Especialistas destacam os benefícios de brincar com blocos de montar

Há um código linguístico e afetivo entre o analista judiciário Diego Souza e o filho Pedro, de 10 anos, que não está em nenhum dicionário, mas é perfeitamente compreendida entre os dois. Quando o pai pede “a plaquinha cinza de 12 pitoquinhos”, o menino sabe exatamente qual peça entregar. A conexão criada a partir dos blocos de montar vai além da coleção com mais de 50 carrinhos criados em dupla. “Durante a brincadeira, a relação deixa de ser simplesmente a de pai e filho e passa a ser também a de dois parceiros tentando construir alguma coisa juntos”, conta Diego.

A história dos dois ilustra o que pesquisadores afirmam há anos: o Lego não é somente um brinquedo. A psicopedagoga Nathalie Galiza, especialista em neuropsicopedagogia, explica que as brincadeiras de construção exercitam coordenação motora fina, percepção espacial, planejamento, resolução de problemas e criatividade. Quando a criança segue um manual, também trabalha atenção, memória de trabalho e organização. “Não existe uma idade única considerada ideal. O importante é adaptar a complexidade da atividade ao nível de desenvolvimento da criança”, complementa.

O valor pedagógico atravessa disciplinas. Cristiane Andrade, coordenadora da escola de robótica Robô Ciência Aracaju, destaca que montar estruturas conecta a criança à abordagem STEAM, que une ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática. “A construção deixa de ser apenas uma brincadeira e se transforma em uma oportunidade para aprender e desenvolver diferentes habilidades ao mesmo tempo”, afirma. O processo também estimula o pensamento computacional: planejar, organizar etapas, testar ideias e ajustar o que não saiu como o esperado.

Inteligência emocional

Talvez, o ganho mais silencioso seja o emocional. Diego observa no filho uma nova forma de lidar com a frustração. “Nem sempre é fácil encaixar as peças ou fazer o que foi imaginado funcionar exatamente como planejado. Isso exige paciência, persistência e disposição para tentar novamente.” Em casa, os dois adotaram um mantra: “Se deu errado ou não conseguiu, é só tentar de novo.”

Os números reforçam o que as famílias sentem na prática. Em 2022, o estudo LEGO Play Well ouviu mais de 32 mil pais e 24 mil crianças em 35 países e apontou que 95% dos pais acreditam que a brincadeira conjunta torna a família mais feliz e fortalece os laços. E 85% deles atribuem esse efeito especificamente ao Lego.

A brincadeira também tem lugar para quem vive o desenvolvimento de forma atípica. A chamada Lego terapia, criada pelo neuropsicólogo Dan Legoff, nos Estados Unidos, usa os blocos como facilitador da interação social em crianças com autismo, estimulando comunicação, trabalho em grupo e senso de conquista.

Diversão para todas as idades

O encanto dos blocos, porém, não se limita à infância nem ao ambiente doméstico. No mundo corporativo, metodologias que usam peças de construção em dinâmicas de equipe vêm ganhando espaço como ferramenta para estimular a imaginação, a comunicação e a resolução coletiva de problemas. Uma construção em grupo exige que os participantes expliquem suas ideias, escutem o outro, negociem decisões e coordenem ações.

Como aponta a psicopedagoga Nathalie Galiza, essas competências que também se desenvolvem com a brincadeira na infância. O mesmo exercício que ensina uma criança a lidar com limitações e rever planos ajuda um adulto a pensar em cenários de forma mais completa e a colaborar com mais clareza.

Não por acaso, os blocos criados em 1932 por um carpinteiro dinamarquês resistem a diferentes tecnologias digitais e seguem conectando e divertindo crianças, adultos e idosos em todo o mundo, há 95 anos. E essa experiência não está restrita à escola, à casa, às salas de terapia ou ao ambiente corporativo.

Até o dia 30 de agosto, as crianças têm a oportunidade de brincar em ilhas temáticas no espaço Lego City, instalado na Praça de Eventos Ipê do Shopping Jardins, em Aracaju. “Aqui a gente descobre construções novas e ainda divide o momento com outras crianças”, afirma Diego.

A diversão é gratuita, mediante reserva pelo aplicativo do shopping. As sessões de 25 minutos convidam a garotada a interagir com outras crianças, fortalecer os laços entre pais e filhos e, no caminho, construir algo que nenhum manual ensina.

Foto: Arquivo Shopping Jardins – Lotti+Caldas Comunicação

Fonte: Faxaju

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