A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma reformulação de estratégia após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Além da entrada do ministro da Educação, Camilo Santana, na coordenação da campanha ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, o presidente da República passou a adotar uma linguagem mais direta nas redes sociais. Ele publicou nessa quarta-feira (7) o primeiro vídeo gravado em formato “selfie”.
As mudanças foram confirmadas em reunião com parlamentares e aliados eleitos, marcada por críticas do próprio candidato à condução da campanha.
Em uma transmissão publicada no YouTube e retirada do ar cerca de 20 minutos depois, Lula admitiu que esperava vencer a disputa ainda no primeiro turno e atribuiu parte do resultado à dificuldade de comunicação da campanha com os eleitores.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou Lula em um tom humorado, apesar da cobrança feita em público aos organizadores.
A principal mudança anunciada pela campanha foi a entrada de Camilo Santana, ministro da Educação de Lula, na coordenação política do segundo turno. O ministro dividirá a função com Edinho Silva, mas a extensão de sua influência na campanha ainda não foi anunciada.
O movimento que reforça a campanha vem depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
A mudança de estratégia já começou a aparecer nas redes sociais. Nesta quarta-feira, Lula publicou vídeos gravados pelo próprio celular, em um formato “selfie”, formato que o candidato não usou na campanha durante o primeiro turno.
Durante a transmissão, o presidente reconheceu que tem resistência ao modelo, mas afirmou que pretende se adaptar.
“Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas”, disse. “Eu gosto de falar só o essencial. Mas o pessoal me enche o saco. Faz uma selfie, eu não gosto. Hoje eu resolvi fazer”.
Lula também atribuiu parte da força dos adversários à capacidade de mobilização digital e pediu uma atuação mais agressiva de seus apoiadores contra conteúdos falsos.
“O importante é a gente dizer a que veio. E quando ver a notícia ruim, não é passar para a frente, é detonar. Porque a facilidade que eles têm de contar mentira é muito grande”, afirmou.
Lula busca aliados jovens
Além da busca por aliados, a campanha presidencial de Lula (PT) investe, nos primeiros dias pós-primeiro turno, em traçar qual tom será adotado até o segundo turno.
Sob pressão das urnas, Lula desenha nova rota da campanha. Uma das primeiras iniciativas é ouvir a ala jovem da esquerda. O presidente se reuniu com deputados eleitos e com influência no ambiente digital nessa quarta-feira (7), em Brasília.
Fazem parte da lista os eleitos para deputados federais em Minas, Ana Elisa e Pedro Rousseff, ambos do PT, além de Erika Hilton e Sâmia Bomfim, do PSOL em São Paulo. O grupo soma mais de 2,8 milhões de votos.
O núcleo petista também calibra o foco nos 33 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno e busca implementar ações para furar a bolha petista, formada por eleitores que já apoiam Lula. Uma das estratégias tem sido mobilizar a militância por meio de peças de campanha enviadas a grupos de WhatsApp da esquerda.
A avaliação externa, no entanto, é de que a primeira fase de disparos de conteúdo tem alcançado principalmente a parcela do eleitorado que já votou em Lula. Outra aposta é uma ação focada nos eleitores na Bahia, conforme indicado pelo senador Jaques Wagner, ex-líder do governo. O estado é o quarto maior colégio eleitoral e onde Lula teve a maior redução de votos em comparação à última eleição, com 208 mil votos a menos.
Fonte: AJN1