizado e carrinho de açaí personalizado

Jéssica é um exemplo de vida. Foto: Divulgação

Mesmo diante de tantas limitações de saúde, a empreendedora nunca deixou de acreditar e sonhar que poderia construir o próprio caminho e realizar seus sonhos.

“Sempre tive o desejo de trabalhar, conquistar minha independência financeira e mostrar que uma deficiência ou uma doença não definem a capacidade de uma pessoa”, diz emocionada.

“Cheguei a abrir uma loja online, mas percebi que meu sonho era estar em contato direto com o público. Em agosto de 2025, tive a ideia de empreender nas praças de Aracaju. Com o incentivo e a ajuda do meu marido, transformei esse sonho em realidade ao adquirir um carrinho de açaí personalizado”, conta.

A partir daí, a microempresária destaca que nasceu o Açaí da Jéssica, um projeto que hoje já é realidade nas praças e eventos em Aracaju.

“Eu e meu esposo trabalhamos de quinta a sábado, até às 22 horas, na Alameda das Árvores, e, aos domingos, na Praça Tobias Barreto”, esclarece, explicando que o carrinho de açaí personalizado da Jéssica também é destaque em eventos, escolas, empresas e onde mais surgir uma oportunidade.

Mais do que uma fonte de renda: é inclusão social

Mas o Açaí da Jéssica representa muito mais do que uma fonte de renda. Cada atendimento também é uma oportunidade de promover a inclusão.

“Muitas pessoas se aproximam para conhecer minha história e, nesses momentos, ensino algumas palavras e sinais em Libras”, explica.

Todos os dias, mulheres empreendedoras e guerreiras como a jovem empresária mostram que a comunicação aproxima as pessoas e que a deficiência não é sinônimo de incapacidade. Muito pelo contrário, a microempresária afirma que os surdos são plenamente capazes de trabalhar, empreender e realizar seus sonhos.

“Agora, meu maior objetivo é alçar voos mais altos. Quero ampliar esse projeto e adquirir novos carrinhos. A partir daí, criar oportunidades de trabalho para outras pessoas surdas em Aracaju. Pretendo transformar esse empreendimento em um espaço de inclusão, autonomia e valorização das diferenças”, ressalta feliz.

Exemplos como o de Jéssica mostram que a deficiência não limita o potencial quando existem oportunidades. A história dela é marcada pela resistência, fé e vontade de seguir em frente.

“A surdez e a doença renal fazem parte da minha vida, mas não me definem. O que me define é a coragem de enfrentar os desafios, continuar sonhando e inspirar outras pessoas a nunca desistirem, mesmo diante das maiores dificuldades”, finaliza.

Chef Seichele Barboza leva Sergipe para o cenário nacional

Seu Sergipe gera cerca de 10 empregos diretos/ Foto: Anderson Machado

 

 

 

 

 

 

 

Outro grande exemplo de empreendedorismo feminino em Sergipe é a chef de cozinha Seichele Barboza. Natural de Aracaju, ela se tornou referência nacional na gastronomia sergipana. Em 2019, participou do reality show Mestre do Sabor, da TV Globo.

“Foi uma experiência sensacional. Na época, tive a oportunidade de mostrar o meu trabalho e elevar o nome de Sergipe para o mundo. Nosso povo tem belezas inatas ainda pouco difundidas, que as pessoas precisam conhecer”, afirma, destacando riquezas que vão do café de quiabo ao bufu, do barro do Rio São Francisco às catadoras de mangaba, da cocada de cacto à moquequinha de aratu.

A carreira da chef continua em ascensão. A profissional foi a primeira representante de Sergipe a participar do Projeto Mayú Brasileiro, realizado pelo Senac Ceará, iniciativa voltada à valorização da culinária nacional e à formação profissional.

“Participei como chef do restaurante Seu Sergipe. Foi uma oportunidade de apresentar a diversidade da culinária sergipana para o Brasil e ministrar uma aula-show”, afirma.

Seu principal espaço gastronômico é o restaurante Seu Sergipe, em Aracaju, ambiente voltado à cultura, arte e culinária regional.

“O Seu Sergipe nasceu com a proposta de celebrar o ritual do café em um ambiente acolhedor e cheio de identidade. Buscamos oferecer um espaço que favoreça boas conversas e momentos de pausa no dia a dia, sempre com um atendimento próximo e atencioso.”

Atualmente, o Seu Sergipe Bistrô gera 10 empregos diretos, contribuindo para a movimentação da economia local, o fortalecimento do turismo gastronômico e a valorização da cultura sergipana. O empreendimento também prioriza ingredientes, produtores e tradições locais, fortalecendo a cadeia produtiva regional e ampliando a visibilidade da gastronomia do estado.

Programa de TV e trabalhos sociais

Seichele valoriza a gastronomia sergipana Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Além da atuação na gastronomia, ela também apresenta o programa Cozinha Bonita e Cheirosa, exibido pela TV Aperipê e no YouTube — o primeiro programa gastronômico da televisão sergipana.

“Sempre procuro valorizar a gastronomia sergipana, a história e os sabores do nosso estado.”

A chef ainda desenvolve projetos sociais junto a comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas, além de atuar em ações voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

“A educação transforma vidas. Gosto de promover cultura, conhecimento e inclusão através da gastronomia.”

Por meio da gastronomia, Seichele também incentiva o empreendedorismo, a geração de renda e o fortalecimento da identidade cultural sergipana. Seu trabalho demonstra como a culinária pode ser uma ferramenta de transformação social, criando oportunidades, valorizando saberes tradicionais e inspirando outras mulheres a ocuparem espaços de liderança em seus negócios e comunidades.

