Uma ligação pode parecer vir de um banco, órgão público ou pessoa conhecida e, ainda assim, ter sido feita por um criminoso. Isso acontece por meio do _spoofing_, técnica que permite falsificar o número exibido na tela do celular. Conhecida como falso identificador, a prática busca conquistar a confiança de quem atende para facilitar a
aplicação de golpes.
Com o número disfarçado, o criminoso pode se passar por um funcionário do banco e alegar uma compra suspeita, uma invasão da conta ou um desconto indevido no benefício previdenciário. Para supostamente resolver o problema, pede senhas, instalação de aplicativos, códigos de segurança ou transferências. Nesse tipo de abordagem, o falso identificador é usado para dar credibilidade ao golpe da falsa central de atendimento.
Em setembro de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou seis medidas cautelares relacionadas a chamadas com indícios de _spoofing_. As providências incluem o rastreamento da origem das
ligações e o bloqueio de tráfego associado à adulteração, com o objetivo de identificar os responsáveis e interromper a atividade irregular. Em março, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também alertou para o uso de recursos tecnológicos que simulam números de instituições financeiras, associado a estratégias de
manipulação das vítimas para obter informações confidenciais ou induzir transferências.
Segundo Lívia Silva, gerente de Prevenção a Fraudes do Banco Mercantil, instituição financeira focada no público 50+, pedidos de informações sigilosas ou movimentações financeiras durante a conversa são sinais de alerta. “O número que aparece na tela, mesmo que seja igual ao do banco, não garante que a ligação seja legítima.
Nenhum pedido de senha, instalação de aplicativos, código de segurança ou transferência deve ser atendido sob pressão”, alerta.
Para reforçar a segurança dos clientes, muitos bancos desenvolvem estratégias, como é o caso do Banco Mercantil conta com a Chamada Segura, recurso que verifica se a ligação em andamento foi realizada pelo próprio banco. Quando o cliente tenta acessar o aplicativo durante uma chamada, o sistema consulta a base de dados da
instituição para confirmar a origem do contato. Se a ligação não tiver sido iniciada pelo Mercantil, as movimentações pelo aplicativo são bloqueadas, ajudando a evitar operações sob orientação de
criminosos. “Na dúvida, desligue e procure o banco pelos canais oficiais”, orienta Lívia.
Ter informações pessoais também não comprova a identidade de quem liga. Dados como nome completo e CPF podem ser usados por criminosos para tornar a abordagem mais convincente e reforçar a impressão de que
se trata de um atendimento verdadeiro.
O público com 50 anos ou mais, especialmente quem recebe aposentadoria ou pensão, deve ficar atento a ligações que prometem resolver descontos indevidos no benefício ou regularizar pagamentos. Os criminosos podem usar a preocupação com a renda mensal para pressionar a vítima a agir rapidamente. “Se alguém ligar dizendo que há um
desconto irregular no seu benefício ou que é preciso fazer uma operação para proteger seu dinheiro, não tome nenhuma decisão durante a chamada. Desligue, confira a informação diretamente com o banco e não compartilhe senhas ou códigos. Mesmo que a pessoa conheça seus dados, isso não significa que ela represente a instituição”,
orienta Lívia.
Ao receber uma ligação suspeita, desligue e entre em contato com o banco pelo telefone que está no verso do cartão ou por um canal oficial acessado diretamente pelo aplicativo. Não use números fornecidos durante a chamada, não instale aplicativos a pedido de quem ligou e não abra links nem compartilhe códigos de segurança. Se já tiver fornecido informações ou realizado uma transferência, entre em contato com o banco imediatamente, guarde os registros disponíveis e registre um boletim de ocorrência.
Fonte: AJN1