Dor no joelho pode afastar corredores dos treinos

Correr é uma atividade que proporciona diversos benefícios à saúde, mas também exige atenção aos sinais apresentados pelo corpo. A dor no joelho está entre as queixas que podem levar corredores a reduzir ou interromper os treinos e pode ter diferentes causas, desde sobrecarga até alterações que envolvem o menisco, a cartilagem, os tendões ou o desgaste da articulação.

A corrida de rua vem ganhando cada vez mais espaço no cenário esportivo brasileiro. Levantamento recente da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) aponta um crescimento de 85% no número de provas realizadas no país em apenas um ano. Foram 5.241 eventos em 2025, contra 2.827 em 2024. O levantamento considera as corridas regulamentadas, que possuem autorização (permit) emitida pelas federações estaduais de atletismo ou pela Confederação Brasileira de Atletismo.

Com o aumento do número de pessoas que praticam a modalidade, também cresce a atenção para as lesões que podem afetar os corredores. Entre as condições frequentemente associadas à corrida está a síndrome do trato iliotibial, conhecida popularmente como “joelho do corredor“. O problema provoca, principalmente, dor na região externa do joelho, que costuma surgir ou se intensificar durante a prática esportiva.

Segundo o Dr. Pedro Baches, ortopedista e cirurgião de joelho, com pós-doutorado pela Santa Casa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), a dor costuma aparecer durante a corrida e pode se intensificar progressivamente até impedir a continuidade do exercício. “É uma dor que começa na parte lateral do joelho durante a corrida e pode aumentar a ponto de fazer o corredor parar o treino”, explica.

A síndrome está frequentemente relacionada a um desequilíbrio muscular que interfere no alinhamento da bacia, da coxa e do joelho durante o movimento. Com isso, o trato iliotibial, uma estrutura localizada na lateral da coxa, pode sofrer maior atrito na região externa do joelho, provocando inflamação e dor.

“Na maioria dos casos, o tratamento envolve reequilibrar a musculatura, principalmente com fortalecimento da bacia e da coxa. Com a correção desse desequilíbrio, o movimento do joelho melhora e o corredor pode retomar a atividade com mais segurança”, afirma o especialista. Em situações específicas, outros tratamentos podem ser considerados após avaliação médica.

A importância de fortalecer o joelho

Para quem corre, caminha ou pratica ciclismo regularmente, manter o joelho saudável vai muito além de estar em movimento. Embora as atividades aeróbicas sejam importantes para a saúde, elas não substituem o fortalecimento específico da musculatura que dá suporte à articulação.

Segundo o Dr. Pedro, o fortalecimento muscular é fundamental para melhorar o funcionamento do joelho e proporcionar maior proteção durante a prática esportiva. “Quanto mais fortalecida estiver a musculatura ao redor do joelho, melhor será o funcionamento da articulação e maior será a proteção”, explica.

Um erro comum entre pessoas fisicamente ativas é acreditar que a corrida, a caminhada ou o ciclismo já proporcionam todo o fortalecimento necessário. “Quem corre não deve pensar que, na academia, precisa trabalhar apenas os braços. A corrida é importante, mas não substitui o exercício resistido da musculatura ao redor do joelho”, alerta o especialista.

Fortalecer a coxa é fundamental

A musculatura da coxa desempenha um papel importante na proteção e na estabilidade do joelho. Por isso, o treinamento deve contemplar diferentes grupos musculares, incluindo as partes anterior e posterior da coxa, além das regiões interna e externa.

Exercícios como agachamento, cadeira extensora, cadeira flexora, adução e abdução do quadril podem fazer parte de um programa de fortalecimento, sempre de acordo com as condições físicas e as necessidades de cada pessoa. Também é possível utilizar recursos como elásticos, caneleiras e pesos livres.

panturrilha também merece atenção. Embora muitas vezes seja esquecida nos treinos, a musculatura da região participa dos movimentos que envolvem o joelho e a perna. Exercícios simples de elevação da panturrilha podem contribuir para o fortalecimento dessa estrutura.

O quadril também protege o joelho

Outro ponto destacado pelo médico é o fortalecimento da musculatura do quadril e da pelve. Isso porque o movimento do fêmur, o maior osso do corpo e um dos principais componentes da articulação do joelho, é influenciado pela musculatura localizada na região do quadril.

“Não adianta fortalecer apenas a coxa e esquecer a musculatura da pelve. O glúteo máximo e, principalmente, o glúteo médio ajudam a controlar o movimento do fêmur e, consequentemente, influenciam o funcionamento do joelho”, explica Dr. Pedro.

Entre os exercícios que podem trabalhar essa região estão movimentos para os glúteos, a caminhada lateral com elástico e o exercício conhecido como “ostra”, que trabalha a musculatura lateral do quadril.

Para quem pratica corrida, a combinação entre atividade aeróbica e treinamento de força pode contribuir para uma melhor preparação do corpo para o impacto e para as demandas do esporte. O objetivo não é apenas aumentar a força, mas também melhorar o controle dos movimentos e oferecer suporte às articulações.

“O importante é fortalecer a coxa como um todo, a panturrilha e, principalmente, a musculatura do quadril. Esse conjunto trabalha em sintonia para que o joelho funcione melhor”, afirma o especialista.

A escolha dos exercícios, a carga e a frequência devem ser individualizadas, especialmente para pessoas que já apresentam dor, histórico de lesões ou alterações no joelho. Nesses casos, a avaliação de um profissional de saúde é importante para identificar as necessidades específicas e orientar o treinamento de forma segura.

Fonte: AJN1

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