Startup sergipana transforma ciência em solução para salvar vidas de animais

Mônica no laboratório do Hospital de Urgências de Sergipe. Foto: Divulgação

Mônica Batista Almeida é mais um exemplo de mulher empreendedora em Sergipe. Há três anos, foi fundada a startup QuickAidK. A ideia do empreendimento surgiu e foi desenvolvida em Aracaju, quando a empreendedora era professora da Universidade Tiradentes (UNIT), com duas alunas do curso de Farmácia.

“Hoje, apenas uma continua comigo, além de uma sócia que mora na região Sul”, explica.

“No curso de Farmácia Bioquímica, eu e meus colegas tínhamos um propósito: desenvolver uma solução capaz de estabilizar e até salvar a vida de animais de pequeno e médio porte vítimas de traumas e hemorragias”, disse.

Segundo a empreendedora, a observação de uma necessidade real da Medicina Veterinária impulsionou anos de pesquisa.

“A partir daí, desenvolvemos uma tecnologia inovadora para o controle rápido de sangramentos em animais”, destaca.

“Essa ideia começou a ganhar destaque em nível nacional quando fomos selecionadas no Programa Centelha, em 2023. Na época, eram selecionadas 16 startups por região. Ficamos em 1º lugar entre os projetos participantes”, explica.

De acordo com Mônica, em 2024, a startup QuickAidK conquistou ainda mais notoriedade por meio do InovAtiva Brasil, um dos principais programas de startups do país.

“A partir daí, começamos a ficar mais conhecidas. Em 2025, fomos selecionadas para o Startup Nordeste e fortalecemos nossa estratégia de mercado e crescimento”, explica.

“No mesmo ano, tivemos a honra de ser finalista estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, em Sergipe, e conquistamos o 2º lugar na categoria Ciência e Tecnologia”, acrescenta Mônica.

A microempresária também salienta que, este ano, a startup QuickAidK foi selecionada para a 8ª edição do Programa

Mulheres na Ciência e Inovação.

“Esse programa faz parte de uma iniciativa que reconhece e impulsiona mulheres pesquisadoras e empreendedoras que transformam conhecimento científico em soluções inovadoras para a sociedade”, explica.

“O programa reúne mulheres de diferentes áreas do conhecimento e promove capacitação, networking, desenvolvimento de liderança e fortalecimento do empreendedorismo científico”, destaca.

A empreendedora esclarece que fazer parte do Programa Mulheres na Ciência e Inovação representa não apenas um reconhecimento da sua trajetória.

“Essa é mais uma oportunidade de ampliar o impacto da ciência desenvolvida pela QuickAidK”, observa.

Atualmente, Mônica divide a condução da QuickAidK com outras duas sócias que participam ativamente do desenvolvimento do projeto. Segundo a empreendedora, a atuação conjunta tem sido fundamental para o avanço da startup e para o fortalecimento da estratégia de crescimento do negócio.

A empresária explica que a QuickAidK está em fase final de regularização e conclusão da documentação necessária para iniciar plenamente suas operações no mercado. A expectativa é que, após essa etapa, a startup possa ampliar sua estrutura e iniciar a contratação de profissionais, contribuindo para a geração de empregos e para o fortalecimento do ecossistema de inovação em Sergipe.

Trajetória em Sergipe

Há quase 30 anos, Mônica mora em Sergipe e desenvolve um trabalho importante como empreendedora.

“Aqui no estado, fiz três especializações, mestrado e doutorado. Meu objetivo sempre foi gerar conhecimento e transformá-lo em benefícios concretos para a sociedade”, disse.

“Atualmente, sou servidora estatutária do Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE) e atuei durante nove anos como professora da Universidade Tiradentes (UNIT), experiências que contribuíram significativamente para minha formação profissional, acadêmica e empreendedora”, explica.

Mônica enfatiza que, em Sergipe, dedica sua trajetória a aproximar ciência, inovação e sociedade.

“Por meio da QuickAidK, buscamos desenvolver tecnologias capazes de salvar vidas animais, enquanto, através da consultoria, apoiamos pesquisadores, empreendedores e empresas a transformarem conhecimento em oportunidades”, destaca.

“Acredito que a ciência só alcança seu verdadeiro propósito quando sai dos laboratórios e gera impacto positivo na vida das pessoas. É essa convicção que me motiva, diariamente, a transformar pesquisa em inovação e inovação em soluções que fazem a diferença para a sociedade”, finaliza.

 

Mulheres transformam a economia e inspiram novas gerações

Atualmente, as mulheres representam quase metade dos Microempreendedores Individuais (MEIs) no Brasil. Mais do que geração de renda, o empreendedorismo feminino simboliza autonomia, protagonismo e transformação social.

Apesar dos avanços, os desafios ainda são muitos: a dupla jornada entre trabalho e família, a dificuldade de acesso a crédito e a necessidade constante de provar competência em ambientes historicamente dominados por homens.

Mesmo assim, histórias como as de Naty, Jéssica, Seichele e Mônica mostram que a força feminina tem transformado realidades em Sergipe e em todo o Brasil.

E como bem define a empreendedora Naty: “Com coragem, fé e determinação, as mulheres seguem rompendo barreiras e provando, todos os dias, que lugar de mulher é onde ela quiser estar.”

Do mangue e da roça nasceu a força de uma mulher que transformou dificuldades em oportunidades e fez da própria história uma inspiração para outras mulheres.

É com essa imagem poderosa — a de uma mulher que brota das origens mais simples e se torna exemplo para tantas outras — que se resume a essência do empreendedorismo feminino em Sergipe. E é exatamente sobre esse significado profundo que Mariana Araújo, analista técnica do Sebrae Sergipe e coordenadora do Programa Sebrae Delas, conclui:

“Quando uma mulher decide empreender, sua trajetória já é, por si só, uma história de vitória.”

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