Paula Louzada explica que o uso precoce de celulares e tablets provoca crescimento exagerado do globo ocular e pode comprometer o desenvolvimento visual até os sete anos de idade
O uso precoce e excessivo de celulares e tablets está mudando a anatomia dos olhos e provocando um aumento alarmante de miopia em crianças. O alerta é da médica oftalmologista da Hapvida Aracaju, Paula Louzada, especialista em catarata e retina.
Segundo a profissional, o que antes era visto como mito hoje é comprovado cientificamente.
Ao ficar horas com o foco em visão de perto, a criança mantém contraída a musculatura interna do olho, o que estimula o crescimento exagerado do globo ocular e o surgimento da miopia.
“O uso excessivo das telas faz com que o olho da criança acabe crescendo mais e aumentando, assim, a miopia. Hoje a gente até fala que está vivendo uma epidemia de miopia, porque realmente há um uso muito excessivo de celular”, destaca Paula.
Por que a tela faz tão mal?
A médica da Hapvida explica que o problema não se limita à miopia. Em adolescentes e adultos, o esforço contínuo para focar de perto provoca fadiga visual, dor de cabeça e ressecamento.
“Como é a visão de perto, há uma ativação da musculatura interna do olho pra que a gente dê esse foco. Nos pacientes adultos, acaba estimulando uma fadiga. Por isso, muita gente, quando chega no fim do dia , sente cansaço e dor de cabeça. A gente acaba piscando menos, o que resseca mais o olho, então dá vermelhidão, coceira e ardência”, explica.
Qual a idade certa para liberar as telas?
Para a oftalmologista da Hapvida Aracaju, retardar o contato é a melhor prevenção. Ela reforça a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria. “A entidade recomenda que a gente não dê nenhuma tela antes dos dois anos de idade e a partir daí tem uma tabela específica gradual, com poucas horas por dia”, diz.
Paula complementa: “Retardar o uso das telas para as crianças é muito bom, ajuda bastante num desenvolvimento mais saudável. A brincadeira ao ar livre é uma terapia maravilhosa pra um desenvolvimento saudável do olho.”
Tela grande e longe é menos prejudicial?
Outro ponto destacado pela médica da Hapvida é a distância. Assistir em uma TV a alguns metros é menos agressivo que o celular a 50 centímetros do rosto.
“É melhor a tela distante. Quando a gente tenta dar a visão de perto, que é de média 50 centímetros a um metro, a gente ativa essa musculatura pra ver de perto e aí isso faz o crescimento do olho. Quando a gente projeta nosso celular na televisão mais distante, é menos prejudicial”, orienta.
Sinais de alerta e prevenção
Louzada ressalta que pais e escolas precisam ficar atentos a sinais como dificuldade de aprendizado, aproximar muito os objetos, desvio ocular e dificuldade para perceber profundidade. Mas, segundo ela, o acompanhamento deve ser de rotina, mesmo sem sintomas.
“É importante levar a criança para a consulta oftalmológica, porque, muitas vezes, ela não vai relatar nenhum sintoma e a gente pode perder a oportunidade de fazer um diagnóstico precoce. A gente tem aí um espaço do zero aos sete anos de idade, que é o período que realmente o cérebro vai fazer a conexão com o olho e ter o seu desenvolvimento pleno”, alerta a oftalmologista da Hapvida Aracaju.
A especialista finaliza reforçando o calendário preventivo recomendado pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica: teste do olhinho nas primeiras 72 horas de vida, consulta oftalmológica entre seis meses e um ano de idade, nova avaliação entre três e cinco anos, e depois acompanhamento anual ou bianual conforme orientação médica.
Fonte || Assessoria de Comunicação
Fonte: Faxaju