Um encaminhamento judicial pode marcar o início de um processo de transformação. Em Aracaju, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), desenvolve os grupos reflexivos para homens autores de violência. A iniciativa que busca prevenir novos episódios de violência doméstica por meio da responsabilização, da reflexão e da mudança de comportamento, contribuindo para fortalecer a proteção às mulheres.
Os encontros são realizados na sede da SerMulher, às terças, quartas e quintas-feiras, e recebem, em sua maioria, homens encaminhados pelo Poder Judiciário após o registro de ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha.
Cada ciclo é composto por 12 encontros e reúne cerca de 25 participantes em cada um dos três grupos atualmente em funcionamento. As atividades são conduzidas por uma equipe multidisciplinar em rodas de conversa que abordam temas como masculinidade, relações de poder, machismo, controle, ciúmes, responsabilização e os impactos da violência sobre as mulheres, os filhos e toda a estrutura familiar. O objetivo é promover a reflexão sobre comportamentos naturalizados e estimular a construção de relações mais saudáveis e respeitosas.
Segundo a facilitadora e técnica da SerMulher, Lays Milena, é comum que os participantes iniciem o processo demonstrando resistência e enxerguem os encontros apenas como uma obrigação decorrente da decisão judicial.
“Na entrevista inicial percebemos sentimentos como raiva, indignação e sensação de injustiça. Esse primeiro momento é importante porque eles são ouvidos e acolhidos, o que contribui para reduzir a resistência e favorecer a participação ao longo do processo”, explica.
A técnica da SerMulher Vanessa Correia, que também atua como facilitadora dos grupos, destaca que as mudanças acontecem de forma gradual.
“A resistência costuma ser maior nos primeiros encontros. Muitos permanecem calados e evitam participar das discussões. Com o passar do tempo, começam a se reconhecer nas situações debatidas, refletem sobre suas atitudes e passam a compreender as consequências dos próprios comportamentos”, afirma.
Os Grupos Reflexivos integram a política municipal de enfrentamento à violência contra a mulher e atuam de forma complementar à rede de proteção. Enquanto os autores participam do processo de responsabilização e reflexão, as mulheres em situação de violência recebem atendimento especializado no Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), onde têm acesso a acolhimento, acompanhamento psicológico, orientação social e jurídica, além de encaminhamentos para outros serviços da rede.
Ao atuar simultaneamente com autores e vítimas, a SerMulher fortalece a política municipal de enfrentamento à violência doméstica, ampliando as possibilidades de romper o ciclo da violência. A iniciativa busca reduzir a reincidência, promover mudanças de comportamento e contribuir para relações mais respeitosas e para a garantia da segurança e dos direitos das mulheres.