Ethiack: a disciplina que transforma hackers em líderes globais

na foto: André Baptista e Jorge Monteiro, co-fundadores da Ethiack

Em dois anos, a Ethiack passou de startup incubada no UPTEC a uma referência europeia em cibersegurança. Fundada por André Baptista, Jorge Monteiro e Vítor Pinho, a empresa desenvolveu uma plataforma de Pentesting Contínuo Automatizado com Hackbots de IA e atraiu quatro milhões de euros em capital semente em 2024. Hoje, com presença em nove países, mais de 50 clientes e prémios internacionais, a Ethiack prepara-se para consolidar a sua liderança global. Numa conversa com Bruno Perin para a Revista do Empreendedor, os cofundadores revelam como o foco estratégico, as metodologias e a IA se tornaram motores de crescimento.

O foco como disciplina

Jorge Monteiro, CEO da Ethiack, acredita que a clareza estratégica é o que distingue empresas que crescem de startups que se perdem em dispersão. “O foco é a alma de um negócio. Sabemos que 20% das coisas causam 80% do impacto — é o princípio de Pareto. A dificuldade é perceber quais são esses 20%. Na Ethiack, o nosso foco é aumentar mercado e servir os clientes que realmente damos valor — não toda a gente.”

Já André Baptista, CTO e duas vezes distinguido como Most Valuable Hacker, destaca o papel dos OKRs na evolução da empresa. “Os OKRs deram-nos uma clara visão sobre o que era mais prioritário para nós. Não tenho qualquer dúvida que não estaríamos no ponto onde estamos hoje se não fosse esta metodologia.”

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Execução alinhada com a estratégia

A complexidade técnica da cibersegurança exige não só inovação, mas também disciplina de execução. Jorge resume: “O mais difícil não é focar — é perceber onde está o foco, qual é a essência das coisas. No caso da tecnologia, é centrar no que realmente dá valor aos clientes e no que acreditamos que vai ser o futuro: IA e cibersegurança.”

André explica como os OKRs se adaptaram ao crescimento da Ethiack. “Inicialmente era só um OKR da tecnologia. À medida que crescemos, passámos a ter vários OKRs para vários departamentos. Avaliamos criticamente se cada um foi bem escolhido. Isso trouxe melhorias na comunicação entre equipas e no alinhamento estratégico.”

Inteligência artificial como coach e copiloto

Apesar do entusiasmo global em torno da inteligência artificial, Jorge mantém uma visão pragmática. “É muito cedo ainda. Quem disser que já está a revolucionar completamente o negócio com IA está a mentir. Mas já nos ajuda em três grandes áreas: produtividade em tarefas diárias, personalização de processos e, principalmente, como coach. A IA é como o nosso coach — o tempo que demoras a aprender um assunto reduziu bastante.”

André acrescenta que a IA não substitui o pensamento crítico, mas expande as capacidades de decisão. “Conseguimos desenvolver código mais rapidamente e temos sempre um copiloto para programação. Mas, do ponto de vista estratégico, podemos pensar na IA como um super motor de busca, um advogado do diabo que nos contesta e mostra vantagens e desvantagens.”

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Alinhamento e motivação das equipas

A clareza metodológica não serve apenas para orientar decisões de topo, mas também para mobilizar as equipas. Jorge sublinha: “Como líderes, conseguir que as nossas equipas estejam apenas a fazer aquelas coisas que realmente movem a agulha é o principal, porque isso é que no fim vai trazer impacto para o negócio.”

Para André, a ambição é também um motor de motivação. “Não há problema em colocarmos objetivos ambiciosos. Às vezes chegamos a 70%, outras a 50%. Se chegarmos a 50%, já é bastante bom porque conseguimos focar em mover a agulha. Isto trouxe melhorias na comunicação entre equipas e alinhamento entre departamentos.”

De cépticos a evangelistas da gestão

Nem sempre foi fácil convencer perfis técnicos da importância de metodologias de gestão. Jorge explica que a experiência ajudou a sedimentar o pragmatismo: “No caso da Ethiack, sabemos muito bem que o nosso foco é aumentar mercado e endereçar principalmente os clientes a que damos mais valor. Não servir toda a gente.”

André admite que também começou com reservas. “Há diretores tecnológicos que podem estar cépticos: ‘o que interessa é programar, é fazer as coisas’. Mas à medida que a equipa vai crescendo, isto é sem dúvida fundamental. Os OKRs permitem trabalho mais ágil e focado — toda a gente puxa o barco para o mesmo lado, na mesma direção, num determinado período de tempo.”

Na foto: André Baptista, Jorge Monteiro e Vitor Pinho, cofundadores da ETHIACK

Do UPTEC para o mundo

Criada em 2022, por André Baptista, Jorge Monteiro e Vitor Pinho, a Ethiack foi incubada no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e em 2024 concluiu uma ronda seed de quatro milhões de euros com investidores como a Explorer Investments e a CoreAngels. Em dois anos, alcançou faturação de um milhão de euros, reuniu uma carteira de mais de 50 clientes em nove países e recebeu distinções como Startup Mais Promissora do WebSummit e o Prémio Nacional de Inovação.

Agora, aposta em consolidar a sua tecnologia de Hackbots com IA e acelerar a internacionalização, com prioridade para o Reino Unido, a Europa e os Estados Unidos.

A disciplina que transforma genialidade em impacto

A trajetória da Ethiack mostra como a combinação entre visão comercial, genialidade técnica e metodologias rigorosas pode gerar impacto global. Como resumem os fundadores, “a diferença entre fundadores geniais e empresas transformadoras não está no que sabem — está na disciplina de escolher o que fazer com o que sabem.”

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