Um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o Brasil a partir das 23h34 desta quinta-feira (27), com o ponto máximo previsto para a madrugada de sexta-feira (28), quando 96,2% do disco lunar estará encoberto pela sombra da Terra. O fenômeno poderá ser observado a olho nu, sem necessidade de equipamentos especiais.
A fase parcial terá duração de 3h18, com início às 23h34, máximo às 1h13 e encerramento às 2h52. A observação poderá ser feita a olho nu, sem necessidade de equipamentos ou filtros especiais.
Segundo a astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento, o eclipse ocorre quando a Lua atravessa a sombra projetada pela Terra.
“A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”, explicou.
A entrada da Lua na penumbra ocorrerá às 22h24, mas, segundo a astrônoma, essa primeira etapa não será perceptível a olho nu. A mudança no brilho começará a ser observada quando o satélite entrar na umbra, às 23h34.
“A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou.
Durante o fenômeno, a sombra escura avançará gradualmente sobre a Lua. Quando 96,2% do disco estiver encoberto, o satélite começará a deixar a umbra e ganhará uma tonalidade avermelhada.
“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”, disse Josina Oliveira, acrescentando que os horários dos eclipses são determinados pela posição do Sol, da Terra e da Lua.
“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou.
Por que nem toda Lua cheia tem eclipse?
Todos os eclipses lunares ocorrem durante a Lua cheia, mas nem toda Lua cheia resulta em eclipse. Isso acontece porque o plano da órbita lunar é inclinado em aproximadamente cinco graus em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol.
“Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, explicou.
A astrônoma também adiantou que, em 2027, serão registrados dois eclipses lunares apenas penumbrais.
“No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, adiantou Josina Oliveira.
Observação a olho nu
Ao contrário dos eclipses solares, que exigem proteção adequada para a observação, o eclipse lunar poderá ser acompanhado diretamente, sem equipamentos especiais.
“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.
Quem estiver em regiões com fuso horário diferente do de Brasília deverá apenas ajustar o horário. O instante do fenômeno será o mesmo em todo o país, mas os relógios marcarão horários diferentes.
“Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente”.
Segundo o Observatório Nacional, o eclipse de agosto pertence ao Saros 138, ciclo de aproximadamente 18 anos que reúne eclipses com características semelhantes.
*Com informações Agência Brasil
Fonte: AJN1