A trajetória da sergipana Karen Albuquerque é um exemplo inspirador de transformação, empatia e conquista. Médica de família, com diversas pós-graduações – entre elas em Pediatria, UTI Pediátrica, Psiquiatria e agora em Neurociência e Autismo –, Karen converteu sua própria vivência como autista em uma missão: oferecer cuidado humanizado a crianças neuroatípicas e suas famílias.
Em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa “A Hora da Notícia”, da Aperipê FM, a doutora compartilhou sua jornada marcada por desafios desde a infância. “Só descobri que era autista depois de formada. Essa descoberta mudou tudo”, revela. A busca pelo diagnóstico da filha – também autista, com Transtorno Alimentar Restritivo e Evitativo (TARE) – foi o ponto de virada. “Quanto mais eu estudava para ajudá-la, mais percebia que aquilo tudo fazia parte de mim também”.
A experiência abriu caminho para que Karen se consolidasse como referência no atendimento a crianças com autismo, TDAH e TARE, unindo ciência à escuta sensível e ao olhar acolhedor. “A empatia que alimento por minhas pacientes e suas famílias tem raízes na minha própria história”, afirma.
Além da atuação clínica, Karen investe na democratização do conhecimento. É coautora de livros como “Simplificando o Autismo 2” (lançamento em outubro), “Manual do TDAH” (setembro), e autora-coordenadora de “Neurodivergentes, sim: o potencial além do diagnóstico”. Obras com preços acessíveis, disponíveis em livrarias de todo o país e pela internet. Ela também organiza eventos, como o Simpósio AFA, voltado para apoiar famílias atípicas – iniciativa elogiada por reunir especialistas renomados com linguagem acessível.
A médica relembra os desafios vividos na infância sem diagnóstico – dificuldades motoras, seletividade alimentar extrema e episódios de bullying –, considerados na época “frescura” ou “estranheza”. “Tomava mamadeira além dos 10 anos, só comia batata com ovo e, mesmo assim, ninguém pensava investigar”, conta.
Sua luta, marcada agora por avanços e conquistas, é permeada pelo compromisso de garantir às famílias e crianças neurodivergentes o acesso ao cuidado, à informação qualificada e ao respeito às singularidades. “Meu propósito é inspirar transformação, mostrar que o potencial existe além dos rótulos e que todos merecemos um olhar mais humano.”
Karen Albuquerque é, assim, símbolo de superação e compromisso social, promovendo mudanças reais e afetivas no universo da neurodiversidade – e fazendo da própria história ferramenta para acolher e transformar outras vidas.