Arquiteta e urbanista Lúcia Carregosa destacou a importância de adaptar residências para garantir segurança, autonomia e qualidade de vida na terceira idade
As quedas estão entre as principais causas de lesões, perda de autonomia, hospitalizações e mortes entre pessoas idosas. O alerta foi feito pela arquiteta e urbanista Lúcia Carregosa, especialista em Engenharia de Saúde e Segurança no Trabalho, durante entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, com participação do repórter Eraldo Souza.

Durante a entrevista, Lúcia destacou que o envelhecimento da população exige mudanças nas residências e nos espaços urbanos para garantir que as pessoas idosas possam manter a autonomia e a segurança por mais tempo.
Segundo a especialista, os principais acidentes domésticos envolvendo idosos acontecem principalmente em ambientes como banheiros, cozinhas e quartos. Para ela, uma queda pode provocar consequências que vão muito além da lesão física, levando o idoso a desenvolver medo de novas quedas e, consequentemente, reduzir sua convivência social e sua independência.

Lúcia também chamou atenção para a necessidade de cuidados desde a entrada da residência. Degraus e desníveis podem representar obstáculos importantes. De acordo com a arquiteta, quando houver necessidade de desníveis, é fundamental pensar em alternativas que facilitem a mobilidade, como rampas e acessos adequados.
Outro ponto abordado foi a escolha de imóveis para quem está envelhecendo. A especialista defendeu que as pessoas considerem, ainda antes da chegada da velhice, as condições de acessibilidade do local onde vivem. A presença de elevadores, por exemplo, deve ser levada em conta na escolha de apartamentos, principalmente em edifícios com vários pavimentos.
Durante a conversa, Barroso Guimarães também relatou uma experiência pessoal envolvendo a necessidade de utilizar escadas após um problema no elevador de um condomínio. Para ele, situações como essa demonstram como a falta de acessibilidade pode limitar a autonomia e até mesmo impedir que uma pessoa idosa ou com mobilidade reduzida consiga sair de casa.
A arquiteta ressaltou ainda a importância de atenção especial aos banheiros. Segundo ela, os espaços precisam permitir circulação adequada e, sempre que possível, possibilitar adaptações para o uso de cadeira de rodas ou outros equipamentos de apoio.
Lúcia Carregosa também recomendou que idosos que moram sozinhos evitem trancar a porta do banheiro quando estiverem utilizando o ambiente. A medida pode facilitar o acesso de familiares ou responsáveis em uma eventual situação de emergência.
Outro desafio apontado pela especialista é o tamanho cada vez menor dos apartamentos. Ela explicou que muitos imóveis construídos atualmente apresentam ambientes reduzidos, o que pode dificultar futuras adaptações para pessoas que venham a apresentar limitações de mobilidade.
Para Lúcia, a discussão sobre acessibilidade precisa ser considerada também na elaboração e atualização dos códigos de obras e nas políticas de construção das cidades. Ela defende que os imóveis sejam planejados levando em conta não apenas as necessidades atuais dos moradores, mas também as diferentes fases da vida.
A especialista destacou ainda que o envelhecimento da população brasileira aumenta a necessidade de planejamento. Com famílias menores e filhos que deixam a casa dos pais, muitos idosos estão trocando imóveis antigos por apartamentos mais compactos, especialmente em áreas de expansão urbana.
Para Lúcia Carregosa, garantir um lar seguro significa pensar em prevenção antes que o acidente aconteça. A adaptação dos ambientes, a eliminação de obstáculos e a melhoria da acessibilidade são medidas fundamentais para preservar a independência, a segurança e a qualidade de vida da população idosa.