Aracaju já não é mais aquela cidade da década de 1980, quando era comum ver jovens e adultos circulando sem dentes, conformados com a perda e sem muitas opções de tratamento. Hoje, graças à evolução da tecnologia, à concorrência no mercado odontológico e a políticas públicas de prevenção, os implantes dentários deixaram de ser um artigo de luxo para se tornarem um recurso de saúde acessível à população.
Em entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM, o cirurgião-dentista Felipe Aranha, especialista em implantes, detalhou os avanços da odontologia e destacou que, mais do que estética, os implantes recuperam funções essenciais, preservam a saúde óssea e devolvem autoestima.
Da extração imediata à prevenção
Aranha lembra que, antigamente, a prática odontológica era majoritariamente corretiva. “Se o dente começava a doer, a saída era a extração. Hoje, a prioridade é a prevenção. Com campanhas do Ministério da Saúde e uma odontologia mais responsável, buscamos preservar o dente ao máximo antes de indicar a extração”, explicou.
Impactos da perda dentária
A ausência de um dente não afeta apenas a mastigação e a fala. O cirurgião destacou que a perda também causa reabsorção óssea, envelhecimento precoce da face e queda da autoestima. “O dente é fundamental para a estrutura óssea do rosto. Ao perder dentes, essa sustentação diminui, e a pessoa adquire um aspecto envelhecido, o que impacta diretamente na imagem pessoal e na inserção social e profissional.”
Além disso, há relatos emocionantes de pacientes que, por vergonha, passam décadas escondendo o uso de próteses até mesmo do próprio cônjuge. “Se isso afeta dentro de casa, imagine no mercado de trabalho. A autoconfiança vai embora”, comenta.
Quantos implantes são necessários?
Nos casos de perda unitária, a regra é simples: um implante para um dente. Mas, em situações de edentulismo total (quando não há dentes na boca), o especialista explicou que não é necessário substituir cada um deles. “Com cerca de oito implantes – quatro em cima e quatro embaixo – conseguimos fixar uma prótese completa, devolvendo todas as funções.”
Prevenção continua sendo o melhor tratamento
Para evitar chegar à necessidade de grandes reabilitações, a recomendação é clara: higiene dental adequada e visitas regulares ao dentista. “A formação da placa bacteriana começa cerca de sete horas após a escovação. Se não conseguir escovar após as refeições, o importante é caprichar nos horários possíveis e buscar consultas preventivas com mais frequência”, orienta.
Manter a saúde bucal, segundo Aranha, é como cuidar de um carro: “Se você só leva para a oficina quando quebra, o custo será muito maior do que se fizer manutenções periódicas”.
Por que os implantes são padrão ouro?
Segundo o cirurgião, os implantes são hoje a melhor solução por devolverem tanto a raiz quanto a coroa do dente. Essa combinação proporciona estética natural e melhor distribuição da carga mastigatória, o que garante maior preservação do osso e maior durabilidade do tratamento.
Critérios e técnicas modernas
O paciente candidato a implante é aquele que perdeu um ou mais dentes ou que já tem dentes condenados. “Hoje conseguimos extrair e já instalar o implante no mesmo dia, preenchendo o espaço com enxerto ósseo quando necessário, o que dá mais segurança e longevidade ao tratamento”, afirmou.
Mais do que dentes: dignidade
No encerramento da entrevista, Felipe Aranha deixou um recado direto: “Implante não é só estética. É dignidade. É devolver função, fala, mastigação e autoestima. O dente perdido pode ser recuperado. O importante é a pessoa não se conformar e buscar orientação”.